Corra! (Get Out, 2017) | Crítica

Humoristas podem nos surpreender, e muito. Jordan Peele, membro do programa de comédia Key and Peele, conhecido apenas por fazer as pessoas rirem, nunca imaginaríamos ele dirigindo um terror bastante subversivo e reflexivo. Pois é, ele fez.

Chris, um jovem fotografo, vai pela primeira vez conhecer seu maior medo, conhecer os pais de sua namorada, de primeira, tudo aparece amigável, até… Vocês precisaram assistir. É um filme em que a curiosidade irá te incomodar a ponto de você já estar mais perto da tela e falando com os personagens como se estivesse assistindo à partida de futebol do seu time.

Aqui, Jordan Peele se mostra ser bastante simples e muito eficiente, sendo o “simples” a palavra-chave aqui, são pequenas pistas, seja através da fotografia, do roteiro, da montagem e das atuações, que vão mostrando o quanto Corra! é relevante, intrigante e fascinante. O diretor começa um plano sequência bem ensaiado e muito bem coreografado, até ousa com a troca de eixo que, ao entender a premissa toda do filme, faz sua cabeça explodir pela sutileza da mensagem e a força dela. Isso você não vê em um filme de terror.

Com uma pegada bastante subversiva e muito eficiente, Peele consegue fazer o filme sair do óbvio. Nada de carpiras que votam no Trump, aqui temos pessoas que votaram no Obama, e isso faz muito sentido para a narrativa, além de nos fazer ficar na pele do personagem do Daniel Kaluuya, o mesmo de Black Mirror, aqui ele é o olhar do público, quando ele desconfia, nos desconfiamos, o filme sempre está nele, e o que ele faz com os olhos aqui é de aplaudir, muitos acharem a indicação de Melhor Ator exagerada, eu discordo, poucos atores consegue fazer com que seu personagem seja o olho do público e mostrar o quanto ele está preso.

Outra virtude do filme é seu elenco bem escalado: Allison Williams, Bradley Whitford, Caleb Landry Jones, Keith Stanfield, Betty Gabriel e Marcus Handerson estão perfeitos em seus personagens, cada um tem seu momento, destaque fica para Catherine Keener, com uma personagem que tem o olhar mais calmo e maníaco que vi no cinema, muito sereno e intimidador ao mesmo tempo. Betty Gabriel também merece destaque com uma cena de manipulação que chegou a fazer eu roer todas as minhas unhas do meu corpo e fazer minha cadeira molhar de suor. Outro destaque é o Lil Rel Howery, que traz a leveza necessária para que a narrativa não chega a ser um incomodo para quem assiste e até tem uma cena muito engraçada, um dos pontos fortes do filme.

No ato final, o filme tinha diversos lugares para aonde ele poderia ir, isso pode ter levado discussões ao decorrer do ano, mas acredito que o ele foi no lugar certo, demostra um trabalho de paciência e muita expectativa, é ótimo ver a escatologia na sua melhor forma e gloriosa.

Corra! é de muita importância aos dias de hoje, mesmo com um gênero que é visto com maus olhos pelas pessoas da indústria, é um filme que tem muitas camadas e segredos que você precisara assistir duas vezes para entender a compreender a real genialidade, mostrando que o horror não morreu e tem muito mais a fazer pelo cinema, até te fazer sair da sala coçando a cabeça sobre tudo que você sabe sobre as pessoas.

Corra! (Get Out, 2017) | Crítica

  • Duração: 104 min.
  • Direção: Jordan Peele
  • Roteiro: Jordan Peele
  • Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, Bradley Whitford, Caleb Landry Jones, Lil Rel Howery, Betty Gabriel, Lakeith Stanfield e Marcus Henderson.

Corra! (Get Out, 2017) | Crítica

10

Nota

10.0/10

Vinicius Chaves

Sou Vinicius, tenho 20 anos e moro em São Paulo desde o meu nascimento. Sou formado em Audiovisual e estou nessa estrada longa e maravilhosa há 7 anos. Dou muito valor para amizades e principalmente minha família e me dedico meu tempo à ver muito filmes e projetar meu futuro como cineasta.

%d blogueiros gostam disto: