Corações Famintos (Hungry Hearts, 2014) | Crítica

Logo na primeira cena de Corações Famintos somos surpreendidos com uma moça tentando usar o banheiro, porém ela percebe que entrou no banheiro masculino de encontro com um rapaz, o que já era bastante constrangedor, até outra situação inusitada acontecer: A porta de saída se tranca de forma misteriosa, impedindo que os dois saiam daquela situação, e para piorar, o moço estava em outra situação difícil. Nomes não são ditos até a situação se concluir e a partir dali, tudo pode acontecer. Parece muito uma daquelas comédias românticas que os dois protagonistas se encontram em situações inusitadas e nasce um grande amor; e é o que acontece nesse filme, até certo ponto.

Os dois passam a noite juntos e depois de alguns meses de namoro, descobrem que Mina (Alba Rohrwacher) está grávida, o que deixa os dois personagens em estado de transição: é hora de amadurecer. Jude (Adam Driver) se casa com Mina, e até o momento não sabemos muito sobre os personagens, mas é no estado de transição, que os dois se revelam. Muito se deve a atuação de Alba e Adam, que capricharam em seus papéis. Corações Famintos é muito mais sobre o casal, é sobre amadurecimento, é sobre relações e sobre uma disputa de pessoas em como se deve criar melhor o filho. 

Mina se revela uma pessoa perturbada em deixar o filho “limpo” das impurezas da vida – não o leva em médicos, não o alimenta com produtos industrializados, não o deixa sair para não respirar o ar impuro – o que acaba se tornando uma discussão durante o filme: Mina tinha algum tipo de distúrbio? Ela estava certa? Cabia somente a ela a escolha do que era melhor pro filho?

Jude acaba se tornando um pai desesperado perante a situação do filho, o levando a ser bastante explosivo, certas vezes. Nada justifica suas agressões contra a esposa, e é aí que entra toda a falta de comunicação na vida do casal. O filme te deixa inerte em todas as fases de um relacionamento: do início ao fim, sempre te mergulhando na cabeça dos dois personagens, na disputa de quem deveria ou saberia o que era melhor para o filho.

O filme se passa quase todo em um cenário, demonstrando toda a prisão simbólica – as grades na escada – que a mãe detinha o filho e a si mesma – ignorar todas as chamadas de amigos enquanto cuida do filho – o que acaba sendo uma ótima demonstração do casulo que a mãe criou para seu filho. Enquanto o pai tentava conscientizar a esposa que aquile não era o caminho certo.

Mina, claramente era uma personagem perturbada, presava mais pela segurança do seu filho a qualquer custo do que qualquer outra coisa, tal segurança que acaba sendo perigosa – o bebê não poderia nem sair para pegar luz do sol pela manhã – o que levou a toda a sua conclusão problemática.

Conclusão que eu achei bem preguiçosa, por parte dos roteiristas – que pareceu mais algo tirado do nada no meio da reunião para relacionar com o sonho constante de Mina – mas não estraga o filme.

Corações Famintos tem toda essa questão de pais de primeira viagem, que precisam se entender para o bem-estar do filho, trazendo ótimas atuações, e uma história intrigante e até mesmo imersivo, para quem passou por isso.

  • Duração: 115min.
  • Direção: Saverio Costanzo
  • Roteiro: Saverio Costanzo, Marco Franzoso
  • Elenco Principal: Adam Driver, Alba Rohrwacher, Roberta Maxwell

Corações Famintos (Hungry Hearts, 2014)

8

Nota

8.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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