Eu, Tonya (I, Tonya, 2017) | Crítica

Tonya Harding, que já foi considerada uma das maiores patinadoras de seu tempo, conseguiu dividir um pais por uma fazendo dela uma personagem da história do esporte que todo mundo ama odiar. Agora ela ganha aqui sua biografia que foi indicada à três Oscars, nas categorias Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Edição.

O filme foca na trajetória da patinadora, mostrando desde sua relação com sua mãe, que mais se parece uma psicopata nazista, e seu marido temperamental até a sua dedicação ao seu esporte de paixão, porém, chamou a atenção do mundo por uma trapaça envolvendo seu marido e o amigo dele em sabotar uma das concorrentes.
Craig Gillespie, responsável por A Garota Ideal (Lars and the Real Girl, 2007), conduz o filme com energia, muita câmera na mão, entrevistas (dos atores interpretando), quebra da quarta parede, todos esses elementos se encaixam organicamente bem na trama, além de planos que parecem pinturas nas cenas de patinação. É um filme muito bem dirigido e a edição que dita um movimento pulsante e ótimos momentos de câmera lenta, merecida indicação na categoria.

Outra indicação merecida foi a de Margot Robbie, que não se parece nada com a personagem, mas convença perfeitamente com seu carisma, sua postura, seu modo de pensar, até em momentos em que ela interpreta uma adolescente que são muito convincente, a carência da personagem é vinda de tudo que foi privado dela, o fato dela pensar fora da caixa, vem de sua criação e disciplina, além de mostrar uma atitude reprovável ao decorrer do filme, você não a julga diretamente, pelo menos não eu (risos).

Allison Janney faz uma das piores mães do cinema dos últimos tempos, parece até caricatura, e no papel soa como injusto sua indicação, mas ela faz uma personagem real, tudo que ela fala, tem veneno e suas atitudes é completamente reprovável, eu graças a Deus não tenho uma mãe assim e acho que ninguém desse mundo merecia uma mãe assim. Só não digo que ela merece o Oscar porque a Laurie Metcalf fez é muito mais completa, mas se ganhar não reclamaria.

Sebastian Stan está muito bem, você não sabe de onde ele vem mas percebe que é um homem que nunca teve uma oportunidade ou teve algo na vida e isso reflete na sua incapacidade de se relacionar amorosamente com a Tonya, ele é temperamental ou seja, nunca se sabe quando os dois vão brigar novamente por conta de coisas bestas, mas ele vai aos poucos descascando suas motivações, inclusive na relação com sua esposa.

O que faz esse filme não ser um espetáculo é seu roteiro, não que ele é ruim, mas sim caricato, é fácil fechar a cara para algumas vergonhas alheias que acontecem, tem muitas atitudes que você não sabe e até questionam se aquilo vem da realidade, inclusive o personagem do Paul Walter Hauser se comporta como um vilão de cartoon, você pode até falar que ele se baseia em alguém real e que é assim que ele é, porém, o filme poderia aprofundar o personagem e nos dar um motivo para aceitar o personagem que para mim, não desceu e é um com o roteiro, é um dos deslizes do filme.

Eu, Tonya é uma boa biografia, apesar de alguns deslizes, apresenta três ótimas atuações, e uma direção de respeito e edição primorosa e nos apresenta uma história sobre alguém fantástica no que fazia em seu esporte que as pessoas amaram odiar.

Eu, Tonya (I, Tonya, 2017) | Crítica

  • Duração: 119 min.
  • Direção:  Graig Gillespie
  • Roteiro: Steven Rogers
  • Elenco: Margot Roobie, Sebastian Stan, Allison Janney, Julianne Nicholson, Caitilin Carver e Paul Walter Hauser

Eu, Tonya (I, Tonya, 2017) | Crítica

7.5

Nota

7.5/10

Vinicius Chaves

Sou Vinicius, tenho 21 anos e moro em São Paulo desde o meu nascimento. Sou formado em Audiovisual e estou nessa estrada longa e maravilhosa há 7 anos. Dou muito valor para amizades e principalmente minha família e me dedico meu tempo à ver muito filmes e projetar meu futuro como cineasta.

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