Homens de Preto : Internacional (2019) | Crítica

Durante o verão estadunidense existe uma leva de blockbusters que vão sendo lançados no cinema, uma vitrine que segue uma tendência da indústria mais explicitamente. Assim modernizar uma franquia antiga e reaver a nostalgia faz parte do plano de não se sucumbir ao risco de perder dinheiro, e “Homens de Preto: Internacional” se encaixa nessa linha de montagem, porém o que o faz tão interessante é como dosa quase tudo, se aproximando de uma autoconsciência franquiada que não escolhe um tom específico.

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O diretor da vez com a missão de carregar o nome da culpa ou da celebração do público é F. Gary Gray que com “Velozes e Furiosos 8” emplacou mais um grau de sinestesia automobilística super faturada. Ele se alinha a produção industrial de situar mudanças de gêneros, essencialmente a comédia que já faz parte da franquia dos obliviadores. Em muitos momentos é possível perceber aquelas câmeras frontais para captar caretas e olhares dos atores em resposta direta as expressões faciais de outro ator. A dinâmica de Tessa Thompson e Chris Hemsworth não é muito distante do que Taika Waititi fez em “Thor Ragnarok” com a dupla, porque a tendência é repetir o que agradou com outra roupagem e Gray deixa a vontade os intérpretes improvisarem na medida que o roteiro siga sua intenção progressista.

Sem dúvida o que não pode faltar nessas repaginações é um conversa direta com assuntos sociais em pauta, aqui o exemplo é o feminismo, a abrangência dos locais que a mulher pode participar. A grande sacada disso se agrega ao fator nostálgico, pois em um resgate dos termos clássicos olha-se para frente ao mesmo tempo, passando pelo caminho de admiração do sistema antigo com a introdução de uma personagem que moderniza pela sua presença. Então cabe a Tessa Thompson levar ao público o interesse pela organização de Homens de Preto enquanto em seus diálogos e troca de roupas comicamente comenta o delay temporal fixado no nome M.I.B, que só pela presença de Emma Thompson como comandante de da filial de Nova Iorque é possível fazer, diferente do “macharal” de Londres.

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Aí é que entra o conflito da trama, a nomeação internacional se veste de uma fuga dos E.U.A com intuito clássico de evidenciar algum caráter aberto do país, assim como uma chance de usar a base da franquia de “buddy cop”, a dupla de policiais de diferentes características, de aproveitar um quadro como referência aos filmes anteriores e com fontes cômicas solucionar tanto a atualização de uma agente mulher quanto o confronto com vilões. Da mesma forma construir sets de filmagem para criar a sensação de estrangeiro dentro da planificação visual da visão americana de ilhas paradisíacas, monumentos históricos reinterpretados e mercados no oriente é uma forma de propagar novos trabalhadores de áreas técnicas da construção do filme.

Assim, é possível perceber um ambiente formular, como se Gray seguisse o clichê a finco de possibilitar qualquer referência a filmes pop, porque de fato tudo parece já ter sido visto no cinema, além de tudo ser milimetricamente explicável dentro da mitologia. E se o foco nos atores parece acertado para implementar carisma no ambiente de sempre, fica difícil entender, porém, a instabilidade na ação ou até mesmo na comédia dentro dessa proposta. Durante diálogos cortes rápidos parecem segurar a piada e nas cenas de ação esconder os dublês, porém não se sobressai nem mesmo alguma esquisitice da franquia nem mesmo um assumido genérico, ou até mesmo uma nostalgia emblemática maior que trilha de Danny Elfman, muito menos um aproveitamento dessa base de blockbuster seja para enfatizar o discurso da mulher por completo ou criar algo realmente novo. Na verdade se a autoconsciência de uma produção comercial em todos os sentidos parece permear pela onda franca do que se intenciona o verão cinematográfico, a crítica de desaproveitamento de uma mistura de futilidades básicas fica até difícil de se fazer a receita.

Quando a história se torna um caminho circular e se fecha em um drama de olhares, de recapitulação dos momentos explicativos e um falso requinte da esquisitice que estava faltando, parece que não se deve apontar um estruturador desse blockbuster como normalmente acontece mesmo, até porque se segue roteiros que se fazem de inteligentes e produtores que não esperam a chance de ver o mesmo de sempre que realmente agrada o público.

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Dessa maneira o empecilho dos próprios grandes filmes é sempre decidir se a comodidade pode ser sempre restabelecida como um autorismo ou realmente os espaços autorais de diretores podem preencher as visões comerciais. No entanto se a plateia se rende aos pontos cômicos de internacionalização própria de uma cultura, a força feminina engajante e os galãs tomam posições reversíveis de personagens vilões e bobões, fica realmente difícil querer correlacionar tudo em uma linguagem se as partes medíocres parecem não incomodar em meio aos fatores citados.

Enfim, o que se vê principalmente são os botões dos ternos e camisas brancas desabotoadas sem perder a classe que nesse novo filme parece que nunca houve.

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  • Título Original: “Men in Black: International”
  • Duração: 114 min.
  • Direção: F. Gary Gray
  • Roteiro: Matt Holloway e Art Marcum
  • Elenco: Emma Thompson, Tessa Thompson, Chris Hemsworth, Liam Nesson, Kumail Nanjiani, Rafe Spall, Rebecca Ferguson.

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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