A Forma da Água (The Shape of Water, 2017) | Crítica

Em uma das cenas mais bonitas do filme, Elisa se esforça para mostrar a Giles o quanto era semelhante com a criatura que via todos os dias, não apenas pela comunicação em sinais, mas pela solidão que os dois enfrentavam, é o clássico A Bela e a Fera que Del Toro optou por revisitar, escolhendo uma época em que medo e opressão reinavam. A Forma Da Água é uma história de amor, na melhor forma de se amar.

A Guerra fria foi um momento histórico onde Rússia e EUA disputavam no céu e na terra domínios remanescentes da Segunda Guerra, então qualquer vantagem em cima do seu inimigo era válida. É clichê falar do primor técnico nos filmes dele, o mínimo que podemos esperar é a perfeição dos detalhes, que mais uma vez são entregues em ótimas cenas. Mas o foco do filme fica nos personagens, e mais uma vez Del Toro se declara para seus monstros, o poema final é um grande exemplo do quanto as formas que ele apresenta vem de um amor pelo diferente, pelo incompleto.

As ótimas atuações completam toda a ideia do filme, sobra espaço para explorar cada personagem: o cientista em conflito sobre seu patriotismo, o agente que busca se provar o tempo todo, a busca de Giles por aceitação, a mulher deslocada o mundo, a mulher negra que enfrenta problemas de racismo no trabalho e os problemas dentro de casa, e o monstro sendo explorado pelo fato de não ser a imagem do homem. Acompanhados de uma trilha sonora que te encanta.

Todas as cenas de Elisa com a Criatura são de um envolvimento emocional tão forte, que nos identificamos imediatamente. A Forma da Água é um filme completo por o artista homenagear suas obras, e as obras que antecedem as suas; o cinema mudo, musical, o horror, romance, e até o policial. É um Guilhermo Del Toro em sua melhor forma.

A Forma da Água (The Shape of Water, 2017) | Crítica

  • Duração: 121 min.
  • Direção: Guillermo del Toro
  • Roteiro: Guillermo del Toro , Vanessa Taylor
  • Elenco: Michael Stuhlbarg , Sally Hawkins , Michael Shannon , Doug Jones , Octavia Spencer

A Forma da Água (The Shape of Water, 2017) | Crítica

A Forma da Água (The Shape of Water, 2017) | Crítica
10

Nota

10.0 /10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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