As Viúvas (Widows, 2018) |Crítica


“É uma experiência coletiva. Isso é o que o Cinema é. E é por isso que fiz esse filme. Algumas vezes é hora de torcer, outras é hora de chorar. E temos os dois nesse filme”

Steve McQueen disse em entrevista ao Uproxx sobre seu filme “As Viúvas”

Juntando-se um roteiro detalhista e uma direção eloquente e faz-se um grande filme que sabe falar do pequeno com propriedade.

Imagem relacionada

Depois da morte de vários maridos (Liam Neeson, Jon Bernthal, Manuel Garcia e Coburn Goss) em um assalto tensões afloram na cidade de Chicago, uma eleição na cidade se aproxima e Jack Mulligan (Colin Farrell) quer suceder seu pai contra o adversário Jamal Manning (Brian Tyree Henry) que busca uma política mais voltada para os menos desfavorecidos pela política anterior considerada corrupta. No meio disso tudo as VIÚVAS se unem com a liderança de Veronica (Viola Davis) que precisa se provar forte com a morte do esposo.

Resultado de imagem para viola davis liam neeson

Steve McQueen tem uma equipe preciosa para trabalhar, um diretor de fotografia que sabe contemplar os desejos da roteirista que escreve odores de Chicago para cada cena, um compositor renomado que sabe ditar ritmo para ajudar a montagem complexa e atores que tem qualidade inegável. A escusa do limite de atenção do expectador vai direcionar as atuações que precisamente permitem que o filme de ação seja distante do escapismo. Todos os personagens bem tipificados se entrelaçam num drama político, racial e feminista. Três atores que se sobressaem, variavelmente para quem assiste, são Daniel Kaluuya, Colin Farrell e Viola Davis. O primeiro é bem dirigido para salientar seus olhos e a evergadura para a imagem da violência fria, o segundo eleva seu nível com o papel apropriado e disfarces que englobam boa espiritualidade misturada com corrupção e uma secreta secretária que dita seus passos. E com certeza a mais complexa das personagens, a viúva de um casamento interracial segmentada em dores diversas e felizmente sobrepostas pelo amadurecimento na sua ousadia.

Em relação as viúvas do título, arrancando a técnica e o detalhismo aplicado na obra sobra uma história excelente de luto, três mulheres que o enfrentam cada uma de forma específica com base em seus contextos bem definidos por maridos dos variados espectros de amor e violência. Em suma a ação desafoga a raiva e a tristeza, além claro de liberá-las de dependencia financeira que estavam tão acostumadas pela acomodação dos afetos. Infelizmente Gillian Flynn ainda faz roteiros literários e cabe a Mcqueen aparar, entretanto sobram pontas soltas usadas como artifícios, necessários ainda, que saem da realidade paupável estabelecida, da mesma forma o cinema de ação com o cinema de Oscar nem sempre circunscrevem-se.

Imagem relacionada

Importante expandir a qualidade do apurado texto em conjunto a direção de arte e porque pode-se perceber uma falta de conexão amarrada entre todos os pontos discutidos. É muito claro a ambientação bem dividida entre preto e branco como se sempre houvesse conflito em todas as relações menos das viúvas em que o ambiente escuro é homogêneo, mesmo que seja uma garagem bem máscula com posteres bem característicos de oficinas tipicamente recheada de homens. Isso é uma problemática trabalhada, enquanto isso o ano em que se passa o filme é nas eleições de 2008 em que Barack Obama disputava, logo acirrava as tensões de racismo que já existem no país, crescendo assim o valor da disputa política no filme entre um branco elitista e um negro aliado as classes populares e a igreja, ambos envolvidos no crime, faces da mesma moeda. Assim, certas revelações na trama só aumentam os ícones trabalhados até então, um arranjo de direção e roteiro bem feita. Entretanto como se apresentam diferentes arcos a montagem perde fôlego quando precisa selecionar os conflitos em ordem propícia para as personagens, então aí se encontra dificuldade na mistura com gênero da ação visto que esse demanda agilidade que certos personagens não podiam ter, logo seus diálogos perdem um pouco o valor pelo corte preciso.

Afinal, é perceptível a valorosa capacidade de misturar ação intensa com drama pesado, antíteses elegantes e impactantes que se misturam com interpretações aproveitáveis para o mesmo propósito. Desde do ano escolhido para se passar os fatos aos ângulos fora do carro para se contar um diálogo, é de se invejar como foi projetado esse xadrez em formato de filme.

Imagem relacionada

8.5

Nota

8.5/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

%d blogueiros gostam disto: