Bright (2017) | Crítica

David Ayer está caminhando para se tornar referência em filmes policiais – exagerei? pelo menos é nítida a proximidade do diretor com este gênero – sendo Bright, seu melhor trabalho até agora. Na sua carreira, conta com o ótimo filme de guerra Corações de Ferro e depois de um Esquadrão Suicida que não deu certo – na minha opinião, muito do fracasso desse filmes foi culpa da Warner – Dayer Ayer é contratado para trazer para a netflix um filme que tende a ser grandioso, e parece ser a segunda maior aposta da empresa nesse ano, depois de Okja.

Já se perguntou como seria o universo do O Senhor dos Anéis nos dias atuais? Se você respondeu “não muito diferente”, acertou. Em Bright, elfos, orcs, fadas, humanos e com certeza muitas outras espécies habitam no mesmo planeta, dividem os mesmos territórios, tem suas classes sociais e de convívio. Se você pensou “que lindo, deve ser bem diferente da nossa sociedade podre, racista, cheia de desigualdades sociais e maldade” errou. Bright trás aquele longo questionamento sobre problemas socioculturais e racismo.

Eu não consegui deslocar o meu pensamento de Senhor dos Anéis, é como se eu ficasse sabendo o que aconteceu 2000 anos depois de Aragorn ter sido proclamado rei e o Um Anel ter sido destruído, já que o discurso de “o que aconteceu 2000 anos atrás” é sempre ressaltado no filme. Na trama, o policial Ward (Will Smith) e o seu parceiro – primeiro Orc a trabalhar na policia – Nick (Joel Edgerton) precisam proteger uma varinha mágica contra orcs, elfos renegados e até humanos que a querem para realizar seus desejos.

Apesar de ser uma fantasia, Ayer não economiza no seu tema central: o preconceito. Marginalizar Orcs é algo comum, seja dentro do nosso mundo ou no mundo da fantasia, afinal, quem pensa em Orcs como uma espécie de raça do bem? É muito raro, seja em um filme ou numa sessão de RPG, geralmente teremos Orcs como vilões da história. Trazendo para o mundo real, a discussão é mais válida, podendo facilmente substituir as raças deles pelas nossas; seja negro, branco, latino, gangues de rua, crime organizado, grandes conspirações, sociedades secretas… A discussão está presente no filme desde o início, e isso faz o Orc Nick, ser o melhor personagem.

Sofrendo com racismo desde o lugar onde trabalha até nas ruas, Nick é o personagem que se sente deslocado, e chega a ter lapsos de ingenuidade, mas nunca se separando do seu dever como policial, mesmo sofrendo preconceito da sua própria raça de Orcs. A abertura do filme é maravilhosa, nos contando praticamente o que aconteceu nos 2000 anos que se passaram; existia um Senhor das Trevas – alô Tolkien – que promoveu uma dominação global, porém foi derrotado graças a um exército de raças, e depois desses eventos, o mundo se separou com raças vivendo nos seus territórios, sendo os Elfos, os mais ricos com direito a um território fechado e os Orcs, a classe marginalizada, dividindo esse status com humanos.

O filme brilha quando trás um grupo de Elfos renegados como grandes vilões da história, quem diria, não? Desmistificando todo o status de que todo elfo é um ser puro. Ayer é seguro na sua direção, mostrando boas cenas de ação e uma fotografia “das ruas” numa cidade obscura, dominada por gangues e uma longa perseguição pela grande varinha mágica. Sendo uma grande produção, a Netflix não poupou dinheiro em maquiagens – Joel Edgerton some na belíssima caracterização -, e ambientações, porém, ainda assim não sentimos toda a grandiosidade de um blockbuster, mas muito se deve ao fato de as raças viverem em casas, favelas e até nas ruas, sem os grandes castelos e florestas da era medieval.

O filme tem suas limitações, o personagem do Will Smith ficou um pouco apagado no arco do Orc, que roubou o filme com bons diálogos e suas motivações, querendo fazer o que ama, mesmo com o mundo não se importando com sua presença. Assim, o drama familiar de Smith fica de lado na história.

Bright trás discussões antigas e longas, porém atuais e válidas, focando na dramatização dos seus personagens principais e buscando novas mitologias e crenças, o filme te prende pela curiosidade daquele mundo, você quer ver mais, saber mais sobre como e quais espécies vivem ali, não é a toa que a Netflix estaria encomendando uma sequência, que ainda não foi confirmada, depende muito da recepção do público.

  • Duração: 1h 57 min.
  • Direção: David Ayer
  • Roteiro: Max Landis
  • Elenco: Will Smith , Joel Edgerton , Noomi Rapace , Édgar Ramírez , Ike Barinholtz , Lucy Fry ,Chris Browning

Bright (2017)

8

Nota

8.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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