qua. fev 26th, 2020

Ford VS Ferrari (2019) | Crítica

     Filmes que envolvem carros fisgam no primeiro olhar um público bem especifico, realistas ou não, são produções que despertam o interesse logo de cara. Quem não lembra de “Dias de Trovão” estrelado por Tom Cruise e era inspirado na Nascar ou “Alta Velocidade” estrelado por Sylvester Stallone que por sua vez teve a fórmula indy como inspiração. Sem julgar os méritos de cada filme citado e trazendo apenas o tema, muito se comentou sobre as duas obras, principalmente entre os fãs do automobilismo, era quase um evento assisti-los na sessão da tarde ou cine espetacular. Quando James Mangold foi anunciado como diretor de Ford vs Ferrari a empolgação foi a mesma, o seu trabalho em “Logan” ainda estava quente na mente dos espectadores, se puxar um pouco aparece o ótimo “Johnny e June” de 2005 e lá trás, “Cop Land” de 1997, é um diretor de muito gabarito.

     Além da paixão, existem muitos fatores, muitos sentimentos que “laçam” o público a favor da trama, o maior desafio nesse tipo de filme é fazer com que as pessoas sintam de verdade a emoção das pistas, a emoção de uma corrida, porém FvsF vai além disso, não é um filme de corrida, é um filme sobre automobilismo e tudo que o envolve. Para isso funcionar o trio de roteiristas revisaram inúmeras vezes o texto para no final entregar o que seria a melhor versão e a cada virada de ato, cuidadosamente o desenvolvimento do piloto Ken Miles e do mítico Carroll Shelby se fortalece. A romantização ou as chamadas “facilitações narrativas” fornecem o ingrediente necessário para que a história por trás tome a cara de filme, isso fica obvio em vários momentos, mas não é digno de muita observação, afinal, a proposta é outra.

     Mangold e sua equipe fazem excelentes escolhas, em certos momentos o filme te convida para uma carona, em outro momento a câmera abre e a fotografia traz um bom panorama daquele ambiente. A trilha é bem convidativa e aqui eu abro um parênteses para a edição e mixagem de som, em conjunto com o posicionamento das câmeras, a sensação é que, de fato, você está assistindo a uma corrida, não foi tarefa fácil captar todos os sons internos e externos e montar no filme. Outra coisa que deve ter sido difícil foi “captar” e encontrar o tom dos personagens, FvsF narra uma história que vai além das pistas, é uma trama que traz homens que se alimentavam do ego e do orgulho, o papel do diretor foi importante nessa construção.

     Matt Damon é Carroll Shelby, o lendário piloto e projetista que tinha na alma duas engrenagens. Seu trabalho transmite toda a genialidade que seu personagem pede, é empolgante acompanhar suas decisões, sua determinação e crença na sua capacidade. Christian Bale é Ken Miles, o piloto britânico que é apontado por muitos como o melhor da sua geração. Diferente de Damon, Bale tem mais trabalho devido a variação do seu personagem, Miles era temperamental, explosivo, mas também muito talentoso, esse não é o seu melhor trabalho, estamos mal acostumado, mas para quem não conhece a historia por trás da obra, se contenta bem com o que é apresentado. O restante do elenco principal é algo positivo, poucas vezes vimos papeis tão determinantes no posto de coadjuvante, o destaque fica para Jon Bernthal que tem um personagem que funciona como um verdadeiro catalisador no enredo. Josh Lucas é o irritante gerente do grupo Ford, seu personagem é incrivelmente irritante.

     FvsF é uma produção que entrega 153 minutos de entretenimento de qualidade e apresenta para o espectador uma das maiores histórias do mundo automobilístico, para os fãs é uma oportunidade de “ver” aquilo que tanto se ouviu falar e no final das contas, a amortização no roteiro acaba não pesando ao ponto de diminuir o filme, é aumentar o som e curtir mais uma biografia bem executada.

  • Ford vs Ferrari
  • Duração: 153 minutos
  • Diretor: James Mangold
  • Roteiro: Jez Butterworth, John-Henry Butterworth, Jason Keller
  • Elenco: Matt Damon, Christian Bale, Caitriona Balfe, Jon Bernthal, Tracy Letts, Josh Lucas, Noah Jupe, Remo Girone, Ray McKinnon
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