Loja de Unicórnios (2019) | Crítica

Loja de Unicórnios é um filme distribuído pela Netflix e que traz Brie Larson estreando na cadeira da direção, aliás, a Netflix vem apostando nessas estreias, atores e atrizes que se aventuram por trás das câmeras parece ser um bom alvo para companhia. Além de dirigir, Brie também é uma das produtoras e protagonista. O filme também marca mais uma parceria entre Ela e Samuel L Jackson. Fica claro que Loja de Unicórnios é um sonho da diretora e Ela não tem nenhuma vergonha de expor isso.

Fantasia, essa é a palavra que deve ser aceita desde os primeiros minutos, o filme não se leva a sério e nem tampouco procura justificar toda essa viagem, ele é assim porque quer ser assim. O texto escrito, também pela debutante em filmes, Samantha Mclntyre, é muito simples, estruturado dentro dos três atos e apresentando todas as regras básicas para um roteiro. Assim como o roteiro, a direção também é bem básica, a diretora não ousa, não se arrisca, a opção de ter uma direção mais simples parece uma escolha de segurança para o desenrolar da trama, uma escolha errada poderia arruinar o frágil projeto, que a todo momento parece flertar entre o “OK” e o “hmmm, que filme ruim”, no final, a primeira opção prevalece, basta voltar ao inicio desse parágrafo e aceitar a primeira palavra. O primeiro ato do filme é o mais interessante, algumas situações apresentadas causa uma certa reflexão, depressão por exemplo, é algo citado no inicio do filme e depois só vem ser apresentado novamente no fim do segundo ato, obviamente a proposta do filme não é essa, mas a depressão é uma das razões para que as pessoas não saiam da sua bolha, do seu mundo e assim é a protagonista, ela vive em uma espécie de mundo paralelo, uma bolha mesmo, criada pela própria família, talvez por ser filha única, talvez pela superproteção, os motivos ficam no ar, mas os questionamentos vão além disso, a identificação pode ser a resposta, são problemas presentes em algumas pessoas. É importante ressaltar que o filme não briga com isso, não está explícito, são pontos apresentados e depois a trama segue adiante, dando-lhe a escolha de pensar sobre isso ou não.

     O elenco reflete o roteiro e a direção, sem grandes desenvolvimentos. A protagonista é uma pessoa que parece ter se perdido na transição do tempo, iniciamos com ela na infância e pulamos para a vida adulta, a adolescência não é mostrada, esse salto afirma essa espécie de “looping”, todos os sonhos, toda a inocência, todas as crenças do imaginário mundo infantil ainda estão presentes. A terceira parceria entre Brie e Samuel é o que mais prende, é incrível como esses dois parecem a vontade juntos. Aqui temos um Samuel bem diferente do que estamos acostumados, ele fez um excêntrico vendedor que alimenta a fantasia da protagonista. Mamoudou Athie (O Círculo) é Virgil, um vendedor que embarca na viagem e a ajuda na execução de suas tarefas. Hamish LinkLater é mais um destaque no elenco de apoio, ele é Gary, mais um personagem estranho nesse filme, porém bem curioso.

Por fim, a mensagem que fica é a persistência na busca do seu sonho, aquela coisa que “se você quer de verdade, o universo conspira ao seu favor”, isso é ressaltado a todo momento e deixa claro que esse era o objetivo da diretora, sonho X realização. Loja de Unicórnios é um filme que precisa não ser levado a sério para ser o mínimo divertido e esse flerte de não abandonar a criança que existe em nós é algo divertido, em vários momentos me fez lembrar que eu sonhava em voar.

  • Loja De Unicórnios (Unicorn Store)
  • Duração: 92 minutos
  • Diretor: Brie Larson
  • Roteiro: Samantha Mclntyre
  • Elenco: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Joan Cusack, Bradley Whitford, Karan Soni, Mamoudou Athie, Mary Holland, Hamish Linklater
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