Green Book: O Guia (2018) | Crítica

Com a comédia sendo sua principal característica no mundo do cinema Peter Farrelly, diretor de Debi & Loide (1994), Quem Quer Ficar Com Mary (1998), Eu, Eu Mesmo & Irene (2000), e a continuação: Debi & Loide 2 (2014), chega aqui ao seu desafio de contar uma historia de amizade que, no papel, parece quebrar todos os preconceitos e tabus. O filme vem recebendo polêmica por falta de verossimilhança com os fatos e também envolvendo o diretor no set de outros filme por atitudes obscenas. Apesar disso, o filme realmente agradou os membros da Academia, recebendo cinco indicações ao Oscar, além de ganhar o Producers Guild Awards de Melhor Filme (durantes anos vem sendo um termômetro para a categoria), mas será que é para criar expectativa? Ou podemos ver um episódio parecido com o recente Globo de Ouro e o Oscar de 2011?

O filme que se inspira em fatos reais, passa na década de 60 nos Estados Unidos e segue Tony “Lip”, que após o fechamento do estabelecimento aonde trabalhava, consegue um serviço de motorista do pianista de jazz Don Shirley que viaja para uma turnê, onde acabam desenvolvendo um laço de amizade.

O traço do diretor é presente, que no caso aqui, é a comédia, aqui ele conseguiu um equilíbrio satisfatório em relação aos momentos de humor e os mais dramáticos sem que eles interfiram nos temas que são de um peso enorme no resto da trama, além de consegui uma química forte entre os dois personagem.

O problema pertinente em Green Book é de seu roteiro, que carrega muita preguiça em descrever ações dos personagem e em alguns diálogos, a falta de sutileza, deixa a narrativa enxada e obvia demais, a forma como descreve o personagem do Viggo, que no caso, ele é uma especie de Dick Vigarista, de maneira caricata demais, há ponto de transformar certas cenas que poderiam ter muita profundidade, em algo bem cartunesco, faltou essas partes estar em uma estética de desenho animado.

Além de, em muitos momentos, inclusive os mais fortes, em termos do tema abordado, parece ter sido explorados na tentativa de minimizar a situação, o filme lida com questões seríssimas e em alguns partes, tem consciência disso, mas acaba terminando com uma mensagem que, apesar de parecer bonita, dá a entender uma intenção nada agradável, é como dizer: “não sou racista, tenho amigo negro”. É sério?

Como admirador da carreira do Viggo Mortensen, tenho que admitir que não consegui engolir sua interpretação, apesar de todo seu arco, que mesmo previsível, é interessante de acompanhar, mas o sotaque italiano e sua caricatura passam longe de ser uma ótima atuação, tinham atores melhores para indicar. O Mahershala Ali carrega o filme, apesar de não ser o protagonista, sua presença e sua personalidade eleva o status de um filme fraco. Seu gesto corporal, entregam um homem muito inteligente, saudável, que sempre se orgulha, mas no fundo, é muita solidão, e a forma como o filme usa isso é tocante, por isso que tem esse titulo.

Green Book facilmente vai agradar o publico mais casual, e também os votantes da academia, para outros e concordo, é apenas um filme mediano, com uma unica ótima atuação e com uma intenção bastante incomoda. Se esse filme realmente agradar quem o indicou ao Oscar, possivelmente teremos mais um episódio parecido com ano de 2006, esperamos que não aconteça.

  • Duração: 130 min.
  • Direção: Peter Farrelly
  • Roteiro: Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie & Peter Farrelly
  • Elenco: Viggo Mortensen, Mahershala Ali & Linda Cardellini

Green Book: O Guia | Crítica

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Nota

5.0/10

Vinicius Chaves

Sou Vinicius, tenho 21 anos e moro em São Paulo desde o meu nascimento. Sou formado em Audiovisual e estou nessa estrada longa e maravilhosa há 7 anos. Dou muito valor para amizades e principalmente minha família e me dedico meu tempo à ver muito filmes e projetar meu futuro como cineasta.

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