Game Of Thrones – 8° Temporada (2019) | Crítica

Após um ano de pausa, Game of Thrones volta para seu último ano, a decisão dos produtores de diminuir os episódios desde a temporada anterior ainda se mantinha, dessa vez teríamos apenas seis episódios em sua última temporada, sendo que na sétima tivemos sete. A princípio, demonstrava ser uma estratégia para desenvolver episódios mais longos e com maior produção, porém com roteiros mais objetivos, levando em conta o tempo dos episódios, com situações que ao pensar bem, ficariam arrastadas, como percebemos na sétima temporada, algo que prejudicou a aceitação e o desenvolvimento de certas situações para o público em geral nessa temporada final.

            Com seis episódios, a temporada final chega com o objetivo de fechar a trama dos seus personagens principais desde o início da série: Os Starks. Não tenha dúvidas sobre o protagonismo deles, não à toa são os primeiros a aparecer no primeiro episódio do show. A guerra contra os mortos cada vez mais próxima e iminente, além da batalha pelo trono de ferro protagonizada por Daenerys e Cersei, e outras subtramas para serem fechadas. Sendo assim, GOT já começaria desfalcada para colocar suas cartas na mesa e convencer o público de suas decisões, apesar de tudo isso não justificar, mas exemplificar as decisões que pareceram apressadas no roteiro.

            A série voltou bem interessante com força, com o episódio intitulado Winterfell, onde acompanhamos a chegada de Daenerys ao norte, sendo o episódio inteiro emulando o primeiro episódio da série, num misto de alegria e preocupação com Bran avisando a todos sobre a chegada do Rei da noite. Ali eram estabelecidos os primeiros conflitos dos personagens, Sansa jamais se ajoelharia de novo, representando toda a situação atual do Norte, enquanto a chegada de Daenerys representaria uma ameaça para o povo nortenho, Jon Snow voltaria sua atenção somente a batalha contra os mortos. A série ganha então o ótimo A Knight of the Seven Kingdoms, onde se estabelece a preparação que antecede a grande guerra. Aqui, Sansa e Dany tem um dos diálogos mais interessantes e estabelecem o conflito de vez entre as duas, além de vermos todo os personagens reunidos para a guerra, onde o que importa é aproveitar o momento perante a fogueira, relembrando histórias e canções que compõem os sete reinos. Espadas amoladas, segredos revelados, e canções foram cantadas até o soar das trombetas alertando a chegada dos mortos.

            Até aqui temos dois episódios que estabelecem muito bem a trama da temporada, a revelação da verdadeira identidade de Jon, serviria para trazer um impacto inicial em Dany, muito antes da batalha de Winterfell acontecer, para ser uma das justificativas para os acontecimentos futuros, além de demonstrar que não haveria apenas um conflito para se preocupar na temporada, haveria muita coisa para se revolver antes de alguém sentar no trono.

            A chegada dos mortos trouxe muita expectativa e frustração para o público, The Long Night traria o conflito decisivo entre vivos e mortos, com escolhas interessantes e corajosas por parte dos roteiristas para a resolução do conflito, temos aqui um ambiente claustrofóbico para intensificar o terror da chegada dos zumbis ao reino dos vivos, e assim, a batalha se estendeu entre batalhas isoladas e tramas mais longas, mas que a princípio pareciam desorganizadas, em um episódio muito ambicioso e que poucas vezes vimos na tv, sendo a maior batalha na série. Os melhores momentos foram reservados para Arya Stark, um arco inteiro dentro do episódio até uma grande e satisfatória resolução, deixando de lado profecias antigas, que apesar de repetidas muitas vezes, é muito interessante ver sendo quebradas com a liberdade de interpretação em todas elas.

            Tudo isso acompanhados bela belíssima trilha sonora de Ramin Djawadi intensificando a batalha até o momento do clímax. Temos então a maior batalha já vista em GOT, com componentes técnicos e direção ótima, seja a batalha de dragões pelo céu ou contra os mortos na terra, apesar de em alguns momentos parecerem perdidos em algumas decisões, principalmente estratégicas dentro da guerra, a própria sobrevivência de alguns personagens é questionável. Ainda assim, The Long Night é um ótimo episódio, e empolgante para o que viria a seguir.

            Perdas e revelações rodearam The Last of The Starks, um bom episódio, que demonstrou o potencial de uma série como GOT, porém escorrega em alguns termos, como a ingenuidade de Tyrion sendo maior que sua razão, desde sua temporada anterior vemos o personagem parecer menos inteligente, com decisões arriscadas e demonstrando pouco poder de estratégias contra sua irmã, e principalmente confiando cegamente em sua palavra. Esse quarto episódio foi para demonstrar o verdadeiro jogo dos tronos com Cersei prevalecendo mais uma vez sobre Daenerys, culminando no que veríamos no próximo episódio. Fica  a menção para o excelente poder textual do episódio, com o segredo de Jon sendo espalhado, Varys e Tyrion tem os melhores diálogos do episódio, ainda que Varys prevaleça em todos eles. Vemos mais conflitos internos de Dany contra Sansa, e todo seu luto perante as perdas na guerra contra os mortos e principalmente no final do episódio.

