Estranhos Prazeres (Strange Days, 1995) | Crítica

Kathryn Bigelow é conhecida por ser a primeira e última mulher a ganhar um Oscar de melhor direção, então começamos esse grande especial, falando sobre um de seus filmes menos conhecidos e que deveria ter mais atenção do público.

Em Estranhos prazeres, o FBI desenvolveu uma nova tecnologia que permite reviver lembranças gravadas por um tipo de aparelho sensorial, permitindo a pessoa reviver até mesmo as sensações ou sentimentos, seja raiva, medo, prazer… Obviamente, a tecnologia é atrativa o suficiente para cair no mercado negro, atendendo os desejos mais sedentos. No meio disso, um ex-policial se torna um grande vendedor de lembranças, passando a noite por boates atendendo seus clientes.

A direção de Kathryn é precisa, todas as cenas que mostram as lembranças em primeira pessoa são bem elaboradas, sem deixar o público incomodado ou enjoado, acompanhando seu usuário de perto, captando o que ele está sentindo, é como o efeito de uma droga, que com seu uso constante, torna o usuário viciado.

O filme tem escolhas interessantes, abordando três tramas de uma vez, tentando interliga-las no final. É algo corajoso, mas deixa o filme mais longo, um dos seus pontos fracos. Temos uma trama entre a policia e o exército se põem na frente como um grande poder totalitário, contra a população local, enquanto a economia do mundo está arruinada, por isso que o fim do ano, se tornaria o fim do mundo. Um assassinato de um grande líder da população, que foi gravado por uma, – vou chama-los de Caçadores de Lembranças, por falta de um nome, mas eles basicamente são pessoas que gravam situações de prazer, risco, etc, para vender aos vendedores de lembranças – e outro assassino, deixando um rastro de sangue no caminho de Lenny.

A opção de James Cameron, de envolver a história em três pontos é complicada, acaba uma tirando o foco das outras e deixando o espectador perdido as vezes, o seu trunfo é saber explorar bem os sentimentos de perdição que a experiência com o equipamento trás – as cenas em que Lenny precisa ver o que aconteceu com sua amiga é perturbadora, nós sentimos toda aflição e agonia, justamente por ele estar sentindo exatamente o que o assassino sentiu – e a consequência disso. Porém, tentar envolver a história em três pontos diferentes que se encontram, é como uma crítica ao vício e o mundo das drogas, ou como a polícia age perante uma população mais pobre, afinal, o ano era 1995.

Meu grande problema com o filme, foi o seu final, o primeiro plot twist em que descobrimos quem é o assassino é interessante, um pouco previsível, se você tentar adivinhar no meio do filme, trazendo um sentimento de como nunca olhamos direito ao nosso redor. O problema mesmo foi o segundo plot twist, que deixa todos perdidos, tira o peso da revelação, e se torna algo bem desnecessário para o filme.

Estranhos Prazeres é um grande filme, que peca no seu final, mas consegue transmitir uma mensagem de como muitas pessoas acham a grama do vizinho mais verde, enquanto não aproveitam a sua própria vida.

Estranhos Prazeres (Strange Days, 1995) | Crítica

  • Duração: 145 min.
  • Direção: Kathryn Bigelow
  • Roteiro: James Cameron
  • Elenco: Ralph Fiennes, Angela Basset, Juliette Lewis,Tom Sizemore, Vincent D’Onofrio, James Cameron, Kathryn Bigelow

Estranhos Prazeres (Strange Days, 1995) | Crítica

8

Nota

8.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

%d blogueiros gostam disto: