Boneca Russa – 1° Temporada (2019) | Crítica

Enquanto a netflix bombardeia o espectador com mais estreias a cada semana do mês, é possível encontrar uma ou outra surpresa em meio ao catálogo do streaming. Boneca Russa é uma dessas surpresas rápidas e agradáveis, que focam a trama em uma personagem central, que precisa lidar com as adversidades do tempo e das situações em que se encontra, e nesse caso, o tempo é o grande fator da vida dela.

Natasha Lyonne, vinda diretamente de Orange is the New Black com sua cabeleira para brilhar nas telas de sua série solo, interpretando Nadia, que está enfrentando uma espécie de loop temporal em sua vida, e precisa aprender a lidar com a morte bem mais cedo do que esperada. Além de protagonista, Natasha Lyonne é uma das criadoras da série junto com Amy Poehler e Leslye Headland, o que permite ter um controle criativo melhor da trama e da personagem. Vemos Nadia presa nesse loop temporal bem ao estilo Feitiço do Tempo, e como a morte pode lhe ensinar a viver.

Esse estilo de narrativa precisa se concentrar em se inventiva nas mortes e situações apresentadas, nesse caso, precisamos rir das enrascadas e nos envolver com o drama particular de reviver o mesmo dia, caso contrário, podemos enjoar facilmente desse tipo de escrita. Felizmente, o carisma da protagonista e os assuntos abordados são tão satisfatórios que o tempo passa bem mais rápido, mesmo já sendo curta.

Nesse tempo, a trama consegue discutir liberdade feminina, sexualidade, relacionamentos e dispensa perder tempo se perguntando se é o certo a se discutir, acompanhamos as correrias da personagem pela cidade, ao mesmo tempo que vemos o quanto fica cada vez mais difícil para ela lidar com toda essa situação, vamos do drama a comédia muito rápido e vice versa, mas é no drama que a série entrega o que tem de mais valioso, certo momento da narrativa, vemos a personagem se questionando que se ela morre sempre, significa que em todos os universos que ela morreu, todas as pessoas ao seu redor estão sofrendo sua perda, o texto é poderoso, e exemplifica que por mais liberta das amarras da sociedade, a personagem se importa sim com o que acontece ao seu redor.

Para balancear e introduzir algo novo, a narrativa nos apresenta Alan, outro personagem que está na mesma situação de Nadia, e os dois precisam, cada vez mais juntos, tentar resolver tudo o mais rápido possível. É interessante essa escolha do roteiro, pois além de acrescentar na história, mostra mais do melhor da personalidade de Nadia, que ajuda Alan a superar seus traumas pessoais, e a série tira qualquer foco de relacionamento dos dois para resolver a trama central. Afinal, nossa personagem tem seus próprios problemas, e em mais um ponto positivo, vemos que ele vem de um passado nebuloso com sua mãe.

Boneca Russa é o tipo de série que consegue tratar muito bem sobre liberdade feminina, e evidencia a importância disso na vida pessoal de uma personagem que não está perdida, sabe muito bem de sua condição, sexualidade e toma suas próprias decisões, precisando correr atrás a cidade toda, se for preciso, para lidar com a morte e todas as adversidades que vem com isso, uma excelente série para aprender a viver bem consigo mesmo.

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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