setembro 28, 2020

Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007) |

A entrada de David Yates na franquia foi consideravelmente problemática, já que é visível que Harry Potter e a Ordem da Fênix é o capítulo mais inexpressivo da franquia do jovem bruxo, muito pelo fato de lidar com as ideias da premissa de maneira bem dispersa. Há diversos núcleos de importância dentro da progressão narrativa, mas o diretor – provavelmente ainda inseguro de como poderia comandar uma franquia que caminhava bem – acaba por configurar a experiência como uma série de bons momentos espalhados em uma falta de coesão e equilíbrio para tratar dos mais diversos assuntos e elementos que apresenta – e mais curioso é perceber como o diretor já soube encontrar uma abordagem mais balanceada no filme seguinte, O Enigma do Príncipe.

Um dos elementos narrativos que despertam interesse é tudo que circunda a figura de Dolores Umbridge (Imelda Staunton) e o que a personagem faz em Hogwarts: todo o núcleo que envolve a “ditadura colegial” que ela instaura no colégio, a rebelião dos alunos, até o que envolve o “Dumbledore’s Army” é bem mais superficial – e, no caso desse último, apressado – do que aparenta, desperdiçando uma oportunidade em exercer um forte comentário social sobre a atuação política dos seguidores de Voldemort e se focando em funcionais segmentos de suspense que Yates até sabe como desenvolver o clima de apreensão, mas que funcionam mais como momentos isolados do que em conjunto. Outro arco que poderia ser melhor concebido por Yates é a ligação mental entre Harry (Radcliffe) e Voldemort (Fiennes), que pouco alcança a complexidade dramática que aparenta, mas gera segmentos interessantes que operam de modo igualmente isolado.

Então, como ficou perceptível, esse é um capítulo que sobrevive de momentos isolados que carregam uma exploração dramática forte – algo que Yates soube trabalhar nos três capítulos posteriores – , mas se perde ao ser visto como um todo, aparentando ser mais um capítulo de aquecimento para os três últimos, um filme “episódico” que ainda consegue trazer elementos que criam um bom terreno para a(s) sequência(s). Até o conceito da Ordem da Fênix que nomeia a obra é trabalhado de modo apressado e restrito apenas aos extremos da projeção, no primeiro e último ato, na qual confrontam os comensais da morte. Outro demérito é a articulação de Yates, que trabalha bem o clima sombrio, mas pouco se desafia em comparação aos capítulos posteriores – e mesmo que ainda seja problemático, faz sentido, já que o realizador ainda estava se adaptando ao clima da franquia – investindo em uma decupagem dos planos básica e pouco expressiva para seu trabalho aqui, algo que seria corrigido posteriormente, especialmente com relação a sua articulação dramática em Harry Potter 7.1.

Funcionando entre virtudes e defeitos igualmente proporcionais, Harry Potter e a Ordem da Fênix é o capítulo mais frágil da saga principal por lidar com seus elementos narrativos de modo disperso e com pouca personalidade, fazendo desse, um capítulo simplório demais em linguagem e que marca através de segmentos que funcionam mais de forma isolada na progressão narrativa. Contudo, ainda é um bom entretenimento que sabe divertir mesmo que explore seus potenciais sem muita profundidade, sejam eles socialmente relevantes ou dramaticamente essenciais dentro do avanço da jornada.

Avaliação: 3 de 5.
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