A Maldição da Chorona (2019) | Crítica

Mais um filme produzido pela New Line Cinema e distribuído pela Warner Bros, projeto que tem funcionado tanto em questões lucrativas dentro do universo de filmes de terror, muito pelo sucesso que James Wan conseguiu com “Invocação do Mal”. Não é novidade, mas é interessante contextualizar isso para que se perceba um padrão que pode funcionar novamente nas bilheterias sem muita importância com a avaliação crítica.

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Fica muito claro pelo jogo de câmeras, um travelling(movimento de passeio) ou um plano sequência, até mesmo um plano holandês(entortar o plano) que l diretor Michael Chaves entende as convenções do gênero e principalmente seu manda chuva James Wan. Em “A Freira” a direção de Corin Hardy usava os movimentos giratórios constantes para criar tensão para o susto subsequente com uma trilha que já dizia. Aqui é semelhante, em que os planos selecionam o canto para o susto, a casa tem suas portas que fecham e abrem muitas vezes, e um mínimo de suspense é feito sem sutileza. O espectador entende isso, depois de tantas vezes visto pode chegar a um incômodo, porém tanto o universo quando a mitologia folclórica é o que leva a querer ver mais um trabalho que pode ser minimamente divertido dos mesmo produtores de sempre.

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A entidade, vista assim como princípio, emplaca sem dó. Sua história trágica explicada visualmente no século 17 e verbalmente no século 20, logo no começo, sem perder tempo, indica as relações necessárias para lógica do mal e do contexto social. A personagem principal atuada por Linda Cardelini é uma mãe viúva com dois filhos que trabalha com assistência social, cuidando de uma casa sozinha, sustentando-a em um tempo ainda meio avesso a isso em Los Angeles. Por meio disso o real e o sobrenatural estabelecem causa e consequência de inter-relação, pois a malvadeza de Chorona é matar crianças de outras mães, maltratá-los em arrependimento da sua própria ação que a fez se tornar o que é. Assim a expectativa em cima de uma aura clichê na linguagem visual, mas usando isso para incentivar um discurso de ação de poder feminino, um travamento conflituoso da heroína e com o tempo caracterizada vilã Chorona, pois é o costume se chegar ao sub-gênero de super-heróis em algum momento acompanhando essas produções. Uma pena que um desapego por algo maior, de “pós-terror” por exemplo, não se apropria completamente por insistir em roteiros claramente indecisos.

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Toda a conceituação de Chorona e seu método de aproximação, as épocas distintas das personagens, o modo de vestir de cada uma como reflexo de conflito, com uma de noiva após o adultério do marido, e a outra assume vestimentas menos estereotipadas do feminino para suprir a falta masculina, tudo isso não chamaria a atenção como um desperdício se a mudança de traçado na narrativa tivesse menos um intuito brusco de atrair a atenção para momentos de ação, medo, nem mais susto ou suspense. E chega-se ao ponto de convergência, até bem assumido, do heroísmo teológico de padres e figuras religiosas, algo muitíssimo comum nos filmes de “Invocação do Mal” que transmite um crossover constante de uma armada da Igreja Católica. Em uma espécie de entretenimento em um tempo de muitos filmes de super-heróis e que franquias como a Universal que tem propósitos muito de universo cinematográfico não funcionarem, nada mais interessante que plantar mesmo que sem justificativa aparente uma união de similaridades nos filmes. O grande problema é quando isso impede, maltrata o que é construído em prol de uma resolução que dentro dos moldes próprios anima, porém associada ao antes apresentado quebra uma dramática.

Pode-se até defender que é uma arma sutil para não aprofundar, não se apegar a possíveis alegorias sociais, entretanto quantos filmes conseguem fluir no entretenimento e ainda assim permanecerem discutindo implicitamente? É infeliz a maneira que o diretor ironicamente vai tornando a casa, os personagens, símbolos de iconografia, com todas as suas boas capacidades artísticas em esvaziamento visual, quase chegando a uma comédia. Na verdade o filme até implementa isso uma hora, porém tarde demais.

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A insatisfação com “A Maldição da Chorona” pode até pertencer ao clichê, a repetição, a um senso de preguiça que se pode atribuir. Porém olhando de uma outra forma, essas características são parte de uma proposta, é levar para o cinema um reverso ao terror psicológico, aproximar mais do consumível, do maniqueísmo, junto a isso os pupilos de Wan entregarem uma pirotecnia refrescante. O que é difícil defender é o simples, decisões e escolhas, caminhos de uma história folclórica que sendo ou não rica, merece mais respeito.

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  • Título Original: The Curse of La Llorona
  • Duração: 93 min.
  • Direção: Michael Chaves
  • Roteiro: Mikki Daughtry e Tobias Iaconis
  • Elenco: Linda Cardellini, Roman Christou, Jaynee-Lynne Kinchen, Raymind Cruz, Marisol Ramirez, Patricia Velasquez, Sean Patrick Thomas, Tony Amendola.

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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