A Freira(The Nun, 2018) | Crítica

Em meio a muitas cruzes na Romênia, um teor cômico gratificantemente inusitado e um terceiro ato mais inteligente no propósito de aterrorizar, The Nun de forma alguma se salva, mas diverte com sua ideia.
Após assustadoramente uma freira cometer suicídio em um convento na Romênia o Vaticano envia o padre Burke, acostumado com eventos sobrenaturais, investigar um convento destroçado pela guerra, junto a ele uma noviça chamada Irene, quase freira, o acompanha por indicação da Igreja. Apesar do temor e da fé que os acompanhavam, eles não esperavam um segredo tão diabólico em um convento, uma freira do mal que assombra o local.
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Inegavelmente toda a contextualização é bem feita, desde dos túmulos com sinos da Idade Média a visões aéreas imersivas do local, dando um peso histórico ao Convento. Não falta uma bela fotografia que usa bem suas viradas de ângulos ou dá um 360° eficaz na perda do senso espacial, investindo no expectador que procura onde estará a Freira, do lado esquerdo ou direito da tela, além de usar bem o plongée. É preciso reconhecer também a boa insistência do roteiro desconjuntado em vários quesitos, seja em desconvencer uma conclusão premeditada inevitável para a trama ou em definir símbolos, principalmente no final da história. E a não menos importante Freira mesmo sendo menos eficaz nos sustos com a trilha pesada, que é um “baum” estiloso do Abel Korzeniowski, e mostrando demais o rosto, o que diminui o medo do público, ainda assim os close up funcionam e poderiam ter funcionado mais ainda se usasse melhor uma das simbologias do ato de encerramento.

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Algo que é preciso comentar é a repetição e o comodismo do filme. Pela sua insuficiência narrativa para terminar arcos de personagens simplesmente é surgida resoluções para o caso do monstruoso demônio de Valak quase que acidentalmente dentro da linha proposta de contar a história. Os flashbacks se repetem para acomodar explicações sobre o personagem do padre vivido Demián Bichir, que por sinal pareceu aqui mais como ator de novela no mal sentido, também para justificar um propósito da noviça vivida por Taissa Farmiga, carismática, apenas, no papel, e claro para resolver o caso a qual cada personagem foi chamado para o convento. O personagem Frenchie vivido por Jonas Bloquet é o que se salva, mesmo que possa ser completamente deslocado em boa parte dos momentos ainda assim consegue situar bem na trama assustadora, atuar na medida do que proporam a ele e fazer o melhor estilo Brendam Fraser. Entre visões, covas e palavras cruzadas, apesar de nada ter algum intuito funcionalmente relevante que não seja o susto, pelo menos uma pessoa assustada de verdade é bem vinda ao filme.

Em verdade o filme tem uma ótima proposta de terror com comédia e jogos de câmera bem interessantes, mas nada de fato é bem misturado em suas capacidades, além de um script bem problemático. De cártase imaginativa vale mais se o expectador avaliar o quanto o terror e a comédia se sustentam por caminhos parecidos. Pensar nisso pode ser um bom entretenimento fora os jump scares.

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5

Nota

5.0/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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