agosto 10, 2020

Anna – O Perigo Tem Nome (2019)| Crítica

   Luc Besson é um diretor que divide bastante as opiniões em Hollywood e sempre entrega um produto diante de muitas expectativas, boas ou ruins, seja pelo gênero, pelo estilo de filmar e contar suas histórias ou por qualquer outro fator externo que surge em suas produções. Desta vez, acusações de abuso sexual deixaram o diretor em pé de guerra com os executivos e produtores que se afastaram da produção. Embora nada tenha sido provado, o projeto de lançar o filme como a nova marca do seu estúdio com o objetivo de lançar uma franquia, se resumiu em poucas salas de cinema, zero de publicidade e um verdadeiro fracasso de bilheteria. O fato é que o filme agrada pela ação e revisita o estilo do diretor, além de homenagear as “girls power” que surgiram nos anos 2000, o que é curioso diante dos fatos.

      A direção é bastante similar a outras produções do diretor, a câmera passeia entre closes e planos médios com bastante movimentação. A coreografia de ação é precisa e agrada muito, no fim do primeiro ato tem uma cena bem estilosa com diferentes movimentos, um bom jogo de câmeras e muita violência. No terceiro ato mais um bom exemplo disso é mostrado com aproximadamente três minutos de extensão, com bastante sangue e tiros, característica do diretor. Apesar de ter atuado como ator e roteirista em Dupla Implacável (2010), a transição narrativa entre as cenas de ação me fez lembrar rapidamente desse filme. Em outro momento da protagonista, uma clara referencia a O Profissional (1994) é percebida, voltando um pouco mais atrás você enxerga Nikita – Criada Para Matar (1990), é um passeio por toda carreira do diretor e de filmes que marcaram por algum motivo. A protagonista, Anna, carrega consigo características de outros filmes já vistos, Aeon Fux, Ultravioleta, a Viúva Negra da Marvel, são filmes e personagens presentes em várias situações aqui, seja na estrutura ou no estilo, todos os exemplos citados estão presentes em tramas de espionagem e ação.

     O roteiro é a peça menos trabalhada nessa tentativa de xadrez, apesar de ter reviravoltas interessantes, principalmente no terceiro ato. Filmes de espionagem e a relação entre KGB com o serviço secreto americano já foi revisitada várias vezes, de diferentes formas e apesar do charme nesse tipo de ambientação, a saturação grita em momentos que a solução mais simples é buscada. A preocupação em lançar a modelo Sasha Luss como atriz e inserir sub-arcos dentro do arco da protagonista, deu a dinâmica necessária para esse tipo de trama, mas deixou sem “corpo” todo o resto, tornando os demais personagens apenas funcionais, o que é um desperdício. Além de Sasha, compõem o elenco principal Luke Evans, Cillian Murphy e Hellen Mirren. Evans repete seu estilo troglodita galanteador de outras produções, é um papel que casa com o ator e em nada compromete. Cillian Murphy se apresenta do lado dos “mocinhos” como um agente de transição na virada da trama, o estilo sagaz e irônico que o ator consegue imprimir em seus trabalhos resultou em mais um bom casamento, esse trio é responsável pela criação de sedução e tensão sexual que não pode faltar nesse tipo de filme, mais uma característica dos filmes de Besson. Hellen Mirren é o maior nome do elenco e é incrível como ela consegue hipnotizar o espectador, a criação da sua personagem soa familiar, porém com características que afastam o pensamento da mesmice, mesmo pouco solicitada em termos de atuação, é sempre bom vê-la atuando.

     Se o cinema atualmente carece de novas ideias e coisas originais, Anna é mais uma produção que suga com vigor tantos outros projetos, mas que diferente da maioria, consegue encaixar os elementos e dinamizar suas referências, distanciando-se do clichê piegas visto outrora, mas sem deixar de lado o puro clichê, que aliás, sendo bem utilizado funciona, ou pelo menos não causa cansaço. Se você for um cinéfilo mais exigente, irá encontrar erros de continuidade, nas cenas observará descuidos que um super agente não cometeria, por exemplo, digitais, ou então verá que o prédio da KGB na verdade é um complexo de estudos tantas vezes mostrado na ultima copa do mundo, é melhor deixar ele olhar atento e se divertir. Anna é um filme que poderia ir mais além se não fossem os problemas extra produção envolvendo o diretor e no final se tornou apenas uma boa opção de ação com bons atores, bons cenários e boas cenas, guardando para o ultimo ato todo seu potencial de espionagem. O filme está disponível no Prime Vídeo.

  • Anna – O Perigo Tem Nome
  • Duração: 109minutos
  • Diretor: Luc Besson
  • Roteiro: Luc Besson
  • Elenco: Sasha Luss, Helen Mirren, Luke Evans, Cillian Murphy, Alexander Petrov, Eric Gordon, Ivan Franek
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