dom. mar 29th, 2020

Corações Famintos (Hungry Hearts, 2014) | Crítica

Logo na primeira cena de Corações Famintos somos surpreendidos com uma moça tentando usar o banheiro, porém ela percebe que entrou no banheiro masculino de encontro com um rapaz, o que já era bastante constrangedor, até outra situação inusitada acontecer: A porta de saída se tranca de forma misteriosa, impedindo que os dois saiam daquela situação, e para piorar, o moço estava em outra situação difícil. Nomes não são ditos até a situação se concluir e a partir dali, tudo pode acontecer. Parece muito uma daquelas comédias românticas que os dois protagonistas se encontram em situações inusitadas e nasce um grande amor; e é o que acontece nesse filme, até certo ponto.

Os dois passam a noite juntos e depois de alguns meses de namoro, descobrem que Mina (Alba Rohrwacher) está grávida, o que deixa os dois personagens em estado de transição: é hora de amadurecer. Jude (Adam Driver) se casa com Mina, e até o momento não sabemos muito sobre os personagens, mas é no estado de transição, que os dois se revelam. Muito se deve a atuação de Alba e Adam, que capricharam em seus papéis. Corações Famintos é muito mais sobre o casal, é sobre amadurecimento, é sobre relações e sobre uma disputa de pessoas em como se deve criar melhor o filho. 

Mina se revela uma pessoa perturbada em deixar o filho “limpo” das impurezas da vida – não o leva em médicos, não o alimenta com produtos industrializados, não o deixa sair para não respirar o ar impuro – o que acaba se tornando uma discussão durante o filme: Mina tinha algum tipo de distúrbio? Ela estava certa? Cabia somente a ela a escolha do que era melhor pro filho?

Jude acaba se tornando um pai desesperado perante a situação do filho, o levando a ser bastante explosivo, certas vezes. Nada justifica suas agressões contra a esposa, e é aí que entra toda a falta de comunicação na vida do casal. O filme te deixa inerte em todas as fases de um relacionamento: do início ao fim, sempre te mergulhando na cabeça dos dois personagens, na disputa de quem deveria ou saberia o que era melhor para o filho.

O filme se passa quase todo em um cenário, demonstrando toda a prisão simbólica – as grades na escada – que a mãe detinha o filho e a si mesma – ignorar todas as chamadas de amigos enquanto cuida do filho – o que acaba sendo uma ótima demonstração do casulo que a mãe criou para seu filho. Enquanto o pai tentava conscientizar a esposa que aquile não era o caminho certo.

Mina, claramente era uma personagem perturbada, presava mais pela segurança do seu filho a qualquer custo do que qualquer outra coisa, tal segurança que acaba sendo perigosa – o bebê não poderia nem sair para pegar luz do sol pela manhã – o que levou a toda a sua conclusão problemática.

Conclusão que eu achei bem preguiçosa, por parte dos roteiristas – que pareceu mais algo tirado do nada no meio da reunião para relacionar com o sonho constante de Mina – mas não estraga o filme.

Corações Famintos tem toda essa questão de pais de primeira viagem, que precisam se entender para o bem-estar do filho, trazendo ótimas atuações, e uma história intrigante e até mesmo imersivo, para quem passou por isso.

  • Duração: 115min.
  • Direção: Saverio Costanzo
  • Roteiro: Saverio Costanzo, Marco Franzoso
  • Elenco Principal: Adam Driver, Alba Rohrwacher, Roberta Maxwell

Corações Famintos (Hungry Hearts, 2014)

8

Nota

8.0/10
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