setembro 28, 2020

Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001) | Crítica

Após ter sido desacreditada por diversas editoras que se recusaram a publicar seu livro, a escritora britânica J.K. Rowling insistiu e seu romance foi aceito pela Bloomsbury, sendo publicado no dia 26 de junho de 1997 no Reino Unido e posteriormente saindo em outros lugares do mundo. Esse livro era, simplesmente, o primeiro capítulo da saga de Harry Potter. E hoje, 23 anos depois de seu lançamento e quase 20 anos do lançamento desse primeiro filme, é fascinante analisar o seu impacto na cultura popular que, tanto o material-fonte quanto essa adaptação, encabeçada por Chris Columbus, gerou no imaginário de fãs pelo mundo todo que veneram até hoje o mundo fantástico na qual foram apresentados de modo singelo através de uma introdução operante em diversos aspectos.

E, mesmo tendo empalidecido perante os capítulos posteriores e ao tempo, a apresentação desse mundo consegue preservar um fascínio inigualável e uma inocência doce e digna de um projeto de Chris Columbus, realizador que compreende perfeitamente os apelos infanto-juvenis do material e realiza uma direção simples, porém coberta de graciosidade e que impacta pela forma eficaz que centraliza em aventuras menos pesadas em seu tom e mais “descompromissadas”. Com isso, uma mera partida de quadribol ou uma gracinha de Harry (Daniel Radcliffe) ao prender o primo Dudley (Harry Melling) atrás de um vidro em um zoológico era mais relevante na narrativa do que o background sombrio da história por trás da morte de James e Lily Potter e o temor de Voldemort (ou você-sabe-quem) e seu possível retorno.

A Pedra Filosofal se torna interessante e mais impactante quando se analisa o crescimento da franquia de trás para frente, na qual vemos o que os personagens eram quando jovens e inocentes crianças que queriam apenas viver aventuras e o que se tornaram quando adolescentes maduros e beirando a vida adulta. A sabedoria levemente arrogante de Hermione Granger (Emma Watson), a persona retraída de Neville (Matthew Lewis), o ar amedrontado de Rony (Rupert Grint), a determinação de Harry e até a sutil vilania de Severo Snape (Alan Rickman), tudo acaba ganhando uma dimensão maior quando vistos em retrocesso. Coumbus acerta também em fascinar seu público na forma como revela os elementos e conceitos de seu universo, mitificando cada um deles através do impacto audiovisual: Harry empunhando a sua varinha pela primeira vez, a apresentação da plataforma 9 3/4, a chegada em Hogwarts, são momentos que o diretor usa bem o plano, a trilha e outros elementos de linguagem para criar momentos especiais e até memoráveis.

Mesmo com suas virtudes, Harry Potter e a Pedra Filosofal não se arrisca muito além de uma apresentação protocolar desse mundo. Sim, existe um fascínio ao encarar aquele mundo novo pela primeira vez, um deslumbre ao encaixarmos ele na jornada do protagonista, mas ele se resume mais a uma porta de entrada nessa aventura que renderia mais sete filmes e uma legião de fãs incondicionais. E, ainda que a direção de Columbus seja eficaz e necessária nesse capítulo, foi sábio deixar outros diretores darem uma visão diferenciada a esse mundo, algo que iniciou com o terceiro filme, na qual Alfonso Cuarón soube trabalhar as bases desse universo ao seu modo. Por melhor que seja o diretor de Home Alone (1990), ele não seria a escolha mais adequada para criar um tom sombrio crescente como fizeram seus colegas posteriores.

Avaliação: 3 de 5.
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