After Life – 1° Temporada (2019)| Crítica

Quem acompanha os trabalhos de Ricky Gervais ao longo de sua carreira identifica um padrão nas suas obras: O humor ácido. Esse humor fica muito bem evidenciado no seu stand up para a Netflix intitulado Humanidade. Nele o humorista aborda os mais diversos temas, e não polpa nenhum deles, suas piadas são para atingir, e acredito que todas funcionam mais como um alerta do que ofensas, refletindo até mesmo sobre nossa sociedade, apesar de o exagero servir como base.

Em sua série para netflix, não há mudanças, Ricky continua sendo ele mesmo, e apenas somos inseridos em uma trama de perda escrita e dirigida por ele. Nela, temos um homem completamente amargurado com a vida, que encara o seu luto na defensiva, tratando as pessoas com desdém e grosserias do seu modo, para encarar a perda da esposa.

O principal tema da trama é justamente trabalhar o desespero internalizado do personagem quanto a uma perda dolorosa, uma pessoa que não sabe como superar o luto e faz de tudo para punir o mundo aos poucos, enquanto flerta com a vontade do suicídio. Nesse quesito, é muito interessante ver o quanto o personagem se afunda cada vez mais no luto, sem tentar redescobrir sua vida, enquanto trabalha no pequeno jornal local.

A dinâmica em como apresenta os pequenos casos da cidade é interessante, vemos pessoas novas em cada episódio com uma história nova para contar, aí percebemos o conforto daquelas pessoas nas coisas simples, algo que nosso protagonista repudia com muito esforço. Para relacionar tudo isso, no início dos episódios vemos ele revisitando vídeos que a própria esposa deixou, como um manual para superar sua morte, que seria inevitável.

É muito interessante a relação que a série traça entre passado e presente, vemos pequenos vídeos de um antigo prazer que ele via na vida, para depois passarmos para cenas em que ele maltrata ou a si mesmo, ou a qualquer um que esteja na sua frente. É a aí que a série ganha, demonstrando um luto diferente do que estamos habituados, acompanhamos os personagens tentando se adaptar ao protagonista, sem saber ao certo como ajuda-lo.

Com 6 episódios, temos um bom vislumbre do potencial que a série tem, uma jornada de superação, e uma boa discussão sobre o tempo necessário para recomeçar a vida, e saber que aproveita-la deva ser a melhor coisa que podemos fazer por quem já se foi.

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

%d blogueiros gostam disto: