Kidding – 1° Temporada (2018) | Crítica

Após passar um bom tempo com problemas pessoais e longe dos holofotes, Jim Carrey voltou para pequenas participações em filmes antes de estrelar Crimes Obscuros, até finalmente voltar a protagonizar produções, dessa vez estrelando Kidding, que mais parece um retrato autobiográfico dos dias em que Carrey passou afastado das telas.

  Na série, acompanhamos Jeff, um astro de um programa infantil de marionetes, que tem na ingenuidade sua aproximação com as crianças, porém na hora de enfrentar os problemas familiares, a vida de Jeff vai mudando drasticamente, onde precisa lutar pela sua própria sanidade.

Os acontecimentos da trama giram em torno de Jeff, vemos sua família e dramas pessoais sendo mostrados em tela aos poucos, o que ajuda muito no desenvolvimento da narrativa sem precisar jogar muita informação nos trinta minutos de episódio. O mais importante de perceber, é o quanto estamos diante de um personagem extremamente complexo, que prefere internalizar qualquer tipo de sentimento ruim ao invés de discuti-lo, isso o transforma em uma bomba ambulante, prestes a explodir, e é nos pequenos momentos de explosão que temos um personagem descontrolado e que está lutando para não enlouquecer perante o mundo.

Dez episódios são suficientes para termos um vislumbre do potencial que a série tem, nosso personagem principal é uma figura importante não apenas para o seu país, mas para o mundo, seu programa é adaptado mundialmente, o envolvimento do público vai além de um simples momento em frente à tv, e o mais importante, não apenas para as crianças, mas para o público adulto. Para isso, inteligentemente a série mostra algumas situações fora o núcleo principal, onde pessoas comuns mudam suas vidas, com um maravilhoso plano-sequência no terceiro episódio, em um dos discursos do programa de Jeff.

A série permite que Jim Carrey brilhe, com uma ótima mudança do cômico para o dramático em diversos momentos, vemos mais da complexidade do personagem e da relação dele nos bastidores, onde precisa lidar com o pai, homem autoritário que comanda o show com mão de ferro.

Ao longo de dez episódios, a série consegue mostrar como Jeff lida com suas perdas, um filho falecido, uma separação da esposa, os problemas em não saber lidar com seu outro filho, nisso vemos que o personagem vai perdendo cada vez mais a sua ligação com o mundo real, e se integrando no seu mundo imaginário com suas marionetes.

Com uma história tão poderosa em mãos, um elenco de apoio precisaria estar afiado, principalmente para mostrar as relações com Jeff, e para isso, os roteiristas deixaram cada personagem com um drama particular, seja perda, recomeço, superação, todos tem histórias interessantes que não cansam o público.  Em especial no episódio oito, onde vemos um grande flashback de relações pai e filho, temos Jeff em uma relação problemática com Phil antes do acidente, e Derrel que precisa lidar com seu pai que levou uma sentença de morte, todo esse caminho serve para discutir o passado desses personagens, além de evidenciar a diferença desses dois tipos de relações.

Kidding é um belo estudo sobre personagens, em particular sobre Jeff, um homem ingênuo, que precisa interiorizar tudo ao longo da sua vida para saber lidar com os problemas, preferindo a fantasia, optando falar diretamente com seu público que mais lhe entende: as crianças, pois acima de tudo, Jeff é um adulto que não pôde crescer a sua maneira, sempre preso as expectativas do pai, e os maneirismos que o show exigia até esse momento de sua vida, sem poder dar uma outra voz que gritava no seu interior devido as perdas dramáticas, pois o mais importante na vida, é saber lidar com tudo de ruim, e seguir em frente.

No episódio final temos os motivos da série ser extremamente bem escrita, em um discurso incrível, o personagem libera todo seu peso, dez episódios levaram a esse grande momento, e a outros, misturando aceitação e reviravoltas, Kidding voltará com uma segunda temporada cheia de surpresas, e principalmente com tons de fantasia.

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

%d blogueiros gostam disto: