Animais Fantásticos e Onde Habitam(Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016) | Crítica

A magia de Hogwarts se tornou parte natural do cinema, agora o desafio era resgatar isso para a década de 20 nos E.U.A, pós Primeira Guerra. Para isso a autora dos livros se tornou roteirista, acertando no resgate mas falhando no equilíbrio narrativo.

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Depois do terrorismo do vilão Grindewald em território europeu muitos bruxos o perseguiram mas não o encontraram mais. Enquanto isso um catalogador de animais vai para os Estados Unidos com uma maleta recheada de seres mágicos que vão causam muita confusão para os bruxos.

Como de costume J.K Rowling cria personagens muito cativantes e sua criatividade com os animais fantásticos é fundamental para a formação do mundo que propõe. O livro da autora, uma espécie de Wikipédia para monstros mágicos, é construído por Newt Scamander com sua trama amigável de capturar os monstros o desenvolve. É possível vislumbrar inteligência contida no jeito acanhado dele, assim suas confusões com os seres mágicos são desculpadas, pois seu intelecto e seu sentimento trazem à tona o porque tais bichos são tão importantes, principalmente para ele. Em volta disso os seus parceiros trazem mais do universo, Tina traz MACUSA e os termos nova-iorquinos e Queenie mostra a telepatia que por fim encanta não só o personagem Jacob como o expectador, que é bem representado nele. É isso que mais engrandece o filme, aquele mundo que tanto tem a oferecer com seus conceitos e modos de viver.Image result for fantastic beast the crime

Nesse ponto também é que se mostram os erros. J.K sempre colocou temáticas sociais em seus livros que também tinham nos filmes de maneira entranhada. A briga entre bruxos e trouxas, a ideia dos sangue ruins na Câmera Secreta, amplamente vislumbres de classes sociais da realidade. Não é diferente nesse longa, tocando na intolerância aos bruxos provocada principalmente por ataques de Grindewald na Europa. Essa trama paralela, deslocada da biológica caçada de Newt, tem um ritmo demasiadamente lento como introduz necessidades ao quarteto de personagens que não combina com suas personalidades construídas para resolver o mistério no terceiro ato com um encerramento grandioso não tão compreensível. E mesmo que se defenda a ascensão do grupo de rejeitados nisso, seus heroísmos não são justificados coerentemente diante das performances tão bem seguras e executadas deles.Image result for fantastic beasts the crimes of grindelwald

Antes de terminar o texto é preciso exaltar a contextualização da época e o figurino ganhador do Oscar. O ar novaiorquino já se contrasta primeiramente com o sotaque de Eddie Redmayne. O cinza, o ambiente noturno mais sombrio e os tons pastel permitem que o expectador veja uma antítese ao entrar no recinto que Newt guarda seus animais veja mais brilho que não se vê ma cidade, assolada pela desesperança do final da Grande Guerra. Quanto ao figurino feito por Colleen Atwood, não só a época é bem retratada com sobretudos estilosos, que também caracterizam o inverno, como define os personagens. Quennie é o melhor exemplo, sempre usando cores claras, rosa, muito definitivo para o seu jeito gentil e romântica de ser.

Por fim, a grande verdade é que se trata de um prólogo de uma grande história. Só funciona progressivamente, não apenas como apresentação, pelos últimos minutos que entregam a introdução da ameaça. O que qualifica o filme, para alguns um dos melhores, é a verossimilhança com o mundo real em um universo mágico tratada com gravidade adulta. No entanto parece bem mais interessante visitar a maleta de Newt e aprender com ele apreciando a direção ludibriante de David Yates do que morosamente acompanhar o conflito bruxo verborrágico sobre o Obscurus.Image result for colin farrell in fantastic beasts

7.5

Nota

7.5/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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