Caixa de Pássaros (Bird Box, 2018) | Crítica

“O mais antigo e mais forte sentimento humano é o medo, e o mais forte e mais antigo medo é o medo do desconhecido”
H. P. Lovecraft

Uma frase de H. P. Lovecraft é a melhor forma de iniciar um texto para falar de um filme que trata do desconhecido, do inominável, da fera que habita na escuridão e resulta na insanidade, na incapacidade de lidar com o que não se vê ou o que não se entende.

Podemos encarar Caixa de Pássaros de duas formas, como um grande filme de suspense que se passa apenas em um ambiente ao longo da trama, ou uma grande metáfora sobre maternidade, sobre medos, sobre a insegurança da também desconhecida forma de ser mãe. Da mesma forma que o filme trata o sobrenatural como o medo do desconhecido, temos na personagem principal o medo de ser mãe os impactos que isso passa causar na sua vida, levando em conta a forma como o filme introduz o sobrenatural, ajuda a intensificar a proposta da narrativa.

O que entendemos através da direção de Susanne Bier, é o foco na personagem e na travessia principal até o possível refúgio que seria a sua salvação, com bastante flashbacks para contar a jornada até o objetivo principal. As melhores cenas do filme são as travessias do rio até o refúgio, aqui a diretora opta por planos bem abertos para demonstrar o vazio, e os perigos enfrentados ao longo do caminho, durante dois dias acompanhamos essa jornada, e cada cena demonstrada parece mais aterrorizante sobre o que lhes aguarda no fim do caminho. O filme em si é sobre expectativas, sobre o que seria aquele ataque, sobre o que é ser mãe, sobre o que aguarda eles no possível refúgio, é tudo muito bem trabalhado em torno desse tema.

O filme utiliza dos clássicos clichês de filmes de abrigo para desenrolar sua trama nos flashbacks, temos o conspiratório, a pessoa sem escrúpulos, os rebeldes, as pessoas frágeis, e nossa própria protagonista é o esteriótipo de garota que cresceu aprendendo sobre sobrevivência. Tudo isso pode incomodar, e não tem o mesmo peso de filmes anteriores, mas nada que atrapalhe o desenvolvimento principal, há mesmo uma necessidade de demonstrar tudo isso para construir a persona da protagonista, podemos observar que sua trajetória leva cada uma dessas características até o fim da trama.

Durante duas horas Caixa de Pássaros nos entrega uma boa trama de suspense, que prende o espectador até o próximo ato, infelizmente trazendo personagens secundários pobres, mas entregando uma protagonista cheia de dilemas, falando sobre maternidade e até mesmo sobre o limite do ser humano, e até onde vai a sua ética. Todo mês somos bombardeados de estreias de filmes e séries na netflix, e essa é uma das boas produções desse ano, vale muito a pena conferir.

  • Duração: 124 min.
  • Direção: Susanne Bier
  • Roteiro: Eric Heisserer (adaptação do romance de Josh Malerman)
  • Elenco:  Sandra Bullock, Trevante Rhodes, John Malkovich, Sarah Paulson, Jacki Weaver, Rosa Salazar, Danielle Macdonald, Lil Rel Howery, Tom Hollander, Colson Baker, BD Wong, Pruitt Taylor Vince, Julian Edwards, Vivien Lyra Blair, Parminder Nagra, Amy Gumenick, Taylor Handley, David Dastmalchian, Happy Anderson

Caixa de Pássaros (Bird Box, 2018) | Crítica

8

Nota

8.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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