Annabelle 3: De Volta para Casa | Crítica

O modelo padrão de terror do “Universo Invocação do Mal”, após tantos filmes com repetição dos clichês para “jump scares”, foi sendo facilmente reconhecido, em que a sustentação do Invocaverso explora o quão moldável ou tão adaptável é esse método de fazer o gênero, criando novas assombrações e contextos que criam novos spin off baratos de se fazer com valor de entretenimento. “Annabelle 3: Volta para casa” agora torna essa conhecimento prévio e usufrui para um playground de assombrações na casa do casal Warren, um filme consciente de suas possibilidades de expandir seu universo e se reinventar na própria trama com uso do clássico clichê para reafirmação do estilo.

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Desde “Invocação do Mal” o casal Warren foram um modelo heroico para lutar contra assombrações, sempre estando relacionado a variados casos de assombrações, então como bons detetives e cientistas do sobrenatural eles guardaram objetos amaldiçoados em um sótão, porque o uso da casa como centro do gênero de terror é o clássico a ser abordado. Se inteirando no clichê aos poucos se estabelece quem age inconsequentemente para a jornada aterrorizante começar, quem iria liberar a boneca Annabelle que media espíritos ao seu redor. Para isso usa-se agora jovens garotas, uma babá das filhas do Warren e uma amiga super curiosa. Logo o ato que o público pune como idiota pode não se relevar em um plano inicial, mas o uso da juventude como protagonistas da passiva aterrorização busca exatamente estabelecer de forma mais clara ainda o clichê.

Pode-se atentar como em alguns momentos brinca-se com o projeto previsível do filme. O abrir de portas, o achar da chave da poeta proibida, entre outras clássicas ações que acontecem em todas as obras do Invocaverso, porém nesse meio tempo se aproveita não para comentar sobre essa repetição, mas brincar e reverenciar de maneira funcional com essas bases. Exemplo disso é com um quadro de Jesus, a religiosidade que tanto se ignora ou simplesmente às vezes para ineficaz nos filmes se torna essencial para o contínuo da narrativa, assim como o uso da palavra “heróis” no jornal com relação aos Warren finca mais tanto o reflexo do heroísmo dos religiosos nos outros filmes como quanto o medo se aplica talvez mais ainda pela falta da presença deles.

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Em uma espécie de “Esqueceram de Mim” em que a criança é deixada em casa para se cuidar, a filha dos Warren interpretada por McKenna Grace pontualiza dentro da trama um espécie de olhar diferenciado para que de forma natural dentro do óbvio do filme se crie novos caminhos com outras funções para os fantasmas. Ao mesmo tempo usa-se o drama também pouco evidente, exatamente para não destruir a fórmula de tensão em constância, apenas é colocada para justificar alguma ação de maneira lógica mínima dentro do caminho percorrido dos personagens. No esquema antiquado desses jovens dentro de uma casa mal assombrada as revisitações aos casos antigos do casal Warren estabelece um playground de sustos e situações de tensão, nunca se reinventando no estilo, em que a graça é repetir a música que liga sozinha e rapidamente é desligada, as luzes que se apagam e mesmo com o disjuntor é mais importante segurar a lanterna, a campainha que toca, o brinquedo já visto na franquia que é “rejogado” pelos jovens que não tem experiência com Annabelle, por exemplo, entre outros fatores que também revelam a coragem jovial aos poucos como desafio.

Não há o foco em si nos momentos de reiterações do clássico e clichê, e sim no uso delas para uma direta abertura potencial de novas mitologias do Warren que não foram contadas, abrindo o leque do universo, revelando mais uma boneca russa mostrando ao público que o método da franquia é assumido, e não para comprovação, e sim é usado aqui para entretenimento de autoconsciência, permitindo até mesmo que a bravura da juventude dos anos 70 se mostre principalmente fora de casa, onde o medo se dissipa, e só nos locais fechados que se cria o sistema de fato.

Assim, mais uma vez aproveitado a espacialidade, os momentos de paradas ilógica para explorar casos futuros em próximos filmes e para organizar no meio do filme a realidade criada antes de propor a entrada funda no gênero, enfim, não há nada de novo, no entanto tanto para os fãs um prazer bem adocicado em ver um exploração das personagens dos casos não vistos ainda equilibrado com um modelo que assume a possibilidade de mais e mais mitologias inspira melhor o universo do que se apegar a realmente tentar assustar ou dramatizar uma história nova mas com as cordas de sempre.

Como Lorraine Warren vivida por Vera Farmiga fala sobre a jovialidade de uma personagem, também podemos observar a evolução de uma franquia não no modo de fazer, e sim no modo de apresentar novos projetos para serem explorados por diretores iniciantes. Como em uma cena específica que traduz bem o que é o filme e sua qualidade em ideia, a cada cor luminosa que faz sombra em Annabelle cresce-se seu tamanho e forma, assim como essa franquia que não abre mão de potencializar e impactar ao relacionar com uma história supostamente real a cada fim de filme.

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  • Título Original: Annabelle: Comes Home
  • Duração: 66 min.
  • Diretor: Gary Dauberman
  • Roteiro: Gary Dauberman com base na história de James Wan.
  • Elenco: VEra Farmiga, Patrick Wilson, McKenna Grace, Madison Iseman, Katie Sarife.

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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