junho 6, 2020

After Life – 1° Temporada (2019)| Crítica

Quem acompanha os trabalhos de Ricky Gervais ao longo de sua carreira identifica um padrão nas suas obras: O humor ácido. Esse humor fica muito bem evidenciado no seu stand up para a Netflix intitulado Humanidade. Nele o humorista aborda os mais diversos temas, e não polpa nenhum deles, suas piadas são para atingir, e acredito que todas funcionam mais como um alerta do que ofensas, refletindo até mesmo sobre nossa sociedade, apesar de o exagero servir como base.

Em sua série para netflix, não há mudanças, Ricky continua sendo ele mesmo, e apenas somos inseridos em uma trama de perda escrita e dirigida por ele. Nela, temos um homem completamente amargurado com a vida, que encara o seu luto na defensiva, tratando as pessoas com desdém e grosserias do seu modo, para encarar a perda da esposa.

O principal tema da trama é justamente trabalhar o desespero internalizado do personagem quanto a uma perda dolorosa, uma pessoa que não sabe como superar o luto e faz de tudo para punir o mundo aos poucos, enquanto flerta com a vontade do suicídio. Nesse quesito, é muito interessante ver o quanto o personagem se afunda cada vez mais no luto, sem tentar redescobrir sua vida, enquanto trabalha no pequeno jornal local.

A dinâmica em como apresenta os pequenos casos da cidade é interessante, vemos pessoas novas em cada episódio com uma história nova para contar, aí percebemos o conforto daquelas pessoas nas coisas simples, algo que nosso protagonista repudia com muito esforço. Para relacionar tudo isso, no início dos episódios vemos ele revisitando vídeos que a própria esposa deixou, como um manual para superar sua morte, que seria inevitável.

É muito interessante a relação que a série traça entre passado e presente, vemos pequenos vídeos de um antigo prazer que ele via na vida, para depois passarmos para cenas em que ele maltrata ou a si mesmo, ou a qualquer um que esteja na sua frente. É a aí que a série ganha, demonstrando um luto diferente do que estamos habituados, acompanhamos os personagens tentando se adaptar ao protagonista, sem saber ao certo como ajuda-lo.

Com 6 episódios, temos um bom vislumbre do potencial que a série tem, uma jornada de superação, e uma boa discussão sobre o tempo necessário para recomeçar a vida, e saber que aproveita-la deva ser a melhor coisa que podemos fazer por quem já se foi.

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