Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin, 2018) | Crítica

“O que aconteceria se você se esquecesse de mim?” Quem cresceu com as histórias do ursinho Pooh e companhia tem muitos motivos para ver e se emocionar com “Christopher Robin”. Para este público trata-se de fato de “Um Reencontro Inesquecível”, no entanto, temo que não seja o mesmo para os que ainda não os conhecem. Das versões live-action dos desenhos da Disney já lançadas, essa é talvez a menos pretensiosa e também a mais delicada e melancólica.

O roteiro, assinado por Alex Ross Perry, Tom McCarthy (“Spotlight”) e Allison Schroeder (“Estrelas Além do Tempo”), traz um Christopher (Ewan McGregor) casado com Evelyn (Hayley Atwell) e pai de Madeline (Bronte Carmichael). Com a infância há muito tempo deixada para trás, ele tem preterido sua família em prol do trabalho. Certo dia, contudo, um antigo amigo do Bosque dos Cem Acres reaparece fazendo-o pensar sobre o que realmente importa na vida.

A partir da criação do escritor inglês Alan Alexander Milne e das ilustrações de Ernest Shepard, o filme adota um visual estético menos quente e colorido, a fim de acompanhar a trama mais adulta. Se passando em uma Londres pós-Segunda Guerra Mundial, o tempo nublado predomina. Se no original e nas animações, o ursinho e seus amigos eram frutos da imaginação do Christopher criança, desta vez eles ganham vida literalmente, o que é um tanto questionável.

Responsável pelo elogiado “Em Busca da Terra do Nunca” (2004) – que trazia a história real do autor de “Peter Pan”, J.M. Barrie –, a escolha de Marc Forster não foi por acaso. Numa decisão acertada, os animais têm aparência de pelúcias, o que os deixa mais afetuosos. Eles foram, inclusive, inspirados nos próprios brinquedos do filho de A.A. Milne. Ao lado de Pooh, Ió (ou Bisonho) é quem mais se destaca, o que me fez querer uma maior participação dos demais.

Como curiosidade, de acordo um estudo canadense, cada animal é a representação de um transtorno mental. Assim, o ursinho apresenta déficit de atenção e o Tigrão, hiperatividade; Ió sofre de depressão, Leitão, de ansiedade, e o coelho Abel, de TOC; Can tem fobia social, enquanto que o filho Guru, autismo; Corujão é disléxico e; por fim, Christopher dá indícios de esquizofrenia. O que não se sabe é se o autor tinha consciência disso tudo quando os concebeu nos anos 1920.

“Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível” está longe de ser um dos grandes sucessos de bilheteria do estúdio do Mickey. Não há dúvidas de que a indefinição quanto ao público que se pretende atingir é um dos motivos. Para a criançada frenética de hoje, ele poderá parecer lento demais. Já para os mais crescidos, como uma grande lição de moral, é a chance de parar um pouco e pensar sobre pessoas, coisas, seres e sentimentos que estão sendo deixados pelo caminho.

  • Duração: 104 min.
  • Direção: Marc Forster
  • Roteiro: Alex Ross Perry, Tom McCarthy e Allison Schroeder; História de Greg Brooker e Mark Steven Johnson; Baseado nos personagens criados por A.A. Milne e Ernest Shepard
  • Elenco: Ewan McGregor, Hayley Atwell, Bronte Carmichael; Vozes de: Jim Cummings, Chris O’Dowd, Toby Jones, Brad Garrett, Nick Mohammed, Sophie Okonedo e Peter Capaldi

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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