Estrada Sem Lei (2019) | Crítica

Ultimamente a netflix parece mais preocupada com os tipos de produções que lança em seu catálogo, buscando mais qualidade sem ter medo de investir em produções mais arriscadas, como o caso de Love, Death and Robots. Estrada Sem Lei, lançado no dia 29 de março, marca mais uma estreia com qualidade no streaming, em uma belíssima ambientação nos anos 30.

Na trama, acompanhamos a caçada dos antigos Texas Rangers que são reativados para rastrear e prender os criminosos Bonnie e Clyde. Frank Hamer(Kevin Costner) e Maney Gault (Woody Harrelson) estão mais velhos, cansados, mas não menos destemidos, e precisam voltar à ativa da melhor forma possível se quiserem alcançar os jovens criminosos. O filme não foca no embate do velho versus o novo, mas evidencia algumas relações quanto a isso, mostrando que os Rangers são mais do que aparentam, principalmente quando encontram agentes do FBI que os subestimam. Para eles a jurisdição se chama justiça e ela pode estar em qualquer lugar.

Somos transportados para os anos 30 em uma bela produção, a direção evidencia os ambientes com planos mais abertos e acerta ao nos aproximar dos protagonistas na sua viagem, nos seus momentos mais íntimos seja revisitando o passado, ou apenas apreciando o silêncio. Para conhecermos o passado, cabe a Maney narrar histórias que nos fazem entender mais sobre a personalidade de Frank, e do porque ele aceitaria esse tipo de trabalho em plena aposentadoria. Estamos diante de personagens que precisam estar ativos, precisam de um fator que os deixem relevantes para o mundo, mesmo que seja difícil acertar uma garrafa depois de anos, enfrentar o ócio que os deixou enferrujados, mas não menos destemidos.

É interessante ver como o filme representa Bonnie e Clyde diferente de qualquer outra obra, passamos maior parte do tempo como observadores distantes, os dois aparecem apenas como sombras, na penumbra, suas silhuetas exaltam um casal que vai no banco da frente como qualquer outro. Adorados por uma população gigantesca, o filme não poupa em demonstrar todos os lados, seja dos cidadãos e do porque eles eram tão admirados na época mesmo assassinando a sangue frio. Estamos diante de seres quase sobrenaturais, inatingíveis, então como se descontrói esse tipo de mito? O filme mostra as ações, aproveitando a classificação indicativa, evidenciando a maldade do casal. Aí sim, depois de muito tempo, finalmente vemos seus rostos perante a mortalidade, uma escolha interessantíssima da direção.

Ficamos com a impressão de que Estrada sem lei poderia ser resolvido com menos tempo de tela, sem muitos encontros crescentes dos personagens antes do clímax no final. Porém, temos um filme que busca elementos do passado para contar uma história importante, e interessante, com escolhas de direção que valem o tempo investido e um roteiro afiado, quando se trata de encarar escolhas do passado e apresentar personagens marcados pela violência.

  • Estrada Sem Lei ( The Highwaymen)
  • Duração: 133 min.
  • Direção: John Lee Hancock
  • Roteiro: John Fusco
  • Elenco: Kevin Costner, Woody Harrelson, Kathy Bates, John Carroll Lynch, Thomas Mann, Dean Denton, Kim Dickens, William Sadler, W. Earl Brown, David Furr, Jason Davis, Josh Caras, David Born, Brian F. Durkin, Kaley Wheless, Alex Elder, Emily Brobst, Edward Bossert

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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