Aquaman (2018) | Crítica

Após a passagem do tom realista que Christopher Nolan implementou na sua trilogia do Batman, agora o diretor James Wan sem vergonha das cores estampa o espírito inspirador dos super-heróis da DC.

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O princípio de tudo, Nicole Kidman segurando o pequeno Arthur e o sol atrás dela simboliza a alvorada que o universo DC irá transmitir para todos.

A história que se conta aqui é de Arthur Curry(Jason Momoa), um filho mestiço de dois mundos simbolizados pela rainha de Atlantis chamada Atlanna(Nicole Kidman) e um simples faroleiro chamado Tom Curry(Temuera Morrison). A missão de Arthur, também conhecido pelos seus atos de salvamentos como Aquaman, é evitar a guerra de Atlantis contra a superfície liderado pelo rei Orm(Patrick Wilson) meio irmão de Arthur. Para isso a ajuda de Vulko(Willem Dafoe) e Mera(Amber Heard) é necessária para tornar o rei que renega o trono em herói de todos.

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James Wan dominou o filme como poucos diretores consegue diante de um roteiro tão inconsistente. Ele merece todo o louvor.

Seria incongruente não dar ênfase ao artista do filme que com pinceladas de tintas a base d’água não apenas deu fluidez, grandiosidade, criatividade e estilo, de mérito soube usar o fraco roteiro e trouxe como proposta o fantástico, o cafona como elemento principal, sendo possível lembrar bem do Aquaman dos Super Amigos, ditando a diversão com a mitologia e a emoção no visual. Extasiamente bem criada, Atlantis invoca uma ópera aquática que o compositor Rupert Gregson-Williams entende muito bem se dispondo a experimentar sons variados que ajuda o expectador a emergir mais ainda no fantástico tão talhado nos quadrinhos. Aqui a telona se torna quadros dos Comics, não se limitando ao slow motion ou as cores, tendo primeiros planos de meio, close ups bregas que Jason Momoa se acostuma a entregar carisma. Sem um Arthur Curry requintado de nada adiantaria o contexto bem feito, e por mais que, assim como Gal Gadot, não há um nível de atuação elogiável, ao menos há sinceridade e entrega de Momoa superam isso, é possível simpatizar com ele e vibrar com sua transformação sem necessariamente está envolvido no seu drama.

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Essa imagem reflete bem a dimensão do que foi criado mitologicamente no filme. A trilha tem o psicodélico e o senso de aventura pertence a Julio Verne.

Inflando o ego do diretor australiano mais um pouco, suas escolhas de montagem são fundamentais para que o problemático script seja apaziguado. A transição de tempo, de terra para a água, flashbacks bem misturados a narrativa em progresso, sem dúvida um exercício que merece ser aplaudido, visto que Wan segura as pontas e impacta a plateia com o melhor dos brilhos no último ato, pequenos bons detalhes para o subgênero no tratamento de apresentações de mitologia e de um personagem tão importante. Um pouco mais sobre a trilha, pingos d’água são sentidos, sintetizadores sonoros para a sensação de outra época e os gritos de rock selecionadamente em momentos tensos vai experimentando o mar. Ela propositalmente lembra várias épicos cinematográficos ditados pelo som inusitado. E o mais importante é que ao citar Julio Verne no início não só inclui romance no início do filme, inclui principalmente esse imaginário da trilha, algo além, sem concepção de completo como os oceanos se demonstram.

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Exemplo de um close up usado no filme para forçar uma química entre os protagonistas.

Como o mais evidente é o tratamento de James Wan, é também mais exposto seus deslizes e vícios, tanto em narrativa quanto em pose. A explosão para ação, quebrando o diálogo, sempre uma repetição que o expectador mais desatento identifica, e na ânsia de Wan elevar o filme para uma espécie de resignificação dos supers do universo DC do cinema ele derrapa no tom brega confortável. Lembra-se Velozes e Furiosos 7 quando Pitbull ou Skylar Grey cantam, sendo muito mais a percepção da direção do que é o pop em tratá-lo invés de algum propósito que fosse causar estranhamento por Mera está longe de Atlantis ou por comédia mesmo, tentativa de exaltar algum sentimento de progresso falho, bem exemplificado na busca constante de alcance da química entre Amber Heard e Jason Momoa na Itália, usando artifícios de câmera constrangedores, além da música. Com certeza o público pode sentir cansaço ou pressa baseado no expositivo do roteiro, na organização funcional, porém não aprimorada dos personagens, e na insistência no romance falível.

Apesar de tudo, é uma obra autoconsciente, o espírito de Julio Verne, aquela imaginação que leva até a Power Rangers, a Star Wars e a Viagem ao Centro da Terra não apenas pertence a arte do divertido, serve a necessidade de ter esperança em heróis que pertencem a dois mundos, que os salva e une-os, ensinando o perdão.

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Atlanteanos que refletem o alívio que o universo DC se colocou nos trilhos.

Aquaman

7.5

Nota

7.5/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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