Bohemian Rhapsody (Idem, 2018) | Crítica

Por mais racional que eu procure ser ao falar sobre um filme, tem alguns em que a emoção se sobressai. “Bohemian Rhapsody” é um deles, estando ao final da sessão completamente emocionado. Em entrevista no ano passado, Bryan Singer revelou que sua intenção era fazer uma obra acessível que celebrasse a música. E é justamente isto que vemos na telona.

Mesmo a produção tendo passado por problemas, não consigo imaginar outro resultado. Faltando apenas algumas semanas de filmagens, Singer foi demitido por má conduta no set, alegando problemas pessoais na época. Em seu lugar entrou Dexter Fletcher que em 2019 lançará “Rocketman”, sobre Elton John. Ainda assim, Brian é creditado como diretor. Com duas indicações ao Oscar por “A Teoria de Tudo” (2014) e “O Destino de uma Nação” (2017), o roteiro é de Anthony McCarten que parece estar se especializado em cinebiografias.

“Bohemian Rhapsody” aborda o período em que Freddie Mercury (Rami Malek) conhece Brian May (Gwilyn Lee), Roger Taylor (Ben Hardy) e John Deacon (Joseph Mazzello), na década de 1970, e juntos formam uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. Quando o estilo extravagante do vocalista começa a sair do controle, eles precisam enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas.

Conhecido pela série “Mr. Robot”, Malek vive um importante momento em sua carreira. A forma como ele encarna Mercury e sua performance no palco é digna de ser lembrada na temporada de prêmios. O ator fez alguns registros musicais junto com o cantor canadense Marc Martel que já integrou uma banda cover do Queen. O ótimo elenco também conta com Lucy Boynton, como Mary Austin; Aidan Gillen, como John Reid; Tom Hollander, como Jim Beach; Aaron McCusker, como Jim Hutton; e o sumido Mike Myers, como Ray Foster.

Apesar do espírito inquieto, experimental e inovador do grupo, a trama segue uma fórmula, fazendo concessões cronológicas ou licenças poéticas em prol da narrativa. Mais interessado no processo criativo, nas músicas e na relação entre seus membros, os temas mais espinhosos da vida pessoal do vocalista não são aprofundados. O longa dedica parte do tempo à composição da canção-título “Bohemian Rhapsody”, momento importante não apenas musicalmente, mas também por inserir a polêmica figura de Paul Prenter (Allen Leech).

Com produção executiva musical dos remanescentes do Queen, o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor, o que se ouve na maioria da projeção são gravações reais de Freddie Mercury e companhia. A trilha sonora original, contudo, contém apenas registros remasterizados ou regravados com sua voz. Ainda assim, com 22 faixas, o álbum traz cinco gravações nunca antes lançadas do show do Live Aid, no estádio de Wembley, em 1985. Há também “Doing All Right”, música original do Smile, refeita apenas para o filme.

Da reconstituição de momentos históricos ao figurino, “Bohemian Rhapsody” apresenta uma produção caprichada. Há quem possa achá-lo chapa branca ou politicamente correto, o que não é de todo errado. Porém, levando em conta a emoção, como uma grande celebração da carreira artística de um ídolo que nos deixou precocemente, o filme me fez vislumbrar a sensação de estar em um show do Queen. Ao sair do cinema, não tive dúvidas. Freddie lives forever!

  • Duração: 134 min.
  • Direção: Bryan Singer
  • Roteiro: Anthony McCarten; História de Anthony McCarten e Peter Morgan
  • Elenco: Rami Malek, Gwilyn Lee, Ben Hardy, Lucy Boynton, Joseph Mazzello, Allen Leech, Aidan Gillen, Tom Hollander, Mike Myers, Aaron McCusker

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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