Demolidor – 3° Temporada (2018) | Crítica

Se nas primeiras temporadas de Demolidor nós acompanhávamos os dilemas de Matt Murdock fazendo justiça com as próprias mãos, tentando balancear sua vida como advogado e sua relação com religião, em sua terceira temporada vemos o herói questionar tudo ao seu redor, e desacreditar em tudo que construiu com o manto do Demônio de Hell’s kitchen.

Após os eventos de Defensores e sobreviver a queda de um prédio – algo que não aceitei tão bem a justificativa – Matt se vê perdido, e principalmente machucado, fisicamente e mentalmente. O primeiro episódio mostra muito bem o que sustentaria o restante da temporada, nosso herói está quebrado e parece ter separado de vez Matt Murdock do Demolidor, algo que vinha sendo construído em determinados momentos no passado e a grande questão era até que ponto ele se sustentaria. As ilusões com o Rei do Crime e com o pai transmitem muito bem o desequilíbrio que o herói vinha passando, os diálogos ali são muito bem colocados, sempre exaltando o fato de Matt estar indefeso, começando pelo visual, abandonando o uniforme que ficou conhecido, ele volta a usar a sua primeira versão, como forma de se desprender do ideal que criou no final da primeira temporada, ideologicamente, quem morreu não foi o Demolidor, mas sim Matt Murdock. O advogado que acreditava no sistema e na justiça, da lugar ao Demônio como uma solução mais eficaz para seu principal problema.

Em sua temporada mais sombria, o Demolidor veria sua fé desmoronar, questionando o real motivo do herói existir e se sua função era mesmo necessária. O que mais impedia Matt de ser um Justiceiro era justamente a sua fé, algo que estava distante do personagem nesse primeiro momento. Sua aproximação com morte era visível, não só sentimos todos os socos e chutes dados e recebidos, mas como o cansaço, o esgotamento de acreditar ter um propósito enviado por Deus, como ele mesmo deixa claro em diversos momentos.

Para confronta-lo, com a ausência de Foggy, tivemos a adição de uma das melhores personagens da série, a freira Maggie, que teria uma função importante na volta do herói para o seu manto e nos questionamentos que o mesmo traria à tona, com diálogos excelentes e um carisma que conquista todos em seus primeiros minutos em cena.

Ao longo dos 13 episódios, a série se sustenta entre a relação dos personagens e o confronto contra os vilões, em um ritmo aceitável, mas que ainda poderia ter tido muito material cortado, a insistência em ter 13 episódios já é uma marque nas séries da parceria Marvel/Netflix, algo que já se provou maçante nas séries dos outros personagens.

Vemos Matt andar pelas sombras no início, decidido em se desvencilhar dos sentimentos e dos amigos para focar no seu objetivo final: Wilson Fisk. Em termos de ação, a Netflix entrega mais um ano excelente, a famosa “cena do corredor” – dessa vez dentro de uma prisão – é longa e bem executada, alternando em cenas de luta e escapismo, algo de brilhar os olhos e hipnotizar a audiência. Outro grande ponto desse ano, foi a adição de um dos vilões mais clássicos do herói, mal adaptado no cinema, a preocupação era o nível das cenas de ação que viriam com o personagem. A resposta foi dada em lutas incríveis, fazendo justiça a habilidade sobre-humana do vilão.

Se por um lado Matt Murdock está perdendo a fé em si mesmo, por outro, Wilson Fisk continua implacável, mostrando ser um grande mestre da manipulação e estratégia, manipulando todos ao seu redor para se tornar de fato o Rei do Crime que conhecemos, até certo ponto. Vincent D’Onofrio entrega uma grande atuação e junto com Charlie Cox, estão mais conscientes do que seus personagens representam e com certeza merecem premiações ano que vem.

Um dos grandes fatores do Mercenário funcionar na séries, é justamente a paciência que é contada sua história, acompanhamos desde sua infância o quanto o personagem já tinha desiquilíbrios, faltando apenas um empurrão para se entregar de vez a loucura, suas primeiras cenas com o uniforme do Demolidor são geniais, desencadeando em uma das melhores lutas da temporada.

Esse foi o ano para entregar a temporada que muitos esperavam, e valem muito do seu tempo proposto em tela, porém a série ainda insiste em recontar histórias que já foram contadas, e desnecessárias para o andamento da trama, subindo a questão da necessidade dos 13 episódios, e de enfatizar personagens como Karen Page, que ganha muito mais espaço em tela, muitas vezes com coisas que não precisavam estar ali, por outro lado, Foggy Nelson que tinha os melhores embates de ideologia com Matt, foi deixado de lado, o que faz sentido levando em conta sua via atual. Diferente de um grande personagem dessa temporada, o agente do FBI Nadeem, que tem um plano de fundo funcional e útil para o andamento da trama e os planos de Fisk, que se sustenta até o fim da série.

Demolidor continua surpreendendo em seus quesitos técnicos e narrativos, entregando um grande arco em tela, adaptando boa parte de uma das melhores sagas do herói nas HQ’s; A Queda de Murdock, todos os conflitos de Matt Murdock estão lá, realmente o herói está lutando para renascer das cinzas, mesmo antes de sarar seus ferimentos. O que vemos em tela é uma grande obra e sem dúvida Demolidor se consolida como uma das grandes séries da atualidade, merecendo o seu título de Cavaleiro das Trevas da Marvel. Comparações a parte, os méritos vão para todos os envolvidos e corajosos que lutaram para por isso em tela.

Um muito obrigado de um grande fã!

Demolidor - 3° Temporada (2018) | Crítica

8

Nota

8.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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