Como Treinar Seu Dragão 3 (How To Train Your Dragon: The Hidden World, 2019) | Crítica

“Desenvolver a sabedoria de dizer adeus”.

Disse o diretor canadense Dean DeBlois ao “G1” ao descrever a última parte da trilogia ‘Como Treinar Seu Dragão’.
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Depois de quase 10 anos essa trilogia de animação se encerra, talvez não grandiosa como possa ser esperado, mas com um espírito de mitologia digna da maravilhosa imaginação infantil e marinheira que permitem as riquezas das histórias orais.

Como de praxe os dilemas de Soluço e as interações entre os personagens antes de cômicas e dramáticas são verdadeiras. O diretor e roteirista dos três filmes, Dean DeBlois consegue fazer uma animação infantil com peso histórico dentro do próprio mundo, a ideia de tempo, de família e amizade são delatadas sem medo de parecer adulto, principalmente na terceira parte de sua saga que introduz mais complexidade e tramas investidas no desapego. O romance de Banguela é tão silencioso e trabalhado, o diretor Jon Woo ficaria maravilhado com o ballet corpóreo no ar que o Fúria da Noite dança com a Fúria da Luz. Em meio ao ritual de acasalamento Soluço se vê tão ligado ao amigo que invade a privacidade do seu dragão querido que após a segunda aventura se tornou líder do seu bando como Soluço também se tornou após a morte do seu pai. O caminhamento do roteiro eleva Astrid em ajudar ao seu companheiro a entender sua independência e a de Banguela, cada um tinha seu valor individual mesmo que compartilhassem da mesma dor, de perdas físicas que uniram fidedignamente. Os dragões sempre foram seres surpreendentes que ensinaram o povo de Berk ter outra perspectiva de vida, porém nunca foram bichos de estimação, a liberdade deles estava no ar e foi isso que eles tanto revolucionaram no tempo que se achava que a Terra era plana.

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Vale falar mais de Astrid aqui e sua relação com Soluço. O grande movimento de conflito no roteiro são os novos ares de Banguela com sua amada, isso implica numa simples reflexão sobre a própria vida amorosa filho de Stoico que já está com sua namorada há tempos e parece não ter amadurecido em suas decisões depois de um ano sendo líder do seu bando. Sua mãe Valka conhece seu filho o suficiente e como está se parecendo com seu pai, então ela serve também para o crescimento do personagem central que evoluiu com seu público desde 2010 no primeiro filme. Se no segundo houve um estabelecimento de importância de liderança e a importância de conhecer seu passado por completo para isso, nesse terceiro filme é traduzido o poder da decisão com propósito de fé em si mesmo, entendimento do ser humano com seus defeitos e potencialidades, e Astrid é a faísca para tal entendimento de Soluço.

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Sobre o visual da animação e suas complicações de insurgir um vilão, sobra mais acertos no que diz a respeito da humanidade transmitida em uma animação. Roger Deakins é consultor técnico da criação vistosa e amarelada desse longa animado, talvez muito influente no pareralelo instransponível de tão bem conectado é o céu e os personagens que o perfuram. Nessa vivacidade se encontra também as reações verdadeiramente humanas dos personagens na comédia, que pode parecer decaído às vezes, entretanto quando se conhece os personagens até burrices que quebram o fluxo natural de uma história se torna empolgante e inteligente. O vilão que soa ameaçador como caçador é engolido pela invariedade que o diretor Dean acredita muito ser possível no mundo que criou que no mínimo evoca inconsequência de tons.

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Com amizade, família, aprendizados e despedidas funda-se uma das melhores trilogias do cinema, para alguns um equilíbrio permanecido para outros uma queda gradual, todavia como negar a arrebatadora inspiração que se sente ao ouvir Soluço dizer que dentre muitas coisas ninguém teve dragões? A rima visual final não é só impactante e triste, ela é temporalmente evocativa.

  • Duração: 104 min.
  • Direção: Dean DeBlois
  • Roteiro: Dean DeBlois assina o roteiro que adapta os livros de Cressida Cowell.
  • Dubladores: Cate Blanchett, Gerard Butler, Kit Harington, Jonah Hill, Kristen Wiig, Jay Baruchel, America Ferrera,
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8.5

Nota

8.5/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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