A Mula (2018) | Crítica

Aos 88 anos e com uma carreira cinematográfica excepcional, Clint Eastwood não precisa provar mais nada pra ninguém. Ainda assim, ele procura continuar na ativa e se lançar em novos desafios. O mesmo acontece com seu novo personagem, Earl Stone, que de um veterano de guerra e plantador de lírios se torna “A Mula” do cartel de drogas mexicano nos Estados Unidos. A diferença entre eles reside na moralidade e na carga de remorso que cada um carrega dentro de si.

Baseado no artigo do The New York Times, “The Sinaloa Cartel’s 90-Year-Old Drug Mule”, assinado por Sam Dolnick, o roteiro de Nick Schenk começa em 2005. Por coincidência, foi justamente neste ano que o cineasta conquistou seu segundo Oscar de melhor Diretor, por “Menina de Ouro”. O primeiro foi por “Os Imperdoáveis” (1992). Em ambos, ele também ganhou como melhor Filme. Suas últimas indicações aconteceram em 2007, por “Cartas de Iwo Jima”.

Foto: Divulgação

Totalmente desprendido, “sem filtro” e parecendo se divertir, Clint esbanja carisma como o anti-herói, o que faz a audiência torcer pelo mesmo, ainda que se tenha consciência de que o caminho que está seguindo é escuso. As atitudes do personagem acabam indo de encontro com o posicionamento de seu intérprete sobre a América atual, mas sem levantar bandeiras. Sufocado pelo governo e pelas decisões que tomou na vida, ele aciona o ‘foda-se’ sem nenhum receio.

Somam-se a isso problemas familiares com a ex-esposa Mary (Dianne Wiest) e sua filha Iris (Alison Eastwood, filha do diretor na vida real) que o deixam menos afável. Bradley Cooper volta a trabalhar com Eastwood após “Sniper Americano” (2014) que fez um grande sucesso e lhe deu uma indicação ao Oscar de melhor Ator. No papel de um agente do Departamento de Narcóticos, sua presença é apenas o suficiente para criar dinâmica e tensão entre os dois lados da lei.

Foto: Divulgação

Mais preocupado no conteúdo do que na forma, “A Mula” apresenta uma narrativa lenta e sem excessos estilísticos. Não espere por rompantes de violência e ação. A direção de Fotografia de Yves Bélanger explora de forma eficiente a rota que Stone percorre e, na maioria das vezes, reforça seu mundo de um só tom. No elenco também estão nomes conhecidos como os de Laurence Fishburne, Michael Peña e Andy Garcia. E assim como Cooper, são pouco explorados.

Anunciado como seu último filme como ator, se assim for, Earl Stone completará dignamente a galeria de personagens icônicos de Clint Eastwood. A expectativa era de que o longa fizesse parte da temporada de prêmios, porém, não é pra tanto. Lançado numa época de grande concorrência, ele conta com pouco mais de US$ 100 milhões de arrecadação nas bilheterias da América do Norte, o que prova que o cinema old school continua rendendo dentro e fora das telas.

  • A Mula (The Mule)
  • Duração: 116 min.
  • Direção: Clint Eastwood
  • Roteiro: Nick Schenk, baseado no artigo de Sam Dolnick
  • Elenco: Clint Eastwood, Bradley Cooper, Dianne Wiest, Laurence Fishburne, Michael Peña, Alison Eastwood, Taissa Farmiga, Andy Garcia, Clifton Collins Jr.

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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