A Casa Torta (Crooked House, 2017) | Crítica

Depois de ter assistido O Assassinato no Expresso do Oriente de 1974, fiquei curioso com a forma como os personagens eram apresentados e como o grande mistério do título foi resolvido. Logo, quando soube da existência de A Casa Torta, outra adaptação de Agatha Christie, corri para assistir. E não me decepcionei.

A direção do filme é muito segura, usando lentes grande angulares para captar cada detalhe da direção de arte, e cada detalhe do elenco – a cena do jantar da família reunida funciona perfeitamente para demonstrar isso – passeamos desde os cantos mais amplos aos cantos mais escuros da casa. E que bela casa!

Além da direção, outros pontos favoreceram para que o filme funcionasse: direção de arte e elenco. A ambientação dos anos 50 ficou maravilhosa – creio que parte se deve a mão de Julian Fellowers no roteiro, o criador de Downton Abbey – tanto dentro da casa, quanto fora, nos bailes, nos carros, nas roupas, tudo foi muito bem calculado para estar ali.

Na trama, somos apresentados a Sophia (Stefanie Martini), que vai de encontro a um detetive, Charles (Max Irons) com quem já teve um tipo de romance, para investigar a morte de seu avô, que foi morto devido a uma injeção  que continha veneno. E todos dentro de sua casa são suspeitos.

Assim como em Assassinato no Expresso do Oriente, vemos um elenco de peso, todos os atores confortáveis nos seus papéis, cada personagem tem sua ambição, inveja, luxúria, amor, ódio, cada um tem seu espaço na casa, e coube a direção demonstrar pelos detalhes, cada personalidade perante do detetive Charles Hayward.

Durante suas passagens pela casa, Charles investiga cada morador, adentrando em seus quartos e fazendo perguntas, obviamente todos estão incomodados com sua presença, um estranho está rondando e fazendo perguntas sobre um possível assassinato, e todos são suspeitos. Aí entra o brilho do filme, cada personagem tem seu espaço, sua “casa dentro da grande casa”, somos levados a intimidade de cada um, e junto com o detetive, vamos traçando suas personalidades e suas motivações.

Cada personagem vive conflitos, seja consigo mesmo ou com outro morador dentro da casa, até mesmo Charles tem seus conflitos com Sophia. Como eu disse, a cena do jantar é a mais importante do filme, pois retrata todos os conflitos entre os personagens, deixando o mistério mais difícil para o detetive. Afinal, se todos são suspeitos então quem é o culpado? O roteiro prefere desenvolver mais os personagens do que suspense, o que deixa nosso foco a cada demonstração de culpa.

A Casa Torta trás um ótimo filme policial, o que deve satisfazer bastante os fãs do gênero, deixando o espectador investigar junto com o detetive Charles, outro grande detetive das obras de Agatha Christie. Com um grande passeio pela mente de personagens intrigantes e um elenco estrelado que funciona e tem um ótimo entrosamento, o filme com certeza vai agradar os fãs da escritora. Uma pena o filme ter passado em branco, talvez devido a nova versão de Assassinato no Expresso do Oriente. E ai, conseguiu resolver o mistério?

  • Duração: 120min
  • Direção: Gilles Paquet-Brenner
  • Roteiro: Julian Fellowers, Tim Rose Price
  • Elenco Principal: Christina Hendricks , Gillian Anderson , Glenn Close , Max Irons , Terence Stamp , Stefanie Martini , Roger Ashton-Griffiths

A Casa Torta (Crooked House, 2017)

8

Nota

8.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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