Mais Uma Chance (Private Life, 2018) | Crítica

Quando se assiste a primeira cena a temática de ter bebês e ter filhos é o rolo compressor do que se contará, mas Tamara Jenkis só quer falar sobre a vida e como ela também é arte.

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A premissa é simples no problema complexo de um casal que quer ter filhos em uma idade avançada. Com óvulos problemáticos e espermatozoides também problemáticos a vida de dois artistas se resume a ir em clínicas de fertilização enquanto o casamento deles vai esfriando.

O casal protagonista Rachel e Richard acima de tudo são humanos e extremamente reais. As interpretações de de Kathryn Hahn e Paul Giamatti são naturais, com caretas, suspiros, sorrisos, olhos piscados, diálogos errados e mal interpretados, a relação dos atores confere fidelidade a imaginação deles em um casamento antigo, vivo, mas problemático porque o tempo e os afazeres para a arte não o permitiram ter filhos. A intimidade deles, as vestimentas de cada um em casa, o jeito como a fotografia parece intrusa e nada chamativa transforma o expectador vivendo lado a lado do drama deles. Esse drama não é sobre filhos, não é sobre casamento, não é sobre família e muito menos sobre trabalho, é apenas a vida. Observar, ter vergonha, falar sobre sexo sinceramente, é tentar de novo, é ser enganado, é a tela que o pintor delinea traços. Daí sai a grande questão, o que é uma prole? Uma vida ou uma obra de arte?

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O casal são artistas, ele dirigia peças e ela escreve um livro, assuntos secundários na trama, servem para caracterizá-los, mas é o que serve de ponte para a sobrinha deles, Sadie, viver em harmonia com a volta na sua doce revolta juvenil. A atriz Kayli Carter expressa bem a jovem que gira em seu mundo, com cenas belas de subjetividade de câmera lenta, nos tirando da intimidade do casal e sim para ela. Há um incomodo nisso na história pois a partir desse ponto o filme se prolonga demais. É bonita a causa, são bonitas as relações familiares pesadas principalmente pela interpretação da mãe de Sadie, de Molly Shannon, que amplia o ponto de vista quanto a maternidade e os papéis dos pais, no entanto a força motriz está em cenas aterrorizantes de uma mulher vaidosa se ferindo para tirar pelos da face, momentos diferenciais, definidoras da personagem que dá valor ao miolo do filme.

Sobre a pergunta, a prole é uma vida artística, o fato dela ser considerada obra de arte depende do preparo de cada pai e mãe, o tempo investido e como são resolvidas na privacidade a aliança de cada casal. O amarelo da obsessão no Halloween pertence a Rachel e Richard, assim como o medo de não pintar bem a tela da vida, seja com um filho geneticamente deles ou uma adoção, no final importa é esperar pela vida e não deixá-la esperando.

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8.5

Nota

8.5/10

Davi Lima

Cinéfilo, fã de Star Wars, e ainda procurando formas de ver mais filmes para aprimorar a massa crítica. Colocando a sabedoria e o equilíbrio aonde for.

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