De Pernas Pro Ar 3 (2019) | Crítica

Terceiro filme da franquia chega aos cinemas para consolidar a protagonista e fortalecer, como também dialogar, a independência feminina, os paradigmas sociais e familiares. O filme é dirigido pela Julia Rezende, que ocupa a vaga deixada por Roberto Santucci, e afirma a competência da diretora, sempre buscando se reinventar dentro dos temas extremamente abordados.

     Dando continuidade aos fatos do seu antecessor, aqui temos a protagonista gozando do seu sucesso, a Sexy Delicia se tornou uma marca mundial e Alice agora é uma mulher internacionalmente conhecida e é exatamente aqui começam os pontos em destaque do filme. Quem vem primeiro, trabalho ou família? Como conciliar? Trabalhar para conquistar tudo e oferecer o melhor, mesmo ausente, realmente é o mais importante? Essas perguntas surgem ao longo do filme e por mais que a comédia seja o porta-voz da trama, elas estão lá. A mudança na cadeira de diretor foi extremamente importante para o resultado final, filmes brasileiros são mais rentáveis e aceitos pelo grande público quando seguem a fórmula da comédia escrachada e de fácil identificação, porém isso vem mudando e as reflexões e questionamentos se fazem cada vez mais presentes.

     Com total controle do objetivo, o roteiro, que também é assinado por Ingrid Guimarães, segue fluido na sua ideia, mesmo sendo formulaico em vários momentos. Uma das coisas que mais prende o público nesse tipo de filme é a identificação e sem dúvidas, Alice é a personificação disso. Ingrid Guimarães, com seu carisma espetacular, consegue se reinventar dentro do universo, se não inventado, protagonizado por ela. É nítida a aceitação do público, o trabalho, o romance, o amadurecimento, a família e a “vontade” de ter uma vida como a de Alice, viajando, conhecendo o mundo, Paris, Nova Iorque e outras cidades, isso fascina o expectador. Por outro lado, o “preço” disso é contrabalanceado para que nada seja gratuito, ou tão gratuito e volto a dizer, esse tipo de reflexão, que sempre existiram nos nossos filmes, agora estão mais visíveis, isso torna a experiência mais rica para o publico que vai ao cinema e mesmo que ainda não seja captado por 100% da audiência, o caminho está traçado.

    João, interpretado por Bruno Garcia, recebe um destaque maior nesse filme e é nele que se concentra os principais contrapontos apresentados no filme, não na figura do homem, mas na conjuntura de casal, as perguntas que são feitas no início do filme, são balanceadas no decorrer da trama, muito sob a ótica do personagem de Bruno. O filme tem várias ideias de clímax, o casamento da protagonista, seu relacionamento com os filhos, uma ideia de disputa profissional quando uma jovem invade o “mundo” profissional da protagonista, aliás, aqui temos uma das melhores mensagens do filme, “ninguém envelhece, quem envelhece são os conceitos, as ideias”, isso é importante que se diga nos dias atuais. Em um determinado momento da trama, Alice e João tem uma conversa sobre sua relação e nesse mesmo momento, o filho de Alice e sua namorada também tem essa mesma conversa, a câmera transita entre os dois debates, um relacionamento no início, outro desgastado pelo tempo e escolhas, um tentando engrenar e o outro buscando mais ar quando parece prestes a se afogar, isso é o dedo do diretor, ou melhor, da diretora.

Por fim, fica a mensagem de que os nossos filmes precisam ser mais valorizados, que estes podem sim ser mais completos e apesar de parecer mais uma comédia, as camadas mostram que isso está mudando e com mais qualidade. Essa parceria entre a Júlia e a Ingrid me pareceu bem encaixada, o que deixa a curiosidade de vê-las em outras aventuras, talvez em outros estilos quem sabe. De Pernas Pro Ar 3, mais um sucesso do nosso cinema. Vá ver.

  • De Pernas pro Ar 3
  • Duração: 108 min.
  • Diretor: Julia Rezende
  • Roteiro: Marcelo Saback
  • Elenco: Ingrid Guimarães, Maria Paula, Bruno Garcia
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