agosto 5, 2020

Doctor Who: Twice Upon A Time (2017) | Crítica

Quando Peter Capaldi apareceu pela primeira vez, como a 12° regeneração do Doutor, muito se duvidou de que ele era capaz de superar ou igualar o que David Tennant e Matt Smith fizeram nas regenerações anteriores, muito por ser um Doutor mais velho e até mais ranzinza, sendo assim, Capaldi tinha uma grande missão pela frente: Se tornar um grande Doutor. Twice Upon A Time prova que Capaldi não só evoluiu, mas teve um grande momento e se tornou inesquecível.

O 12° Doutor.

A 12° regeneração do Doutor era mais velha, ranzinza e até mesmo duvidosa em suas ações. Ele chegou confuso sobre quem era e o que deveria fazer até seu momento de revelação de onde viera a “escolha” do seu novo rosto e um emocionante telefonema do 11° para Clara antes de regenerar. Esse foi o começo do 12°, apesar da 8° temporada ter tido momentos ruins e um finale muito fraco em comparação com os anteriores, mas na temporada seguinte que Capaldi mostraria a que veio.

Com uma ótima 9° Temporada, novos ótimos personagens foram introduzidos, grandes episódios duplos e um misto de personalidade e carisma, uma brilhante temporada principalmente para Capaldi, que conseguiu se redimir da temporada anterior. Com grandes episódios, uma ótima resolução e uma despedida extremamente emocional de Clara Oswald que doeu em todos nós, finalmente conhecíamos o grande 12° Doutor.

Sua 10° Temporada não foi diferente, com ótimas aventuras e um finale maravilhoso, vemos sua nova companion evoluir com o nosso Doutor, e o mesmo se recusar a ter uma nova regeneração; a mudança, o medo, a despedida assolava o nosso Doutor mais uma vez, e o gancho para o especial de natal não poderia ser melhor: O encontro com o primeiro Doutor, vivido magicamente por David Bradley, era algo que deixaria qualquer Whovian empolgado.

{CONTÉM ALGUNS SPOILERS}

Twice Upon A Time

Twice Upon A Time marca a grande despedida tanto de Peter Capaldi quanto do Showrunner Steven Moffat, que comanda a série desde sua 5° temporada, além de Pearl Mackie, uma grande adição, que também se despede. Na trama, acompanhamos o 1° e o 12° Doutores, recusando suas regenerações e causando uma espécie de anomalia no tempo, levando um capitão da Primeira Guerra Mundial para o polo sul, onde os dois estão encalhados.

Não se trata de uma aventura complexa ou bem trabalha, levando o Doutor para lugares distantes no universo, mas na sua essência, é uma aventura bastante emocional e não deixa de ser tão marcante quanto as outras. Last Christmas, The Husbands of River Song – outro maravilhoso especial, com uma grande despedida – e The Return of Doctor Mysterio foram os especiais de natal que Capaldi participou anteriormente, nos levando a aventuras mais trabalhas na ação, contra grandes ameaças em outros planetas ou apenas no nosso, como foi no natal de 2016.

O especial desse ano nos trouxe uma aventura contida, retomando alguns acontecimentos de temporadas anteriores, com poucas locações e uma belíssima conclusão. Vemos dois doutores com medo do que o futuro reserva, se recusando a mudar e tentando evitar isso o máximo possível, sem precisar de um grande vilão para alcançar algum tipo de revelação. Não temos um vilão, ou um grande plano, mas sim lembranças do que aconteceu até o momento. Seja visitando um Dalek do “bem” que o 12° ajudou a criar na sua primeira temporada até um evento importante na história, quando soldados inimigos fizeram a Trégua de Natal, onde soldados alemães, ingleses e franceses decidiram parar a guerra para comemorar o natal.

A despedida do 12° Doutor não poderia ser mais bonita, do homem ranzinza que não suportava abraços ao experiente e carismático Doutor que se despede com um grande abraço em seus dois companheiros de temporada, com direito a uma última aparição de Clara, em um belíssimo e emocionante “Feliz Natal, Doutor”, recuperando suas memórias de sua grande companheira. O monólogo final, não fica atrás de nenhuma despedida anterior, deixando várias lições para o futuro.

E o futuro…

Com o anúncio de Jodie Whittaker como a nova doutora, tivemos um relance da sua personalidade com ela falando um ótimo “brilhante” quando percebe que agora é mulher, seguido de uma pequena trilha sonora de vozes femininas, lindo! Os desafios para o próximo ano serão enormes, principalmente se tratando de aceitação, com algumas reações raivosas na internet, a estranheza da TARDIS como se “expulsasse” a nova doutora, serve como uma grande – e ótima – sátira com a internet. A missão fica para  Chris Chibnall comandar os próximos anos e eu desejo muita sorte e paciência… Doctor Who, além de ser um grande entretenimento, é uma lição sobre aceitação e diversidade, coisa que muitos fãs dele ainda não aprenderam.

Twice Upon A Time (2017)

10

Nota

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