Hereditário (Hereditary, 2018) | Crítica

Raramente me amedronto com filmes de terror ou tenho maior interesse. No entanto, devido ao bom marketing, “Hereditário” não só despertou minha curiosidade, como também me fez entrar na sessão com os dois pés atrás. Em cartaz nos cinemas brasileiros desde o dia 21 de junho, de fato, trata-se de uma obra aterrorizante e um excelente exemplar do gênero.

Após a morte da reclusa mãe, Annie Graham (Toni Collette) procura manter sua rotina de casa e trabalho ao lado do marido, Steve (Gabriel Byrne), e dos filhos adolescentes, Peter (Alex Wolff) e Charlie (Milly Shapiro). Quem mais sente tal perda, contudo, é esta última que tinha uma proximidade maior com a avó e uma fascinação não muito usual.

Em sua brilhante estreia como roteirista e diretor de longa-metragem, Ari Aster parte do luto para tecer uma intrigada teia de mistério e horror, cujo final é difícil de prever. O início um tanto lento é essencial para envolver o espectador no ambiente e no drama da família. Da mesma forma com os personagens, o que deixa mais chocantes determinadas situações.

Não devo me aprofundar mais, pois quanto menos souber, melhor. Posso dizer que alguns dos recursos narrativos utilizados não chegam a ser uma novidade, mas a forma como eles são combinados é o que torna “Hereditário” original e impactante. Longe de recorrer aos sustos rasteiros e gratuitos, o medo está em sentir e não propriamente ver.

Outro ponto fundamental é a perspectiva, construída através dos atores, dos enquadramentos, da edição, da fotografia de Pawel Pogorzelski e do design de produção. Como de praxe no gênero, a trilha sonora, de autoria de Colin Stetson, ajuda a compor a atmosfera e a construir a tensão. Com um clímax poderoso, me senti como se estivesse preso em um pesadelo.

Muitos já colocam “Hereditário” entre os finalistas ao Oscar 2019 de melhor Filme, tal como ocorreu com “Corra!” este ano. Tenho minhas dúvidas por ser tão dark, o que pode assustar a Academia. Já Toni Collette me parece ter mais chances de ser lembrada como melhor Atriz. Sua atuação é causticante. Também gostei do trabalho de Alex Wolff.

Capaz de acompanhar o espectador ao final da sessão e suscitar muitas discussões do tipo “ame ou odeie” ou “o que foi tudo isso?”, não há dúvidas de que “Hereditário” é, até o momento, o Terror de 2018 e um dos mais assombrosos dos últimos anos. Que venha agora a reimaginação do clássico “Suspiria”, de Luca Guadagnino, para brigar pelo título.

  • Duração: 127 min.
  • Direção: Ari Aster
  • Roteiro: Ari Aster
  • Elenco: Toni Collette, Gabriel Byrne, Alex Wolff, Milly Shapiro

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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