Dunkirk (Idem, 2017) | Crítica

Na filmografia de Christopher Nolan, o tempo tem se mostrado onipresente. Seus personagens vivem pressionados por ele ou sob sua influência. Ele já contou uma história de trás pra frente em “Amnésia” (2000), adentrou várias camadas do sonho em “A Origem” (2010) e foi até o espaço para salvar a humanidade em “Interstelar” (2014). E pra não dizer que não falei de super-heróis, é dele a fantástica trilogia do Batman, “O Cavaleiro das Trevas” (2005 – 2012).

Com oito indicações ao Oscar 2018, incluindo melhor Filme, “Dunkirk” apresenta um episódio real ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. Conhecida nos livros de história como a Evacuação de Dunkirk (ou Dunquerque, em português), a Operação Dínamo tinha como objetivo resgatar soldados aliados do Império Britânico, da Bélgica e da França, cercados pelo exército de Hitler, da pequena cidade portuária no norte francês.

Com a precisão de um relógio, a história apresenta três momentos distintos e em diferentes períodos de tempo. Assim, acompanhamos o jovem soldado Tommy (Fionn Whitehead) que vive a tensão de sair da praia; o civil britânico Dawson (Mark Rylance) que atendendo ao chamado do governo pega seu barco para ajudar no resgate do exército; e o piloto aéreo Farrier (Tom Hardy) que dá cobertura a quem está em solo.

Em seus enxutos 106 minutos de duração, cada peça tem sua função e não há espaço para dramalhão. Não é preciso muito para se compadecer com os jovens que querem voltar para casa e lutam para sobreviver, se sentir compassivo com os que querem ajudar ou torcer por aqueles que estão fazendo o serviço que lhes cabe. A decisão de escalar atores desconhecidos partiu do fato dos soldados retratados serem jovens e inexperientes.

Se em “filme” que está ganhando não se mexe, Christopher Nolan mantém algumas parcerias de sucesso, na frente e atrás das câmeras. Ele e o diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema dimensionam a situação por terra, água e ar. Jamais a grandiosidade da produção se sobrepõe à narrativa. O clima de tensão e urgência é potencializado pela trilha sonora de Hans Zimmer. Em um trabalho minucioso, a edição de Lee Smith é primordial para que tudo faça sentido.

Como uma experiência cinematográfica de altíssimo nível, “Dunkirk” é um filme de arte que conta com todos os recursos de um blockbuster. O melhor dos dois mundos que Nolan sabe aproveitar com maestria e que a Academia reconhece lhe dando sua primeira nomeação como melhor Diretor. Não será desta vez que vai ganhar, mas esse dia logo chegará. As demais categorias que o longa concorre no Oscar são: Edição, Trilha Sonora, Fotografia, Edição e Mixagem de Som e Design de Produção.

Filmado em 70 mm, com a digitalização das salas de cinema, poucos tiveram o privilégio de assistir “Dunkirk” em tal formato. Com um orçamento de 100 milhões de dólares, sua arrecadação nas bilheterias mundiais foi de 525 milhões. Lançado no Brasil no dia 27 de julho, ele já pode ser visto em casa. No entanto, se ainda tiver a chance de conferi-lo em uma tela de cinema, não hesite.

  • Duração: 106 min.
  • Direção: Christopher Nolan
  • Roteiro: Christopher Nolan
  • Elenco: Fionn Whitehead, Tom Hardy, Cillian Murphy, Harry Styles, Mark Rylance, Kenneth Branagh

 

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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