            Se em The Long Night teríamos alguns deslizes quanto as escolhas de roteiro, em The Bells vemos todo potencial de Game Of Thrones em tela, Daenerys surge com Drogon para ter seu direito ao trono reivindicado, mostrando toda força de um dragão adulto, e dominando a batalha até seu grande ponto de virada. A batalha pelo trono de ferro sempre foi o foco da série, grandes diálogos, trocas nos domínios de poder, o trono de ferro sempre foi a cobiça dos mais ambiciosos, e não foi diferente com Daenerys, após dominar maior parte de Essos sem grandes perdas, quando pisou em Westeros pela primeira vez e começa a sentir o gosto da derrota, ela demonstra o sangue Targaryen ferver, impulsionada pelo luto e a depressão, na temporada anterior tivemos a perda de seus aliados, agora, de filhos e amigos, nunca foi tão difícil para chegar ao seu objetivo central, e na guerra dos tronos, nunca tivemos uma melhor jogadora do que Cersei Lannister, que se manteve firme até um pouco antes do seu último momento. Tivemos muitas despedidas nesse episódio, Cersei e Jaime mereciam sim uma despedida melhor, porém foi poético ver os dois juntos, apesar da evolução do personagem, Jaime sempre foi apaixonado por Cersei, e nada mais justo do que morrerem juntos.

            Mas o grande foco foi a decisiva escolha de Daenerys, governar pelo medo parecia a melhor decisão e como não havia mais ninguém para convence-la do contrário, era o único rumo que ela poderia tomar. E é aí que mais uma vez vemos Arya Stark com um grande papel, é através do seu ponto de vista que sentimos todo medo e desespero que um ataque de dragão proporciona, uma excelente direção por parte de Miguel Sapochnik.

           Assim chegaríamos ao The Iron Throne, episódio que deixaria o público ainda mais dividido, e que pecou em não ter escolhas mais corajosas em comparação as do penúltimo episódio. Vemos Daenerys fazendo um de seus já famosos discursos aos Imaculados e Dothrakis inflamados pelo calor da vitória, demonstrando que não era a loucura que havia lhe inflamado, mas um misto de dor e ódio, e os diretores inteligentemente botam a personagem na sua posição elevada e não igualitária, agora de uma ditadora, e com o reforço do roteiro, todo começo do episódio é bonito, até a conversa entre Jon e Tyrion, com o primeiro ainda em negação sobre o ocorrido.  Porém, no que deveria ser o clímax do episódio, temos uma perda de potencial, a partir da morte de Dany, que fica a sensação de ser anticlimática, o episódio parte para decisões duvidosas, e apenas algumas são justificáveis.

Jon e Tryion estarem vivos após conspirarem para matar a rainha, ainda mais Jon que fez o ato e não ser morto imediatamente por Verme Cinzento ou os Dothrakis, fica sem justificativa, algo que daria uma ótima cena de ação e uma morte aceitável para o personagem. No fim, uma reunião decidiria o novo rei de Westeros, Bran Stark jamais seria pensado para o trono, mas todo o diálogo do Tyrion introduz com dignidade a trajetória de Bran até aqui, algo que convenceria os lordes a aceitarem. De primeira, parece ser uma escolha apressada, mas se pensarmos bem, ninguém seria melhor para reinar os novos rumos de Westeros com sabedoria, conhecendo toda a história ao longo do caminho e o que estaria por vir. É preciso analisar bem do porquê essas escolhas foram feitas, ninguém realmente queria o que está assumindo, nem Bran, nem Tyrion, mas eles aceitam pelo bem maior, depois que suas jornadas principais estivessem completas.

Assim, é encerrado o ciclo dos Starks, ninguém imaginaria um final assim, Sansa, Arya, Jon e Bran, apesar de tudo, ainda tiveram finais interessantes, e coerentes com o que foi proposto para esse fim, com ênfase em Arya e Sansa, com seus finais mais bem trabalhados até aqui. Game Of Thrones termina com uma grande divisão em seu público, um final agridoce como prometido, e principalmente com os pontos de virada que a série sempre teve. Torcemos, choramos, rimos e ficamos com raiva, mas acompanhamos até o fim uma das melhores séries que existe, à toda a jornada, um grande obrigado!

Foi como uma canção.

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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