A Caminho de Casa (2019)| Crítica

Um dos desafios de filmes de cachorro é tornar o animal como centro em volta em uma história interessante. Apelar para a dramatização exacerbada virou estilo e aqui não é diferente, mas há um diferencial: entender a mente de um cachorro.

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Com base no sentimentalismo e constantes conveniências na jornada da cadela Bella, o diretor vai mantendo o público acordado na sua tentativa de tornar sua personagem autossuficiente, sendo por uma crescente emoção ou por uma não aceitação do caminho de casa continuamente ser esquecido em pequenos arcos que servem de atraso e lição para quem assiste, não para a cadela. Esse conflito pode ser levado também para a dublagem de Bryce Dallas Roward que permite sabermos todos os pensamentos da cadela, facilitando tanto a compreensão das ações ingênuas e obedientes, quanto de julgamento do animal a partir dessa liberdade humana que o filme dá.

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O julgar de uma inconsequência ser difícil de defender é o risco que se corre ao engrenar nesse mergulho psicológico da mente dos cachorros e até no mundo que dita suas regras. Parece impossível tal ousadia para um filme de cachorro, mas a dublagem faz-se acreditar piamente que são pensamentos de um cachorro na sua mais alta estupidez no ponto de vista humano e mais puro instinto pela visão de Bella. Todas as ordens e ações de seu dono são interpretadas por brincadeiras, até mesmo uma obrigação que a salve. Muito se fala que cachorros são como crianças eternas, no entretenimento e na lealdade. Outro fator dos cachorros trabalhado é o pressentimento. As emoções humanas são absorvidas pelos cães, uma espécie de sexto sentido ou mesmo o olfato do ácido liberado na pela humana que varia. Além disso, a bravura canina numa adversidade e a solidariedade, por mais idealizantes que sejam, na floresta com uma puma aumenta a disparidade com a legalidade de não ter um Pitbull em casa por seu perigo eminente em Denver. O inimigo local é o indicador para o racismo canino, mais um passo do filme para inserir no universo dos cachorros e compartilhar o sentimento dos donos da cadela com o público.

Por falar nos donos da Bella e no que eles sentem, o roteiro de uma forma intencional ou não utiliza da omissão deles precisamente para que o caminho de casa do título seja encontrado pela saudade. O reencontro possível não parece apenas ludibriação e magia mental que retire lágrimas, realmente a falta de humanos como foco abraça na conclusão todo o envolvimento da relação homem e cachorro. O amor por cães atinge o ápice planejado.

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Infelizmente o plano de crença na jornada do caminho para casa não funciona com história por limitações básicas de efeitos visuais e insistência em conflitos coincidentes. Pensa-se principalmente na relação diferenciada mas de certa forma crível de um cachorro e uma puma com pouco tempo de nascença terem uma amizade. Entretanto a computação gráfica aplicada cria distanciamento plausível de tão falso que a puma é caracterizada. O diretor foi ousado ao não cortar isso do roteiro como ingênuo como um cachorro, crendo muito talvez numa imaginação e aceitação do público por causa da personagem. Uma pena que é irônico com tal teoria há a aposta em mais relacionamentos inseridos ao léu que vão sobrepondo a descrença nos efeitos, pois pelo princípio de criação de Bella sua amiga puma talvez seja a única coisa que acrescente de fato a um desenvolvimento da personagem, tal como a trilha sonora é incisiva nas cenas dos animais ambos de quatro patas.

Por fim quem tiver um cachorro será difícil não se emocionar, porém com um pensamento mais crítico do que decorre pode haver um afastamento diante do apelativo. O que vale em geral é o amor pelos cães que também tem uma vida própria mesmo que não sejam seres racionais. Se a empatia é exercitada com animais talvez amor pelo ser humano seja doado.

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  • Título original: A Dog’s Way Home
  • Duração: 96 min.
  • Direção: Charles Martin Smith
  • Roteiro: W. Bruce Cameron(que escreveu o livro homônimo) e Cathryn Michon
  • Elenco: Ashley Judd, Jonah Hauer-King, Edward James Olmos, Alexandra Shipp, Chris Bauer, Barry Watson.

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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