Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man Into the Spider-Verse, 2018) | Crítica

A última vez que uma aventura do Cabeça de Teia me extasiou no cinema foi em 2004. Pois eis que “Homem-Aranha no Aranhaverso” me trouxe de volta essa sensação. Só não digo que é o meu preferido do super-herói pela relação nostálgica que eu tenho com o segundo filme da trilogia de Sam Raimi, além de ficar sempre na espera que o próximo será ainda melhor.

Conhecidos pelo agitado “Uma Aventura Lego” (2014), Phil Lord e Christopher Miller assinam a produção da animação. A acertada decisão de adaptar a linha Ultimate da Marvel foi deles. Expulsos do comando de “Han Solo: Uma História Star Wars” (2018) por “divergências criativas”, fico imaginando qual a visão que eles tinham para o icônico personagem que tanto desagradou o estúdio. Com certeza, algo mais original e divertido do que o que foi exibido.

Foto: Reprodução

Na trama, Miles Morales (voz de Shameik Moore), um adolescente do Brooklyn, está aprendendo a lidar com seus poderes recém-adquiridos quando descobre que há outras versões suas e de diferentes dimensões. Sem revelar além do necessário já que os trailers e os cartazes expõem todos eles –, mas se não quiser saber pule para o próximo parágrafo –, ao lado de um mais velho Peter Parker, da enigmática Spider-Gwen, do interessante Homem-Aranha Noir, da nipônica Peni Parker e seu robô e o Porco-Aranha, ele precisa enfrentar o Rei do Crime.

Pode parecer confuso, mas o roteiro bem articulado assinado por Lord e Rodney Rothman jamais deixa a história ficar emaranhada. Há o cuidado em apresentar cada novo aracnídeo e é incrível como tudo se conecta com o que já foi feito no cinema. As motivações de Morales e seus semelhantes são bem trabalhadas, assim como as do vilão que surge humano apesar de tudo. Outra qualidade do longa é abraçar sua realidade, conseguindo com isso resolver situações que poderiam ser um problema, como o cartunesco Porco-Aranha que zoa de si mesmo.

Foto: Reprodução

Como se a história pulasse dos quadrinhos para a telona, a estética utilizada em “Homem-Aranha no Aranhaverso”, incluindo as marcas de uma impressão em offset, chama atenção. Se distanciando das animações tradicionais, os diretores Rothman, Bob Persichetti e Peter Ramsey não temem em utilizar a linguagem típica das HQs, o que o deixa mais colorido e vibrante. Voltada mais para o público juvenil e adulto, é possível, felizmente, ver em alguns cinemas sua versão original. O elenco de vozes conta com nomes como os de Mahershala Ali, Nicolas Cage, Hailee Steinfeld, Liev Schreiber, Lily Tomlin e Zoë Kravitz.

Criado pelo escritor Brian Michael Bendis e pela desenhista Sara Pichelli, Miles Morales é um marco ao ser o primeiro Homem-Aranha negro e latino. A inspiração para o seu visual foi o ex-presidente Barack Obama e o ator Donald Glover. Com um tratamento mais bem acabado e pensado não meramente como uma versão estendida para o cinema de um arco de desenho, e para um público específico, o filme inaugura uma nova era de super-heróis animados.

Foto: Reprodução

Se renovando e aumentando exponencialmente seu universo, com muitas novas possibilidades a serem exploradas, o Amigo da Vizinhança tem vida longa. Vencedor do Globo de Ouro de melhor Animação é provável que ele não vá somente ser indicado ao Oscar, como também sair da maior festa do cinema com a estatueta da categoria. O ano começa bem para a Marvel/Sony que agora tem a missão de, se não se superar, ao menos entregar uma obra à altura com o live-action “Homem-Aranha: Longe de Casa”.

  • Duração: 117 min.
  • Direção: Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman
  • Roteiro: Phil Lord e Rodney Rothman; História de Phil Lord
  • Elenco (de vozes original): Shameik Moore, Jake Johnson, Mahershala Ali, Nicolas Cage, Hailee Steinfeld, Liev Schreiber, Lily Tomlin, Zoë Kravitz, Brian Tyree Henry

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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