Mudo (Mute, 2018) | Crítica

Em 2018 a Netflix apostou em dois universos cyberpunk para atualizar seus catálogos, Altered Carbon e Mudo. Todos devidamente emulando a grande referência que temos em cyberpunk: Blade Runner. O arco do heróis solitário que precisa resolver suas questões morais e pessoais, em uma aventura solitária. Mudo é diferente apenas nas motivações do personagem, mas a ideia de universo é a mesma.

Na história acompanhamos um barman mudo, namorado de uma das garçonetes de uma boate cultuada, que precisa descobrir qual o paradeiro de sua amada logo após ela desaparecer misteriosamente. Não vemos um herói solitário em busca de sua redenção, mas sim o mais puro amor motivando um personagem a enfrentar qualquer barreira para encontrar seu destino.

Em termos de universo, existe muito cuidado na ambientação do filme, o cyberpunk é bem representado, mas não totalmente consolidado. É como se o mundo estivesse na transição dos carros elétricos para os carros voadores, vemos duas partes da cidade, em que ainda existem ambientes mais limpos ou até mesmo áreas verdes. Não me admira, vindo de um Duncan Jones, todo o cuidado nessas demonstrações, seu grande trunfo em Warcraft é justamente a parte visual. Quanto a sua direção, ele é um grande diretor de atores, sabe como direcionar a câmera para demonstrar suas emoções mas pouco se preocupa em demonstrar mais do ambiente ao redor.

Quem se destaca mesmo no filme é Alexander Skarsgård, que consegue manipular muito bem suas emoções e nos emociona com algumas cenas que vemos um claro esforço do ator. O arco do homem simples, em busca de respostas, é o arco que mais vale a pena acompanhar na história, uma pena o diretor optar por entupir a trama com histórias desnecessárias, que fazem o expectador perder rapidamente o interesse. Paul Rudd é o mesmo de sempre – com um bigode – em um filme que não souberam aproveitar seu tom humorístico, que tem em Justin Theroux o irmão do seu personagem, que não agrega, nem fica definida as suas motivações.

Mudo é uma aula de como não utilizar um universo cyberpunk, sem entender que o ambiente e o protagonista se completam. A história teria melhor aceitação em uma ambientação comum, nos dias atuais, com mudanças pontuais na trama. Uma pena, o potencial e o prazer de ver um ambiente desses é sempre grande.

Mudo (Mute, 2018) | Crítica

  • Duração: 66 min.
  • Direção: Duncan Jones
  • Roteiro: Duncan Jones , Michael Robert Johnson
  • Elenco: Alexander Skarsgård , Paul Rudd , Justin Theroux

Mudo (Mute, 2018) | Crítica

4

Nota

4.0/10

Rafinha Santos

Depois de lutar ao lado de Aragorn na Terra Média, enfrentar a Matrix junto com Neo e salvar o planeta de novo junto com Os Vingadores, viajei para uma galáxia muito muito distante, e fiquei recluso no planeta Hoth por muitos anos, até saber que Luke Skywalker foi finalmente encontrado por uma menina chamada Rey. Aparentemente é o tempo dos Jedis acabarem... Porém, durante minha busca pelo último templo Jedi, minha nave deu pane de vim parar em outra galáxia. Nela, todas esses eventos que eu citei são mera ficção, e agora escrevo críticas sobre eles... É como Rick me diria: Não pense nisso!

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