Cine Holliúdy 2 : A Chibata Sideral (2019) | Crítica

Cine Holliúdy 2 continua a saga do entendimento da limitação cinematográfica como criatividade artística, agora, nos anos 80, um assunto de uma pureza semântica tão revigorante junta à comédia que é difícil não valorizar.

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O cearencês tem a capacidade de parodiar como uma apropriação original, então o diretor Halder Gomes busca nesse novo filme ir além do idealismo imaginativo de reproduzir o cinema, agora executando o fazer cinema. Para isso existe o jogo metalinguístico respeitoso de qualidade. Para falar das limitações que Pacawood tem para fazer um filme é preciso do verniz técnico e inspirativo. Então a fotografia e os efeitos visuais são bem dignos para um filme nacional, além disso as traduções de gênero de ficção científica e até terror paranoico para o contexto regional complementam o trabalho criativo do diretor de exaltar comutantemente o amor pelo cinema e pela sua terra natal.

O que engloba toda essa execução do cinema é a comédia quer permite que haja reinvenção e ousadia de tornar os contos nordestinos em óperas espaciais, abduções de conotações sexuais e paranoias de invasões E.Ts, incentivos para que Francisgleydisson se torne diretor de um filme. Essa decisão é o conflito principal que o roteiro fragmenta em vários conflitos. Em uma certa aleatoriedade torna o dilema do protagonista em herança para o filho, aproveitando a comédia para disfarçar tudo que for possível na caminhada da narrativa problemática, no entanto a comédia não se sustenta com mesmo peso até o fim.

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Se há uma dificuldade de achar um ator para o lampião “macho” ou o protagonista é acusado pelo sumiço do “bebim” surge a chance de apresentar algum personagem e soltar uma piada politicamente incorreta a partir da problemática, as vezes essas piadas se auto desculpam apenas por desculpa. Infelizmente Halder começa a usar a comédia confusa com problema a ser resolvido, tentando talvez criar uma mitologia como as ficções fazem para justificar acontecimentos, no entanto começa a esclarecer a falta de progresso em cima das referências como meio de flutuar para uma conclusão.

É na montagem constantemente buscando a fluidez ou uma rima que evite truncamento que vai surgindo aleatoriedades para que os gêneros brincados apareçam. Da mesma forma existe uma cisão interessante de três mundos, o que admite existência de naves e o fantástico, o que parte dessa crença se tornando segmento de um sonho para incentivar a produção artística, e o mundo das referências a Tubarão, Contatos Imediatos de Terceiro Grau, entre outros. Nessa mistura existe um aproveitamento e certa apropriação dos termos hollywoodianos já visto em “Shaolin do Sertão”, só que aqui não é colocado os termos na jornada e sim nas citações durante a jornada que não se fazem ser história, mesmo no fazer do cinema.

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Para tal feito que enrola a língua prepara-se o toque dramático do pai e filho envolvidos na produção do cinema sem emoção suficiente e a Maria das Graças, esposa de Francis, que já tinha sido a razão preventiva da arte não fosse destruição de sonhos e sim continuação, vira uma ciumenta que pelo menos tem seu momento de ação bem feito no humor. Infelizmente também o papel vilanesco dos políticos financiadores e a religião que demoniza o cinema tem um discurso unificado apenas na comédia, não como uma ameaça que não seja em diálogos caricatos apressados.

Felizmente é certeza que o poder cômico cearense prevalece. Vale citar especialmente o papel do Cego Isaías que é conhecedor especializado na sétima arte da maneira mais irônica possível. Com um roteiro que deve mais coesão no próprio humor e que não deve significação inspirativa do cinema aos moldes spielbergianos, é evidente a maravilhosa diversão do cinema falar sobre cinema no fim das contas.

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  • Duração: 100 min.
  • Direção: Halder Gomes
  • Roteiro: L.G. Bayão, Edmilson Filho e Halder Gomes.
  • Elenco: Edmilson Filho, Ariclenes Barroso, Milhem Cortaz, Chico Diaz, Falcão, Maria Freeland, Roberto Bomtempo, Samantha Schmutz, Rainer Cadete.

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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