outubro 22, 2020

Code 8: Renegados (2020) | Crítica

     Filmes de herói conquistaram uma fatia importante da indústria audiovisual, séries e filmes expandiram seus universos e suas possibilidades, derivando cada vez mais as ideias e atingindo todos os fãs possíveis desse subgênero, desde o mais exigente ao menos exigente. Code 8 chega atirando para os dois lados em um momento muito oportuno, a escassez de filmes devido ao momento atual. Praticamente sem lançamentos, a obra do diretor estreante em longas, Jeff Chan, chegou no momento certo, curiosamente, na mesma situação de um filme recente que ainda está rendendo um bom papo por aí, “O Poço”. Para falar de Code 8 é preciso ir um pouco nos bastidores do filme, assim ele se torna mais merecedor do reconhecimento que busca.

     O projeto começou com um curta idealizado pelos primos e protagonistas Stephen Amell e Robbie Amell, ambos vieram da TV em series consolidadas; Stephen é o astro maior na série “Arrow”, Robbie fez uma participação regular em algumas temporadas na série “The Flash”. O curta apresentava a mesma ideia do filme, funcionou como uma espécie de “venda de argumento” para que o projeto avançasse, uma vaquinha virtual foi feita e a arrecadação ultrapassou o valor almejado, a meta de U$ 200 mil alcançou a cifra dos milhões e isso permitiu um trato melhor na produção. Partindo disso você observa que é um projeto bastante digno dos primos e isso merece respeito, mas o respeito não faz do filme bom ou ruim e a execução da produção poderia ser muito melhor.

     Faltou ao roteirista Chris Pare uma inspiração maior, fica nítido que suas influencias foram mais que isso e assumiram a linha de frente nas linhas. No mundo de Code 8 existem super-humanos que no início contribuem com o desenvolvimento da sociedade, porém com o passar dos anos são vistos como uma ameaça e são tratados como criminosos, inclusive com robôs humanoides que os “caçam” caso eles saiam da linha, perceberam a referência? Isso incomoda porque já vimos diversas vezes nos 13 filmes dos “X-Men” e em tantas series, faltou um pouco de novidade. Existem tipos e classes de poderes, tudo muito genérico também, tudo que é apresentado aqui, já foi revisitado e elimina a atração pelo filme nesse aspecto ou pelo menos grande parte. Um ponto positivo, como o filme se transformará numa série, é a variação de gêneros, a trama transita pela ação policial, sci fi, o drama pessoal do protagonista e segundo os produtores, uma pegada cyberpunk pode surgir, apesar de tudo isso ser apenas pincelado e raso, a ideia é boa, só precisa de mais atenção.

     Familiarizado com o estilo, a dupla protagonista, apesar de Stephen ter menos tempo de tela seu peso aqui é inquestionável, mostra uma boa química, fazendo o máximo possível com as caretas e cacoetes para que seus poderes entrem depois na pós-produção. Robbie é menos experiente e sofre com o protagonismo quando é solicitado no pouco drama, existe uma situação familiar que acaba direcionando seu personagem para o mundo do crime, falar mais que isso é quase um spoiler, pois o texto não oferece grandes camadas de desenvolvimento, posso resumir que alguns super-humanos usam suas habilidades e sua fonte de “poder” para o mundo do crime. Um destaque no elenco é Sung Kang, o Han de “Velozes e Furiosos”, aqui ele é um policial que faz a linha “good cop”, claro, seu parceiro é o “bad cop”, é uma atuação bem ao seu estilo, discreto e sereno. Kang não é um ótimo ator, mas ganhou uma popularidade graças ao seu trabalho no “drift”. O restante do elenco é composto por um “time A” de outras series, alguns muito mal dirigidos.

     Jeff Chan sofreu com o corte do longa, a pressa em terminar o trabalho tirou um pouco do potencial do filme, visto que o orçamento não foi tão baixo quanto se esperava, embora muito distante do padrão para esse tipo de produção. Certamente o diretor soube usar esse “plus” no orçamento, alguns efeitos são bem finalizados, os soldados-robôs também, mas vindo de curtas é desafiador acertar todos os “timings”, de cena, cenário, elenco, é algo que pode ser ajustado nos próximos projetos caso o diretor siga carreira em longas. Code 8: Renegados está disponível na Netflix e se apresenta com uma opção em tempos de quarentena. Certamente irá preencher um vazio no coração dos fãs de filmes de super-heróis que clamam por lançamentos. A série ainda não tem maiores informações, sabe-se apenas que continuará a partir do fim do filme, mostrando as consequências das ações do protagonista e seu “parceiro”. Um ponto positivo para os primos Amell, pelo projeto, espero que a identidade seja mais presente daqui para frente.

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