Legítimo Rei (Outlaw King, 2018) | Crítica

Produção original da Netflix, “Legítimo Rei” é uma daquelas obras que mereciam ser apreciadas em uma tela de cinema. Ainda que esteja distante de ser um novo “Coração Valente” (1995), ela faz quase que uma conexão espiritual com o épico de Mel Gibson, vencedor de cinco Oscars, incluindo como melhor Filme. Na trama, enquanto William Wallace se refugia, Robert “The Bruce” (Chris Pine) volta a jurar lealdade à Inglaterra.

Diante da contínua injustiça, exploração e de um fato marcante, contudo, ele se vê obrigado a entrar em guerra novamente para salvar sua família, seu povo e seu país da ocupação. Robert toma então a coroa escocesa e lidera um grupo desorganizado de combatentes no enfrentamento do exército mais poderoso do mundo, comandado pelo rei Edward I (Stephen Dillane) e seu filho instável (Billy Howle), o Príncipe de Gales.

Mais do que uma reconstituição histórica didática, “Legítimo Rei” visa o entretenimento, com o roteiro focando apenas em personagens e eventos que gerem alguma reação. Com isto, ao mesmo tempo em que se ganha agilidade, se perde um pouco do envolvimento sentimental. Apenas como comparação, se “Coração Valente” é emoção, o filme da Netfix é razão, o que pode ser justificado até pela personalidade de seus protagonistas e resoluções.

Pine surge seguro como o reservado Robert, procurando se despir, literalmente, das amarras da figura de um mero galã. Sua nudez acabou chamando mais atenção do que deveria quando foi exibido pela primeira vez. Vale destacar Aaron Taylor-Johnson como James Douglas, um personagem intrigante que por si só renderia um longa. O único papel feminino de destaque, vivido por Florence Pugh, tem uma postura que vai de encontro com os dias de hoje.

Para quem assiste séries como “Game of Thrones”, a mistura de violência, sangue e lama durante uma batalha não chega a ser uma novidade. Com um plano-sequência inicial magistral, David Mackenzie comanda cenas de ação de impacto. Só peca por um pequeno excesso estilístico. Chris Pine e o diretor trabalharam juntos pela primeira vez no bem sucedido faroeste moderno “A Qualquer Custo” (2016).

Do figurino de Jane Petrie à fotografia por vezes saturada de Barry Ackroyd, “Legítimo Rei” segue a cartilha dos grandes épicos medievais de visual impecável. Filme de abertura do Festival de Toronto, o barulho feito por lá pode ser que não ecoe o suficiente para chegar à temporada de prêmios. Ao menos com a plataforma de streaming, não dependemos do seu desempenho nas bilheterias ou em premiações para ter acesso a ele.

  • Duração: 121 min.
  • Direção: David Mackenzie
  • Roteiro: Bathsheba Doran, David Mackenzie e James MacInnes; História adicional de David Harrower e Mark Bomback
  • Elenco: Chris Pine, Aaron Taylor-Johnson, Stephen Dillane, Florence Pugh, Billy Howle, Paul Blair, Sam Spruell, Jonny Phillips, Ben Clifford, Jamie Maclachlan, Duncan Lacroix

Moisés Evan

Formado em Jornalismo, acredito na cartilha de "The Post", e também em Publicidade, mas sem a intenção de fazer "Três Anúncios para Um Crime". Como "Lady Bird", ao alçar voo para outras bandas, cheguei até aqui. Tem horas que o mundo parece nos envolver numa "Trama Fantasma" ou nos colocar numa enrascada como em "Dunkirk". Não vou mudar "O Destino de Uma Nação" escrevendo sobre o que mais amo, mas sempre que eu postar, espero que você "Corra!" para ler e não tenha receio de comentar e/ou discordar. "Me Chame Pelo Seu Nome"? Melhor não. Mas pode ser pôr @sr.lanterninha. Vivo num mundo de sonhos e monstros e um dia hei de descobrir "A Forma da Água" em seu estado mais bruto e belo.

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