Mãe! (Mother!, 2017) | Crítica

AVISO: Se você ainda não viu o filme, melhor ver. Aqui não tem spoiler mas tem revelações da trama. Pode revelar pontos principais do filme.

Pesadíssimo.

Certos diretores de hollywood tem suas próprias fórmulas e estilos, muitos mudam em determinados momentos e muitos preferem seguir até o fim com o mesmo modo de fazer filmes. Eu admiro qualquer forma de fazer cinema, e quanto mais for inovadora, melhor.

Darren Aronofsky é daqueles diretores de cinema que ou você ama ou odeia, ele tem sua própria forma de filmar e escrever, e muitas vezes, seus filmes trazem certa agonia, por lidar com dramas psicológicos muito perto da realidade e por lidar – bastante – com religião. Maioria dos seus personagens são quebrados e cabe a nós tentar decifrar a mente de cada um. Filmes como Cisne Negro, Réquiem para um Sonho, O Lutador, trazem esses tipos de personagem.

Em Mãe! Darren Aronofsky volta a falar de religião e dessa vez, sendo mais específico, sobre o velho testamento. Okay, você tem várias formas de interpretar essa história, o diretor te deixa interpretar da forma que quiser, porém, tem certos momentos em que as referências bíblicas ficam claras.

Se formos direto para as referências bíblicas, podemos identificar referências a Deus, Mãe Natureza, Caim e Abel, Jesus, a Humanidade e o Mundo. Temos uma visão completamente pessimista do mundo desde a chegada do Homem, representado pelo primeiro “convidado” que chega na casa. Levando para o nosso contexto histórico, o mundo que conhecemos hoje, sempre – e sempre será, pelo jeito que tá – divido pelo conflito religioso. Adoradores, fanáticos, pessoas que surgem do nada e acabam levando a religião para um ponto que não deveria ser levado, e isso é retratado muito bem no filme. Sem o terceiro Ato – o mais difícil de ser assistido – o filme não seria o mesmo, depois do nascimento do filho – ta aí uma referência para Jesus, que nasceu e depois morreu na mão do homem – o filme se torna difícil e até incômodo, mas necessário. Os conflitos dentro da casa, para retratar todos os conflitos religiosos são essenciais para levantar a ideia de um mundo pessimista. É difícil ver um diretor com uma coragem para fazer um filme assim, por isso é admirável, por mais particular que sejam sua visão.

Jennifer Lawrence é um trunfo nesse filme, estamos acostumados a ver ela interpretar personagens fortes e mais expressivas, fica até difícil ver ela numa personagem tão frágil e tão submissa. A Mãe é frágil, delicada e submissa, podemos levar essa visão como o mundo trata as mulheres e a mãe natureza – Lawrence sempre é desafiada, maltratada e nunca é ouvida, mesmo estando em sua casa – o que torna o filme não apenas uma retratação bíblica, mas sim uma crítica ao machismo e a todo o maltrato que as mulheres do mundo recebem desde o início da humanidade até os dias de hoje, discussão importante depois de tantos escândalos de assédio em Hollywood. Tantos mal tratos a levam a fazer suas “revoltas” de vez em quando. Afinal, maltratamos tanto a Mãe natureza, que ela manda suas “respostas” em formato de cataclismos, e desastres naturais, algo que é mostrado de uma forma bem metafórica, na pouca liberdade que tem.

Visualmente, o filme tem outro trunfo, a câmera sempre acompanha o rosto dos personagens, principalmente da Mãe, sempre demonstrando fragilidade, depois que a ordem do seu paraíso foi perturbada. O elenco fui muito bem escolhido, Javier Bardem, demonstra toda sua imponência e ego, sempre deixando de lado sua parceira para ouvir ou até mesmo perdoar seus adoradores, algo que ele fala em certo momento do filme. Volto a ressaltar o terceiro ato, que aborda todas as críticas a qualquer tipo de fanatismo, seja religioso ou não. Quando eu digo que o filme é pessimista, é porque ele demonstra o pior da humanidade, e do que ela pode se tornar. O filme é uma visão muito particular do começo e da reconstrução de tudo.

Com todas essas discussões levantadas, o filme Mãe! se torna um dos mais importantes do ano, se não o melhor! Mas será que o Oscar vai premiar? Afinal, não deixa de ser um filme polêmico, vamos ter que esperar mais uns anos para ver um filme nesse estilo.

  • Duração: 149 min.
  • DireçãoDarren Aronofsky
  • RoteiroDarren Aronofsky
  • ElencoJennifer Lawrence , Javier Bardem , Michelle Pfeiffer , Ed Harris , Kristen Wiig ,Domhnall Gleeson , Cristina Rosato

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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