Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom, 2018) | Crítica

Ver o “Jurassic World” em pleno funcionamento em 2015 foi emocionante. Ainda mais depois que tudo saiu do controle e o caos reinou. Arrecadando mais de 1,6 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais, acredito que nem o mais otimista dos produtores esperava tamanho êxito. Tanto que se a história acabasse ali, estaria bem resolvida. Não demorou, contudo, para que o sinal verde para a continuação fosse acesa, o que chegamos a “Reino Ameaçado”.

Três anos após os eventos catastróficos no parque dos dinossauros, um vulcão entra em erupção e ameaça toda a vida na ilha Nublar. Agora uma ativista, Claire (Bryce Dallas Howard) vê a chance de voltar ao antigo local de trabalho, ao lado de Owen (Chris Pratt), para salvar os animais de uma nova extinção. Para realocá-los de lugar, eles contam com o suporte de um milionário. Não é nenhum spoiler dizer que há interesses escusos por trás.

Sem reciclar tanto as ideias e a estrutura da trilogia original de “Jurassic Park”, como indicava o anterior, a produção procura caminhar com as próprias pernas, ainda que um pouco cambaleantes. Até a trilha sonora de Michael Giacchino se distancia do tema criado por John Williams, evocando-a apenas em momentos específicos. Que novamente vai dar m**** todo mundo sabe. Se assim não fosse, nem pagaríamos ingresso para ir ao cinema.

Assumindo a direção, o espanhol J.A. Bayona é o melhor aditivo dessa nova aventura. Com sequências de fazer o espectador ficar grudado na poltrona, seu foco maior é na tensão da situação do que em dar sustos. Em prol da ação e de um ritmo acelerado, o roteiro escrito por Colin Trevorrow (diretor do anterior) e Derek Connolly perde a chance de levantar questões éticas, políticas e ambientais que poderiam dar à franquia alguma profundidade.

Não que o grande público deva se importar. Como entretenimento, “Jurassic World: Reino Ameaçado” cumpre bem o seu papel. Se os sapatos de Bryce Dallas foram alvo de críticas no longa anterior, chegando ao cúmulo de ser tachado de sexista por ela ter de correr de salto alto, desta vez não há o que reclamar. O que acaba sendo comprometida, no entanto, é a relação de Claire com Owen. Apesar da química, a dinâmica entre o casal é pouco explorada.

Dos três jovens novos personagens, pouco desenvolvidos por sinal, apenas me importei com a pequena Maisie (Isabella Sermon). Aliás, o que seria do mundo “Jurassic” sem crianças correndo de dinossauros junto com os adultos. Justice Smith, como Franklin, é o medroso com grito engraçado. Esta semana, a atriz Daniella Pineda revelou que a cena em que Zia falava sobre sua sexualidade para Chris Pratt foi cortada para não quebrar a cadência da trama.

Aliando efeitos práticos com visuais e sonoros, o resultado continua realisticamente fantástico. Como tem sido comum em blockbusters, o marketing peca por mostrar mais do que o necessário. Um personagem de outrora, por exemplo, poderia ser uma grata surpresa diante de sua pequena participação. Ao não nos dar muito tempo para pensar sobre o que estamos vendo e questionar algumas decisões, “Jurassic World: Reino Ameaçado” é diversão de primeira em modo automático.

  • Duração: 128 min.
  • Direção: J.A. Bayona
  • Roteiro: Derek Connolly e Colin Trevorrow, baseado nos personagens criados por Michael Crichton
  • Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Rafe Spall, Justice Smith, Daniella Pineda, James Cromwell, Toby Jones, Isabella Sermon, Ted Levine, BD Wong, Geraldine Chaplin

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

%d blogueiros gostam disto: