qua. fev 19th, 2020

Estranhos Prazeres (Strange Days, 1995) | Crítica

Kathryn Bigelow é conhecida por ser a primeira e última mulher a ganhar um Oscar de melhor direção, então começamos esse grande especial, falando sobre um de seus filmes menos conhecidos e que deveria ter mais atenção do público.

Em Estranhos prazeres, o FBI desenvolveu uma nova tecnologia que permite reviver lembranças gravadas por um tipo de aparelho sensorial, permitindo a pessoa reviver até mesmo as sensações ou sentimentos, seja raiva, medo, prazer… Obviamente, a tecnologia é atrativa o suficiente para cair no mercado negro, atendendo os desejos mais sedentos. No meio disso, um ex-policial se torna um grande vendedor de lembranças, passando a noite por boates atendendo seus clientes.

A direção de Kathryn é precisa, todas as cenas que mostram as lembranças em primeira pessoa são bem elaboradas, sem deixar o público incomodado ou enjoado, acompanhando seu usuário de perto, captando o que ele está sentindo, é como o efeito de uma droga, que com seu uso constante, torna o usuário viciado.

O filme tem escolhas interessantes, abordando três tramas de uma vez, tentando interliga-las no final. É algo corajoso, mas deixa o filme mais longo, um dos seus pontos fracos. Temos uma trama entre a policia e o exército se põem na frente como um grande poder totalitário, contra a população local, enquanto a economia do mundo está arruinada, por isso que o fim do ano, se tornaria o fim do mundo. Um assassinato de um grande líder da população, que foi gravado por uma, – vou chama-los de Caçadores de Lembranças, por falta de um nome, mas eles basicamente são pessoas que gravam situações de prazer, risco, etc, para vender aos vendedores de lembranças – e outro assassino, deixando um rastro de sangue no caminho de Lenny.

A opção de James Cameron, de envolver a história em três pontos é complicada, acaba uma tirando o foco das outras e deixando o espectador perdido as vezes, o seu trunfo é saber explorar bem os sentimentos de perdição que a experiência com o equipamento trás – as cenas em que Lenny precisa ver o que aconteceu com sua amiga é perturbadora, nós sentimos toda aflição e agonia, justamente por ele estar sentindo exatamente o que o assassino sentiu – e a consequência disso. Porém, tentar envolver a história em três pontos diferentes que se encontram, é como uma crítica ao vício e o mundo das drogas, ou como a polícia age perante uma população mais pobre, afinal, o ano era 1995.

Meu grande problema com o filme, foi o seu final, o primeiro plot twist em que descobrimos quem é o assassino é interessante, um pouco previsível, se você tentar adivinhar no meio do filme, trazendo um sentimento de como nunca olhamos direito ao nosso redor. O problema mesmo foi o segundo plot twist, que deixa todos perdidos, tira o peso da revelação, e se torna algo bem desnecessário para o filme.

Estranhos Prazeres é um grande filme, que peca no seu final, mas consegue transmitir uma mensagem de como muitas pessoas acham a grama do vizinho mais verde, enquanto não aproveitam a sua própria vida.

Estranhos Prazeres (Strange Days, 1995) | Crítica

  • Duração: 145 min.
  • Direção: Kathryn Bigelow
  • Roteiro: James Cameron
  • Elenco: Ralph Fiennes, Angela Basset, Juliette Lewis,Tom Sizemore, Vincent D’Onofrio, James Cameron, Kathryn Bigelow

Estranhos Prazeres (Strange Days, 1995) | Crítica

8

Nota

8.0/10
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