John Wick 3: Parabellum (2019) | Crítica

Só os fãs de Keanu Reeves sabem a felicidade que é vê-lo em mais um grande projeto, em mais uma trilogia, Matrix deixou muita gente com saudade e entre alguns motivos, está o ator. Ele sempre pareceu selecionar os projetos para se envolver, alguns bons, alguns ótimos e alguns que poderiam ser apagados da história, normal na carreira de qualquer um, o fato é que o ator nunca se envolveu em um grande projeto e criar seu “novo mundo”. Quando o primeiro John Wick chegou aos cinemas em 2014, seu filme anterior tinha sido 47 Ronins, um filme apenas regular, uma certa desconfiança tomou conta e muita gente não “botou fé” no filme, foi necessário o tradicional boca a boca para que as coisas andassem melhor. As motivações do protagonista logo chamaram a atenção e uma nova parcela de fãs surgiram. Hoje, o terceiro filme da franquia chega aos cinemas e a qualidade, bem como as características que fizeram o personagem ganhar os braços do público, estão quase intactas.

     O terceiro filme é uma continuação direta do segundo, ou seja, ele inicia exatamente onde o segundo parou, se você puder assistir o anterior antes de ir ao cinema, faça isso. O roteiro continua sem grandes profundidades, o forte do filme nunca foi esse, mas as motivações são relembradas para que ninguém esqueça, o protagonista também é mais desenvolvido, um pouco do passado é trazido, suas alianças, um pouco da origem, nada tão explorado, mas uma boa novidade. O forte do filme é a ação e a maior parte do mérito vem do diretor, Chad Stahelski sabe filma muito bem ação, vale lembrar que o diretor já foi dublê e isso, associado ao talento, colocou ele na frente de muitos diretores nesse quesito. Ele sabe exatamente quando se deve usar um dublê, quando inverter as câmeras ou quando explorar a capacidade do seu elenco, vale ressaltar também que a produção usou poucos dublês, mais um mérito do diretor. Outro destaque é para a ambientação interna e externa, o filme tem excelentes planos abertos e externos, como também excelentes planos fechados no ambiente interno, uma tendência comum em algumas produções é o uso na luz em neon, o que incomoda na maioria dos filmes, mas aqui também é muito bem dosado, o neon com cores fortes, uma leve paleta roxa com um colorido por trás, é um acerto para a mística do lendário matador, não é comum uma fotografia tão boa nesse tipo de filme.

     Todo esse plano do diretor não daria certo se ele não conhecesse bem o elenco que tinha nas mãos, a preparação dos atores fazia parte desse plano, isso impactaria diretamente na redução do uso de dublês e assim não era necessário o jogo de câmera para esconder o rosto, filmar o rosto do ator nas cenas principais e de maior dificuldade, sempre tem um ótimo resultado. Keanu Reeves sem duvidas é o nome que puxa isso, o ator é um artista marcial, ele é lutador de kung fu, tai chi, aprendeu a arte das espadas samurais, karatê e jiu-jitsu, todas as cenas de luta são filmadas por ele, aqui temos umas das melhores sequencias com uso de faca, uma coreografia precisa e bem observada pelos olhos de quem já participou dessas coreografias como dublê. Halley Berry também é um destaque, é bom ver a atriz de volta, é visível seu esforço para compor sua personagem e captar a pegada do filme, quem reaparece é Mark Dacascos, o ator muito popular nos anos 90 estava bem afastado dos grandes centros cinematográficos e é bem positiva sua adição, Mark também é um artista marcial, muito elástico e com a plasticidade que esse tipo que esse tipo de filme pede. Angélica Houston faz uma participação, nada que enriqueça a trama, mas sua presença e a ligação com o protagonista é positiva. Laurence Fishburne repete o seu personagem e a sua importância dentro da narrativa e Ian McShane traz o seu pragmático personagem, o curioso é que McShane está em cartaz com dois filmes e é incrível a diferente nas atuações, uma no automático e aqui, apesar de poucas exigências, bem mais confortável e presente.

     John Wick 3: Parabellum é a consolidação de uma nova franquia e um novo estilo de filmar filmes de ação, a jornada do protagonista ganha tons heroicos pelas suas motivações e escolhas, além da convidativa mística envolvendo esse, agora, mundo, abrindo espaço para uma expansão e redefinindo a expressão “se você quer paz, prepare-se para a guerra”.

  • Jon Wick: Parabellum
  • Duração: 132 minutos
  • Diretor: Chad Stahelski
  • Roteiro: Derek Kolstad, Shay Hatten, Chris Collins, Marc Abrams
  • Elenco: Keanu Reeves, Halle Berry, Ian McShane, Laurence Fishburne, Anjelica Huston, Saïd Taghmaoui, Mark Dacascos, Lance Reddick, Jerome Flynn, Asia Kate Dillon, Jason Mantzoukas, Boban Marjanović, Robin Lord Taylor

Platini

Sou fã de cinema e Rock, em especial Guns N' Roses, o resto vamos construindo e traçando os caminhos.

%d blogueiros gostam disto: