setembro 26, 2020

O Caso Richard Jewell | Crítica

Dentro do imaginário americano as instituições tem papeis cinematográficos assim como os atentados e serial killers. A partir dessa narrativa para criar heróis também é um fenômeno, porém o diretor Clint Eastwood busca o íntimo para a legitimação dentro do próprio histórico da dúvida sobre o sensacionalismo.

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O herói social da vez é Richard Jewell em que a descrição do personagem se torna tão importante quanto a as Olimpíadas de Atlanta, algo que Clint gosta de tornar paralelo na montagem do filme durante toda a trama como evento heroico pontual tão relevante quanto um símbolo de amistosidade internacional. Se a pessoa que fez o ato é importante da mesma forma seu contexto precisa ser compreendido em todos os detalhes em um exercício de roteiro que pode ser para alguns espectadores bem fatídico, já que a forma cinematográfica é simplista. Ou também pode-se problematizar suas maneiras simbólicas de tratar geopoliticamente um caso na tentativa de dar mais importância ao que é contado, como uma mulher russa citando o tratamento policial da Rússia.

Logo, o valor é de como a direção vai direto ao ponto no evento musical em que Richard como policial cobria como segurança, não policial, que é contexto do atentado. Ele faz um trabalho abaixo de sua patente por amor ao trabalho de proteção, um resultado do patriotismo americano em vários sentidos. Até mesmo seu porte físico nada atlético, branco e bigodudo pode soar estereotipado, porém o filme se baseia em fatos, é uma pessoa real bem caracterizada em tela pelo ator Paul Walter Hauser. Ou seja, o diretor Clint ao buscar contar essa história compreende muito bem porque cinegrafar um registro histórico sobre um homem que ele como diretor vai tornar herói de seu filme. O diretor acredita que ele é um herói e vai legitimá-lo com base também nos fatos.

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Assim o longa-metragem vai se tornando um exercício de crença, porque Richard Jewell assim como pertence a classe dos patriotas também pertence a categoria de potenciais assassinos de histórico característico do FBI. O espectador pode muito bem seguir essa semente de dúvida que o Eastwood planta porque faz parte do roteiro e de fatos também. Um homem solteiro que mora com a mãe, caçador, com posse de armas(apesar que no estado da Geórgia nos E.U.A ser permitido, o que é um fato muito importante) com notícias de atos violentos no trabalho acaba por ser o principal suspeito de uma operação de salvamento.

Mais uma vez é preciso entender o princípio que o diretor Clint quer abordar. Não há uma enganação, uma ludibriação do público, entretanto ele quer que quem assista o filme sinta a legitimação, não apenas acompanhe. Por isso o FBI retratado principalmente pela figura heroica em porte do ator Jon Hamm, até certo ponto caricato para criar um intento revanchismo, é tão sagaz em arranjar provas onde for para comprovar a culpabilidade de Richard. É um trabalho legitimo, porém meios corruptos são apresentados, principalmente no envolvimento do jornalismo. Para construir um herói ou para torná-lo vilão a mídia tem um poder inigualável com a personagem da Olivia Wilde, invencível em convencer alguém que suas palavras estão certas sobre Jewell, embora nada estivesse comprovado. A jornalista assim como o personagem do FBI entram em um ciclo vingativo construção de fatos contra Jewell, vilanizando-os exacerbadamente.

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Por esses polos da investigação e por outros adjetivos da personalidade que Richard vai se revelando como pessoa é que a trama detalhadamente em um processo opressivo de comprovação chega ao personagem de Sam Rockwell, o advogado defensor de Richard. Ele se torna o centro do espectador em que na objetividade factual sobra a Clint emocionar com a catarse que a interpretação de Sam causa no ato de defender e trazer realidade a um protagonista patriota. E sem dúvida resta a cereja do bolo a honesta capacidade da atriz Kathy Bates, como mãe de Richard, institucionalizar a tristeza da injustiça, até certo ponto quando não é apelativo.

São nessas histórias de um herói social que o heroísmo em ato e o caráter descrito sobre as intenções que são fundamentados pela narrativa que Clint Eastwood quer contar. Alcança-se um encantamento pelo ser como um todo de Richard, na sua humanidade, na sua sinceridade de ter raiva de se sentir culpado por algo que não fez enquanto incessantemente achava correto abrir a boca para o FBI ajudar a prendê-lo e levar para ser morto no corredor da morte se fosse o correto a ser feito. A mistura feita em sua mente precisa ser desconstruída e quando a verdade revida até mesmo a suposta neutralidade jornalística se emociona.

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Por isso o ato heroico ao final do filme não que se torne irrelevante, é um fato e justificadamente comprovado como bom, porém Clint ainda quer fazer a reflexão sobre até que ponto o sensacionalismo, a feita de filmes baseado em fatos ou em personagens de fato contribuem para que os mesmos atos bons sejam ainda feitos ou os atos maus não sejam feitos.

Então, entre filmes da Marvel e mitologia heroica dos filmes da DC, heróis dos quadrinhos que são idealizados ou humanizados para inspirar, ou para problematizar, acaba que Clint Eastwood aproveita o máximo do “baseado em fatos” para com o íntimo evidenciar um verdadeiro herói humano, ordinário. 

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