Alita: Anjo de Combate( Alita: Battle Angel, 2019) | Crítica

A feminilidade é a força do céu que vem transformar a Cidade de Ferro em mais humana e viva nas suas máquinas, apesar que a direção de Robert Rodriguez não captar tão bem a emoção como James Cameron no seu roteiro.

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O que se conta aqui parece mesmo com Pinoquio, com o cientista/médico (Christoph Waltz) achando na sucata que vem da cidade de cima uma ciborgue(Rosa Salazar) ainda em funcionamento que perdeu a memória. A partir disso conhecemos o mundo futurista do século 26 que há 300 anos sofreu com uma guerra em que Alita, nome dado a ciborgue achada, sempre tem flashs quando se envolve em lutas com caçadores de recompensa, a ajudando a formar relações humanas, como reconhecer o cientista, que se chama Ido, como pai e encontrar um amor chamado Hugo.(Keean Johnson)

A força vital dessa adaptação do mangá é a protagonista, não apenas por ser o centro da história mas pela construção tanto visual da WETA(empresa de efeitos visuais) que forma alguma esconde a expressividade da atriz Rosa Salazar, quanto na sua caracterização textual. Os olhos esbugalhados servem muito mais que uma referências ao traço japonês, é a porta para a alma verdadeiramente humana, a emoção no CGI aplicado é superficialmente além. Os momentos de proximidade e familiaridade com o equilibrado personagem Ido(Christoph Waltz) dão liberdade para toda computação ser sentida e apreciada com tanta vistosidade. Quanto ao texto, o termo anjo, por mais que perca força ao ser verbalizado, resume muito concretamente o propósito da heroína vinda do lixo da cidade de Zalem que sobrevoa as nuvens. Mais do que imbatível no seu estilo de luta, ela é um espírito transformante exatamente por o seu não conhecer daquele mundo. O diretor, tão artístico nos modelos de luta de seus filmes anteriores entrete e pulsa torcida pela pela personagem. Sem limites para sangue azul e máquinas se quebrarem, a violência destruidora e talentosa é o que motiva Alita a se lembrar do passado, que a instiga coragem de fazer discurso em meio a caçadores de recompensas, de crescer de um corpo projetado de uma lembrança paterna e cuidadosa para uma anatomia adulta e cheia de si. Uma personagem que salta na tela em IMAX para o coração, ensinando a ser humano na sua tragédia e no amor incondicional.

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Algo bem perceptível do filme é sua trajetória clássica, algo muito valorizado por James Cameron e bem identificável dele nas escolhas de histórias. A briga de classes, os sonhos para serem alcançados como motivações dos personagens, contextos históricos relevantes, um romance inspirador e a modernidade seja manifesto na tecnologia incluída na trama ou na construção imaginética do filme. O que torna esse clássico clichê ser interessante é a repaginada ou os personagens. Amargamente o Rodriguez até entende o romance trágico, a humanidade de um ciborgue que transforma uma mulher outrora mãe e esposa que havia se vendido para alcançar Zalem, o garoto Hugo que aceita a força de sua parceira e por mais que amasse a tragédia cria seu desespero para subir a cidade do alto, a juventude imposta em uma máquina de combate que se torna independente ao sair a noite sem a autorização do pai e principalmente o romance meloso, idealizado. Não basta entender, é preciso ser acreditado. Não que o diretor não acredite naquele mundo criado, entretanto a não ser Alita quase todas as interações não são rasas por falta de desenvolvimento ou coisa parecida, falta a Robert se concentrar nos outros personagens e suas atuações.

Em vista o roteiro ainda, pode ser criticado suas inserções estadunidenses de como tornar competições ludibriantes estilo Coliseu em algo vendível. O tal de Motorball até funciona para Alita demonstrar força, jovialidade e incomodar com sua diferente pespectiva de vida, pensando no que esqueceu e tentando viver o momento. No entanto o jogo vira mero espetáculo visual e facilidade narrativa de criar problemas para o climax. Exemplos como esse são semelhantes na montagem que não parece encontrar um ritmo bom com facilidade de compreensão das motivações e acontecimentos, como se tivesse havido muita gravação e muita coisa foi cortada para ser vendível com duas horas de duração. Não que seja rápido e não dê para entender o que acontece, porém são fios soltos que ajudam, não uma amarração. As cenas de ação começam a perder valor para o final, a dramaticidade não tem impacto pelo storytelling truncado, podendo criar um ar de decepção, como se o que se tivesse assistido é apenas uma casca visual, que de modo algum, mas o sentimento permanece. E com certeza dois fatos evidentes problemáticos envolvem a atuação de… como Hugo e o vilão Nova. O par romântico peca em trazer a dramaticidade que o roteiro exige e o vilão é um espécie de cliffhanger para uma sequência. São necessários apontar essas incongruências que trazem desproporção para a veemente qualidade da protagonista e sua feminilidade ser o forte do foco. O romance precisava de Hugo também para convencer, um paralelo claro entre a violência demasiada e o amor de êxtase que Alita demonstra. Assim a conclusão perde drasticamente impacto, apesar de ser possível entender que mais do que explorar o mundo cyberpunk, o íntimo sonhador de cada personagem é o centro e quem sabe pode ser aí que surpreenda a muitos.

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Por questões adaptativas o cuidado deve ser valorizado, o detalhismo nos efeitos também, e principalmente a concepção de uma personagem que muitas meninas irão se identificar. Por mais que Robert Rodriguez implemente seu descompromisso com uma história simples sem complicações ainda assim muito do que é visto pertence a James Cameron, e o orgulho desse diretor costuraria uma obra realmente empática que mostraria o poder do sonho e o valor da calamidade. Apontar para o céu como desafio e não como algo inalcançável é a proposta.

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  • Duração: 122 min.
  • Direção: Robert Rodriguez
  • Roteiro: baseado no mangá escrito por Yukito Kishiro chamado “Gunnm” ou também homônimo ao filme, James Cameron escreveu a primeira versão, outra roteirista chamada Laeta Kalogridis participou da escrita e por último o diretor também é reconhecido como escritor do roteiro.
  • Elenco: Rosa Salazar, Christoph Waltz, Jennifer Connely, Mahershala Ali, Ed Skrein, Jackie Earle Haley, Keean Johnson, Jorge Lenderborg Jr., Lana Condor, Idara Victor, Jeff Fahey, Eiza González.

6

Nota

6.0/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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