A Noite do Jogo (Game Night, 2018) | Crítica

Uma comédia sagaz, quando o gênero brinca com os outros gêneros sem perder a essência, causando diversão bem feita com as idiotices pela agilidade que elas acontecem, assim como traz reviravoltas no roteiro dentro da própria ideia de causar humor, quebrando a expectativa da expectativa de forma inteligente.

Os diretores John Francis Daley e Jonathan Goldstein, os mesmos de Vacation(2015), e que roteirizaram Spider-Man: Homecoming voltam aqui mostrando o quão afiados são no humor com o roteiro de Mark Perez. A escolha de Jason Bateman e Rachel McAdams como protagonistas é certeira para toda a trama inesperada misturada com um drama de leve que exalam ironia com uma boa dinâmica, soltando sempre referências rápidas. Bateman, que interpreta Max, é bom para o nervosismo e certa passividade, ao mesmo tempo que é carismático e atua com leveza. Rachel como Annie inspira simpatia junto com seu senso de humor irreverente, achando na relação com marido uma aliança que mais parece de grandes amigos, compartilhando brincadeiras e desafios. Por sinal não faltam desafios no filme, e aí que o humor começa, sempre desafiando sua inteligência sem subestimá-la, apenas brincando com a ideia de inúmeras probabilidades de surpreender o público, sem necessariamente se esforçar para o roteiro ser de fato surpreendente, pois isso desestruturaria a própria surpresa.

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Em relação aos coadjuvantes, que entre os melhores estão o casal vivido por Kylie Bunbury e Lamorne Morris, eles tanto ajudam a idealizar o contexto de moradores do subúrbio que passam a noite jogando sem nenhum compromisso que não seja vencer, quanto acrescentam mais humor baseado no desafio, com piadas que viram naturais dentro do filme, como se fossem necessárias serem repetidas para concluírem o desafio que interessa o expectador, já que tem muito a ver com o conhecer dos personagens apresentados. Isso não significa que eles são aprofundados, pois a agilidade do filme não permite, mas também não significa que não são desenvolvidos, já que são.

Quanto a brincadeira com os gêneros, alguns momentos de suspense, de ação, de trash e de romance são passeados pela comédia de modo estiloso e inventivo. E por falar em estilo e invenção o filme usa muito Tilt-Shift, como se estivesse gravando localizações de um tabuleiro do Monopoly ou movimento de mapa em um jogo de videogame, embaçando ao redor e focando apenas na casa que interessa a narrativa. E tomando de novo a ideia de agilidade, a montagem é o que ajuda nisso principalmente, mas não é necessariamente perfeita, mesmo que seja muito boa.

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Enquanto o Game Night se mostra uma comédia surpreendente, ela se mostra também como qualquer outra comédia, como se mostrasse o mal do gênero que é difícil agradar por completo, visto que humor é muito específico. Então o personagem Ryan vivido por Billy Magnussen e sua parceira de desafios Sarah atuada por Sharon Horgon participam dos arcos mais incomodantes em relação a idiotices e dramaticidade. O personagem Brooks incorporado por Kyle Chandler, que é irmão do Max, parece meio perdido no filme, porque além de não muito engraçado o seu arco dramático parece muito levado a sério em um momento específico. Além disso tudo uma surpresa ou outra pode se canibalizar com uma surpresa seguinte, e algumas piadas não funcionam, nada que não fosse esperado, mesmo para esse longa-metragem diferenciado

Por fim 2018 entrega uma maravilhosa comédia, que peca pouco, porém impede que seja mais do que poderia se ajustasse alguns defeitos clássicos. Uma diversão garantida e inteligente, com um alto intelecto para cultura inútil que recheia o filme e alegra os que amam a cultura pop. Diferente de adaptações de games para o cinema que perdem o fator jogabilidade, prejudicando um pouco a empreitada adaptativa, Game Night que se assemelha a um game, em desafio constante, faz valer o expectador não jogar e apenas acompanhar os avatares brincarem a vontade.

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A Noite do Jogo (Game Night, 2018) | Crítica

8.5

Nota

8.5/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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