Fahrenheit 451 (2018) | Crítica

Em Fahrenheit 451 acompanhamos um futuro distópico onde todos os livros são proibidos e pensamentos próprios são considerados traição, e um crime contra a sociedade. No meio disso tudo está Guy Montag, um dos bombeiros da cidade que agora ao invés de apagarem o fogo, são as causas dele, servindo a sociedade e queimando os últimos livros existentes.

No início do filme, somos apresentados a Guy e Beatty, capitão dos bombeiros. Vemos como a nova sociedade é apresentada, a reeducação é imposta as crianças como uma verdade, condenando a leitura e estabelecendo algumas exceções, que com certeza foram manipuladas para o “bem” comum. Nesta mesma cena vemos uma clara referência a outra distopia: 1984.

Após tudo isso, vemos o novo trabalho dos bombeiros, retaliando um grupo de rebeldes, impedindo um backup de livros na rede, e queimando alguns livros físicos restantes. Existem duas jornadas bem interessantes no filme, primeiro a de Guy Montag, que obedece cegamente ao sistema junto com muitos membros dos novos bombeiros, e não percebe ou questiona o que faz até a entrada de Clarice em cena, que planta o primeiro sentimento da dúvida no personagem.

Segundo, o Capitão Beatty, que demonstra ser um homem centrado no seu objetivo, seguindo rigorosamente o sistema, mas que também vive uma vida de segredos consigo mesmo, escrevendo alguma espécie de livros durante as madrugadas em que fica sozinho. Vários trechos servem como questionamentos ou afirmações, o personagem vive uma vida questionando o que faz, mas ainda assim continua fazendo, é como se ao mesmo tempo que ele tentar se questionar, ele abandona completamente a ideia.

Ao longo do filme, vemos o quanto a história do mundo foi manipulada, após uma segunda guerra civil nos E.U.A e desmistificando tudo o que os rebeldes tentam salvar. É quando Guy começa a ter suas primeiras ações de questionamento, seja guardando uma fita, ou lendo seu primeiro livro físico que não esteja manipulado.

Clarice por outro lado vive uma vida dupla, mas tem sua redenção enquanto tenta ajudar Guy a enxergar a verdade e encarar uma grande missão. Michael B. Jordan tem uma grande atuação aqui, onde percebemos sua diferença enquanto queimava os livros por prazer e depois quando queimava por puro disfarce e com constante agonia. Acompanhado de Michael Shannon na pele do capitão, com outra grande atuação. Em volta da cidade, vemos as imagens reprisadas das caçadas aos rebeldes, e das propagandas que incentivam a sociedade a denunciar qualquer atividade ilegal, mas uma prova da influência do sistema. É uma verdadeira desconstrução do que conhecemos hoje, e de sua nova utilização. Vemos um sistema de vigilância com os próprios agentes dos bombeiros, uma espécie de inteligência artificial que serve como conselheira, instalada na casa de todos eles.

Os rebeldes têm um papel importante no filme, em tentar preservar o que resta mesmo que isso custe sua identidade ou sua vida. O esforço coletivo é visto quando a única saída que resta é as pessoas memorizarem e se tornarem os livros, em uma cena quase poética.

Fahrenheit 451 é uma bela obra distópica, que não perde para outras bem famosas, passando a mensagem certa sobre como o controle da informação e a morte da cultura pode afetar uma sociedade.

Fahrenheit 451 (2018) | Crítica

  • Duração: 100 min.
  • Direção: Ramin Bahrani
  • Roteiro: Ramin Bahrani
  • Elenco: Lilly Singh, Michael B. Jordan, Michael Shannon, Ramin Bahrani, Sofia Boutella

Fahrenheit 451 (2018) | Crítica

9

Nota

9.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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