outubro 28, 2020

Bloodshot (2020) | Crítica

     Baseado na HQ de mesmo titulo da editora Valiant Comics, Bloodshot conta a historia de um soldado que é aprimorado e busca entender qual o seu passado e assim ter um objetivo de vida, com novas habilidades como: super força, velocidade, sentidos apurados, fator de cura e uma capacidade de se comunicar com a rede de computadores, o anti-herói segue sua jornada de autodescoberta com muita violência e de forma implacável. O personagem não é tão conhecido pelo publico geral e até pouco conhecido na cena nerd, isso devido a várias idas e vindas da editora, existem também duas origens para o herói, uma em que ele é um bandido que recebe nanotecnologia direto no sangue e assim assumindo a identidade Bloodshot, a outra origem narra um ex-soldado que é morto e sofre o mesmo procedimento. Nas mãos do diretor Dave Wilson vemos a segunda, o que casa bem com a escolha do elenco e principalmente com o protagonista, Vin Diesel. A nível de informação, o ator inicialmente cotado para ser o protagonista era Jared Leto, mas em 2017 seu nome foi descartado. Em 2012 a Columbia Pictures adquiriu os direitos de produzir o filme e em 2015 o diretor e os roteiristas iniciaram o projeto, ou seja, é uma produção que está no radar há tempos.

    O roteiro de Jeff Wadlow e Eric Heisserer não oferece grandes novidades no início do filme, porem apresenta algumas reviravoltas que deixam a trama mais dinâmica, mesmo com clichês. A história do soldado que volta da ação e tem alguém esperando, com a beleza do por do sol e sensação de paz até que o mundo desmorone e tudo de ruim aconteça, já foi contada diversas vezes, no entanto, para o gênero e devido ao material de origem, os desdobramentos do texto faz com que você releve algumas mesmices apresentadas, fazendo questão de deixar claro que esse não é o foco, o filme segue e não é aqui que ele quer te prender, como uma espécie de eliminação, um roteiro mais trabalhado e desenvolvido é descartado e se torna apenas funcional para o que quer ser contado, com todos os personagens subdesenvolvidos e apenas o protagonista tendo atenção, o filme segue adiante limitando seu potencial na ação devido a classificação indicativa de 14 anos, o filme pedia mais.

    A Sony não informou o orçamento do filme, mas com certeza Wilson teve um bom valor nas mãos para tocar o projeto e desde os primeiros minutos você percebe isso. as cenas de ação são bem coreografadas e os efeitos visuais, em sua maioria, convencem. Como se trata de um universo meio cyberpunk, muita coisa digital é inserida na cena e nos personagens, em poucos momentos você percebe a perca de movimento de uma perna, braço, tórax cibernético. Tem muita cena com bastante ação, muitas referências a clássicos do cinema e obviamente os criadores da HQ beberam das fontes da sétima arte. T-1000 do Exterminador do Futuro, por exemplo, é claramente referenciado pelo diretor e o foco na cena evidencia isso, com o uso do escuro e o jogo de câmera, a reconstituição clássica do exterminador é revisitada nos nanorobôs do protagonista. Cenas abertas, aéreas, são bem competentes, em um determinado momento do terceiro ato, os personagens despencam de um edifício combatendo sem parar, o resultado é o melhor possível, diferente do que acontece em outras produções, o fundo continua em movimento, o que está em foco permanece na gravidade e com a movimentação contínua.

     O elenco tem cara de secundário e sem peso, atores medianos se esforçam para ter cara de bandido, de nerd, de donzela, de vilão, Lamorne Morris, que apesar de ter algumas falas sem sentido algum, ainda se salva diante dos colegas. Guy Pierce, que é um ótimo ator, se ofusca em um personagem genérico e sem “alma”, puro automático; uma direção de elenco mais exigente cairia bem para o resultado final. De fato, as atenções estavam voltadas para Vin Diesel e no início tudo parecia que seria o mesmo personagem de sempre só que em outra produção. A camiseta, o abraço levantando a mulher, o por do sol, tudo igual ao que vimos antes, porém o roteiro pede outro tipo de atuação e com bastante esforço o ator tenta emplacar a carga dramática que o seu personagem carrega, sem muito sucesso, mas confesso que é melhor ver o esforço em atuar do que ser o “bad ass” durante 109 minutos.

     Bloodshot é um filme que se torna melhor se você for um cinéfilo que não espera que todo filme seja uma obra prima, é uma boa opção de ação e apresenta um personagem que promete iniciar uma franquia para surfar na onda dos filmes de heróis, desta vez sem raios e trovões. Um diretor com mais experiência em grandes projetos dará um norte melhor aos planos da Columbia, um texto menos simples e uma classificação de 16 anos também não fará mal algum, só resta saber se o objetivo é melhorar a qualidade ou manter a pipoca e continuar na mediocridade.

PS: veja no cinema, de preferencia na maior tela com o melhor som.

  • Bloodshot
  • Duração: 109 minutos
  • Diretor: Dave Wilson
  • Roteiro: Jeff Wadlow e Eric Heisserer
  • Elenco: Vin Diesel, Guy Pearce, Lamorne Morris, Eiza Gonzalez, Toby Kebbell, Sam Heughan
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